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TYRANNY | Meu tirano favorito

No mundo de Tyranny, ser mal compensa

Tyranny é mais um RPG isométrico da veterana Obsidian. Assim como seus outros títulos –Pillars of Eternity e Torment:Tides of Numenera – esse é um jogo no qual cada ação tem uma reação de igual intensidade.

Mais do mesmo, você pode pensar. Mas a empresa colocou algumas mudanças na fórmula e estilo de escrita para dar uma tonalidade única e diferenciar esse jogo dos outros de seu portfólio. Será que o título aguenta, ou é só mais um Pillars of Eternity com outra cara? Peguem suas máscaras e machados. É hora de mais uma análise do Jornada Geek.

Hoje é dia de maldade

Tyranny conta a história de um mundo onde o mal venceu. O tirano Kyros dominou grande parte das terras, e as que não foram tomadas se encontram devastadas por guerras civis e combates contras os exércitos conquistadores. Nós tomamos o papel do Fatebinder, um oficial que tem o objetivo de levar uma lei até um vale que está em processo de conquista.

Vamos até lá com um pergaminho mágico. Ao ser lido, ele invoca uma destruição para assolar o local em oito dias. Ou vencemos a guerra e dominamos tudo, ou morremos tentando. Isso é muito interessante, e dá uma sensação de urgência e desespero muito bem vinda. Que, inclusive, se torna um buff que aumenta a determinação dos personagens do nosso time. Felizmente, temos tempo de sobra no jogo para conquistar as áreas sem nos preocuparmos em ser dizimados por calamidades e outras coisas agradáveis do tipo.

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Um ponto surpreendente é como podemos moldar a história do nosso personagem e do mundo. Fazemos escolhas que definem como nosso avatar reagiu às campanhas de guerra, como lidamos com as duas facções que compõem o exército de Kyros e outras coisas mais. Tudo isso impacta diretamente em como as coisas acontecem, além das nossas relações com os diversos grupos e personagens do mundo.

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Grande parte dos cenários são desolados e devastados. Viver em um mundo dominado por ditadores é uma droga. (Fonte: Divulgação)

O peso das escolhas

Eu fiquei maravilhado quando um inimigo se dirigiu a mim como queenslayer. Não pelo título, mas pelo jogo colocar isso devido à uma escolha que fiz enquanto selecionava as opções que montavam minha história, como falei na seção anterior. Uma delas era referente ao que eu faria com uma rainha que me desafiara. Muitos jogos simplesmente colocariam um NPC para citar o fato mais a frente e pronto. Mas Tyranny transformou em um ponto central do meu “herói”, que o fazia ser temido, amado e odiado por muitos. Eu realmente me senti importante na hora, e como se aquele mundo realmente fosse moldado por minhas ações.

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Tudo que fazemos tem um impacto visível na trama e no cenário. Temos uma barra de reputação para cada personagem, aliado ou não, e para facções. Isso não é nada de novo em jogos da Obsidian, vide Fallout: New Vegas. Mas ele é tão bem implementado que merece uma citação honrosa. Além de ditar como certas pessoas reagem a nossa presença, esse sistema ainda dá skills exclusivas para cada um dos grupos que lidamos e aliados que temos. Por exemplo, ter um favor alto com um certo companheiro nos garante habilidades de cura. Mas ter a raiva dele garante um skill de dano considerável.

Isso é algo novo para mim, e dá uma renovada nesse conceito que, embora não muito empregado, vem sendo usado em RPGs por alguns anos. Além disso, ajuda a reforçar como tudo que fazemos é levado em conta e impacta o mundo ao nosso redor.

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Esse cara me odeia. Mas, pelo menos, me ensinou a mandar bolas de fogo. (Fonte: Reprodução)

Enxutinho

Tyranny é construído com base na Infinity Engine, mesmo sistema usado para criar o jogo Pillars of Eternity. Portanto, visualmente e mecanicamente falando, ele lembra muito do título. Isso não é algo ruim, mas não espere nada muito diferente aqui.

Mas, mesmo assim, o jogo é bem feito e animado. Alguns cenários são muito bonitos, expansivos e com muitas camadas diferentes. Além disso, contamos com dublagens em certas partes da história! Não ocorre sempre, mas é um bom toque.

Além disso, percebemos que o jogo é bem enxuto. Ele não demora a entrar na ação, nem a nos colocar em combates e situações tensas. Além disso, o mapa é bem menor e tudo é simplificado. Por exemplo, as enciclopédias são ativadas nos próprios balões de textos, bastando que pousemos o cursor em cima das palavras chave. Isso é uma mão na roda, principalmente quando temos tantos fatos e acontecimentos.

