Transference é um daqueles jogos que são melhores se você pegar sem saber nada sobre ele. Sendo assim, não vou abordar consequências narrativas, e sim, tentarei te dar uma boa ideia de como a experiência se soma como um todo.

Transference é um game de horror da Ubisoft, em parceria com a Spectrevision, lançado para PlayStation 4, Xbox One e PC. Embora esteja em diversas plataformas, ele foi criado levando em conta tecnologias de realidade virtual – para essa análise, usamos o PlayStation VR. Uma curiosidade: o game conta com Elijah Wood, de Senhor dos Anéis, como diretor artístico. O que ele trouxe para nós?

Algo de horrível aconteceu na casa dos Hayes. Por mais que Raymond Hayes pareça ser um cientista brilhante – seu trabalho obsessivo afasta sua família e acaba com ele preso em uma simulação quebrada, cheia de memórias familiares que você explora no jogo.

Em um discurso de abertura de Hayes, é explicado que estamos prestes a experimentar as mentes coletivas e pensamentos de si mesmo, sua esposa e filho, através de uma recriação virtual de seu próprio apartamento. Lá dentro, você aprenderá sobre a transformação de Raymond da figura paterna em um monstro.

Transference
Foto: Divulgação

Temas adultos cercam a narrativa

Lidando com temas como abuso infantil e problemas conjugais, Transference pega pesado. Apesar da natureza do jogo ser sobrenatural, essas são questões que são um grande problema no mundo real, e você testemunhará o efeito que elas podem ter sobre suas vítimas.

Entre os ambientes que estão sempre em mudança, os tons de fundo sinistros que são cortados por vozes angustiadas, os itens que você pega e os vídeos que você pode coletar e assistir, fica óbvio que a família de Raymond estava em crise, e que Raymond chegou a acreditar que seu trabalho era a única maneira de voltar a tempos mais felizes. Porém, o que acontece é justamente o contrário, e suas ações e crescente loucura apenas os fazem se afastar ainda mais.

Uma experiência em realidade virtual

Como um todo, o jogo funciona bem no PlayStation VR, embora alguns tenha alguns poucos bugs. O único problema é quando você precisa pegar itens para verificá-los: a ação é um pouco trabalhosa no VR, e como você precisa fazê-la o tempo todo, acaba por se tornar um pouco cansativo. Se você jogar fora do VR, consegue contornar esse problema, mas acaba completamente com a atmosfera perturbadora do jogo, o que acaba com sua graça.

O horror em Transference permanece firmemente dentro dos domínios psicológicos. Um monstro brilhante pixelado aparece de vez em quando, deslizando pelos corredores para pegá-lo, mas esses são eventos roteirizados projetados para sinalizar o fim de uma seção e levá-lo para a próxima. Assim que percebi que não estava realmente em perigo, o efeito diminuiu, relaxei e só assisti as sequências.

Transference
Foto: Divulgação

Transference cria uma atmosfera e experimenta muitas coisas, como um bom indie precisa fazer. Jogos desse tipo também costumam ser curtos devido ao orçamento, mas mesmo assim o game deixa um pouco a desejar nesse quesito: a duração é de umas 2 a 3 horas. De acordo com a Ubisoft, a ideia era essa mesmo: fazer um uma experiência como se fosse um grande filme. Como o valor do game em dinheiro fica bem abaixo de um AAA, nenhum jogador se sentirá lesado. Os speedrunners que me desculpem, mas ainda tenho certa estranheza ao começar um jogo após o café da manhã e terminá-lo antes do almoço.

Um bom thriller

Tranference pode se orgulhar de uma apresentação atraente que mescla ficção e realidade, entrando fundo na mente de um homem perturbado. Além disso, a sensação de inquietação aumenta ainda mais com um ótimo áudio e dublagem. Sussurros em seus ouvidos causam arrepios na espinha, enquanto peças musicais selecionadas aumentam o suspense à medida que você vira todos os cantos.

Se você curte um bom thriller, Transference não vai decepcionar. Tenha consciência de que essa crítica foi feita jogando em um óculos de realidade virtual, onde fortemente recomendo que o jogo seja jogado, pois muito do impacto visual e atmosfera vão se perder na tela comum.

Nota ótimo

Transference está disponível para PlayStation 4, compatível com o PS VR, por R$ 76,90. A versão para PC, via Steam, compatível com o Oculus RIFT e o HTC Vive, saem por R$ 79,99. Já no Xbox One, sem realidade virtual, o game é encontrado por R$ 59,00.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.