Watch_Dogs, o original, chegou à geração passada recheado de expectativas, que, infelizmente, não se concretizaram. Os trailers apresentavam gráficos cinematográficos e a propaganda da Ubisoft prometia um jogo espetacular. Como sabemos, houve uma grande decepção no mundo gamer com o título, não que tenha sido um jogo ruim. Eu gostei, por exemplo.

Logo, quando a Ubi anunciou Watch_Dogs 2 no início de 2016, muita gente ficou com um pé atrás e, talvez, não tenham dado muita bola pro jogo. O medo de se decepcionar novamente era grande. Mas, com toda certeza do mundo, desta vez não há reclamações. Watch_Dogs 2 chegou no Brasil em formato digital no último dia 15 para os consoles da nova geração e na última terça, 29, para PCs e em mídia física. A nossa cópia chegou, já foi terminada e platinada. A análise do game você confere agora.

História

Se você jogou o primeiro Watch_Dogs, esqueça aquela historinha batida de vingança de Aiden Pearce e a personalidade ranzinza do protagonista. Aqui você é o hacker retr0, ou Marcus Holloway, um jovem negro que é recrutado pelo DedSec (lembra dele no primeiro jogo?) para combater os avanços da Blume e seu poderoso ctOS 2.0, com algorítimos ainda mais cruéis e preditivos do que o sistema do primeiro jogo.

A primeira diferença no desenrolar da trama passa pela escolha e construção do protagonista. Marcus é jovem, descolado e despreocupado. Aiden é um “tiozinho” com uma única motivação e uma sede de vingança. Não que eu não goste de Pearce, mas o retr0 é bem mais cativante e divertido…

A trama é consistente com a proposta do primeiro jogo: hackear. Tudo gira em torno do abuso de poder e de dados pessoais por parte da Blume e seu CEO, Dušan Nemec. É inevitável não lembrar-se de grandes corporações tecnológicas quando se joga Watch_Dogs 2, já que as empresas fictícias Nudle e !nvite são rapidamente associadas pelo jogador com aquelas que existem realmente.

A sensação que temos, ao jogar Watch_Dogs 2, é de que podemos estar sendo hackeados neste instante, que nossas conversas estão sendo lidas por alguém e até nossas câmeras de celulares e laptops sendo alvos constantes de curiosos. No fim, a proposta do jogo é claramente essa: alertar para os perigos da super exposição tecnológica que todos estamos sujeitos.

Foto: Divulgação
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Jogabilidade

Ponto de discordância no primeiro título, a Ubisoft acertou a mão em Watch_Dogs 2. A direção, muito criticada à época, ficou suave e bastante fácil no novo jogo. Os brinquedinhos de Marcus, o Jumper e o Drone, foram excelentes adições ao jogo, ampliando ainda mais as formas como você pode cumprir uma missão. A inserção de elementos parkour foi fundamental para a jovialidade do protagonista. Dar saltos de locais altos, escalar casas, lojas e muros, tudo isso ficou mais fácil.

O mais importante continua simples e fácil: hackear! Com apenas alguns toques, é possível hackear objetos pessoais e do ambiente, usando-os de acordo com a sua necessidade. Continua sendo possível criar uma explosão de gás ou de choque. Ou, se preferir, ative o computador de bordo de um carro e mande-o pra cima do inimigo. Praticamente tudo eletrônico é utilizado no gameplay, tornando a experiência bastante prazerosa para o jogador.

Tudo isso acontecendo em São Francisco, uma cidade bonita e muito bem construída pela equipe do jogo. Bem melhor do que a Chicago do primeiro título…

Faca de dois gumes

Como já disse, o objetivo do DedSec no jogo é acabar com o abuso de poder e de dados pessoas da Blume. Mas, pra isso, utiliza-se das mesmas ferramentas que a grande corporação, como hackear pessoas comuns para roubar-lhes dinheiro ou invadir a casa de um CEO de uma empresa e expor seus segredos, por exemplo. No jogo, o DedSec diz agir diferente: ele precisa de seguidores, ou seja, pessoas que baixam o aplicativo e emprestam o poder de processamento de seus celulares para a célula hacker, tudo de forma consciente.

Foto: Divulgação
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Evolução

Essa questão dos seguidores é interessante também. Você vai ganhando-os à medida em que joga, cumpre missões principais, secundárias, online e atividades dentro do jogo. Elas valem pontos de pesquisa para a já tradicional árvore de habilidades dos jogos da Ubi. À medida em que você cumpre os objetivos traçados, os gadgets de Marcus vão ficando mais elaborados e mortais.

Modo online

Ao menos enquanto jogava, tive grande dificuldade para ficar online e encontrar jogadores para missões co-op e os modos versus. Foi uma tarefa árdua, daquela que é preciso procurar várias vezes para encontrar um companheiro ou um adversário para determinada missão. A Ubisoft enviava relatórios constantes de que o servidor estava em manutenção, mas mesmo quando não estava, apresentava dificuldades.

No entanto, quando consegui jogar, a diversão é legal. Há modos de perseguição, podendo jogar até 5 usuários ao mesmo tempo, e o tradicional 1 x 1, com o objetivo de roubar os dados de outro jogador. Ambos bem divertidos.

Bugs

Watch_Dogs 2 não está isento de bugs, mas os poucos que ainda têm, não atrapalham o desenrolar da trama. Esse quesito, por sinal, serviu de alerta para a empresa após os fracassos com o primeiro WD e Assassin’s Creed Unity. O jogo, em menos de um mês de lançamento, já está em sua versão 1.06.

Conclusão

Watch_Dogs 2 é um jogo que irá te garantir umas boas horas de diversão. Não é exatamente um jogo longo, eu conclui a história, as missões paralelas e consegui a platina em menos de 30h. Mas a premissa, a história, a jogabilidade e o modo online fazem do jogo uma excelente escolha. Watch_Dogs 2 definitivamente é recomendado!

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.