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O único negativo disso é que alguns personagens, embora muito bem escritos, não são tão bem explorados quanto eu gostaria. E o jogo tem uma parte final meio corrida e um final pouco conclusivo. Não é o fim do mundo, mas uma história tão bem montada merecia um desenvolvimento mais calmo.

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E aí, o que você vai fazer? (Fonte: Divulgação)

Só mais um tijolo na parede

Geralmente, o mal em jogos nunca é representado de uma maneira muito pertinente. Muitas vezes os vilões tem motivos genéricos como destruir o mundo, ou fazem maldades simplesmente por fazer. E, quando podemos ser os caras maus, somos colocados frente à escolhas binárias e que forçam a barra. Coisas tipo: você vê um gatinho. Ele é bonitinho. A escolha boa é dar carinho e alimentá-lo. A má? EXPLODA O BICHANO COM UM CANHÃO!

Um dos poucos jogos que mostra escolhas ruins com uma nuance maior, que eu conheço pelo menos, é Infamous. O primeiro jogo nos mostra que, as vezes, não ser heroico é apenas pensar em si mesmo em detrimento de outras pessoas. Tyranny vai pelo mesmo caminho.

Aqui, não somos vilões apenas por ser. Pelo contrário, somos mais uma parte na máquina de conquista e opressão de Kyros. Fazendo um paralelo, é como se fossemos oficiais em um exército fascista. Muitas vezes, não decidimos nem definimos as ordens. Apenas devemos cumpri-las. Podemos nos virar contra nossos mestres, mas isso é difícil e vai contra nossa natureza. O jogo dá essa opção também, e ela tem uma parte na hora de definir qual dos três finais iremos receber.

Batendo de frente

O combate em Tyranny é funcional, e dentro do que eu esperava em jogos do gênero. Temos um esquema de criação de personagem e habilidades bom, e bastantes classes de armas. Algo novo é que há um foco bem grande em habilidades, tempo de recarga e ataques em equipe.

Por exemplo, meu personagem lutava com os punhos. Em um combo, eu atirava uma arqueira para cima e ela sapecava os inimigos com flechas do alto. Em outro, meu healer me curava enquanto eu dava um ataque ou focava minha energia para amplificar a cura recebida. Isso deixa as lutas bem mais dinâmicas e frenéticas. Elas tendem a ser mais difíceis no começo, quando somos fracos. Mas ficam bem mais fáceis para o final.

O jogo é bom para os magos, também. Temos várias magias, e podemos criar novas com base em sigils, palavras e runas que mudam os efeitos e área de dano de cada mágica do jogo. Isso, claro, se tivermos um personagem com conhecimento e habilidade suficiente para criar essas combinações. O meu era ótimo quando o negócio era quebrar os outros no tapa. Na hora de ler runas e livros? Nem tanto. Felizmente, temos alguns membros da nossa equipe que podem fazer isso por nós.

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Customizar magias e ver os combos em ação são pontos altos do jogo. (Fonte: Divulgação)

Executando

Tyranny é mais uma das provas cabais que a Obsidian entende, e muito, de RPGs. A gama de escolhas e ramificações de nossas ações é enorme, e o escopo é diferente de tudo que vemos no gênero. Além disso, é uma das poucas representações de maldade que sai do lugar comum e mostra que ser mal não é simplesmente matar os outros só por diversão. Mas sim que um mal institucionalizado, com hierarquias e planejamento realmente tem o poder de conquistar o mundo.

O jogo tem alguns deslizes. Como sempre em games do tipo, temos textos demais, que podem se tornar cansativos e confusos com o tempo. Os lembretes constantes ajudam a lembrar quem é quem, mas ainda assim é um volume muito grande de informação para ler e lembrar. Temos muita repetição nos inimigos, e o fim do jogo é meio corrido e aberto demais. Além disso, não temos textos em português, o que dificulta a vida de quem não domina a língua inglesa.

Mas, tudo considerado, o jogo é uma delícia. Não só pela história e por como ela se ajusta ao nosso estilo, mas também em como ele tem uma vida útil considerável. Podemos jogar várias vezes e não passar pelas mesmas situações. Tudo depende de como criarmos nossa backstory e como interpretamos nosso fatebinder.

No fim das contas, no mundo de Tyranny, ser mal compensa. Quer saber outra coisa que compensa? Apreciar essa obra prima. Se você é fã de jogos isométricos, RPGs ou de ser um cara mal, então dê uma chance para esse jogo aqui. Não irá se arrepender, eu garanto.

Tyranny, por enquanto, é exclusivo de PCs e pode ser adquirido na Steam com versões a partir de R$ 118,99.

Nota ótimo

 *Cópia fornecida pela desenvolvedora.

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