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Sunset Overdrive | Se correr o bicho pega…

É difícil apontar um jogo parecido que combine os elementos visuais e um gameplay tão bem-acabado

“Não posso parar agora!” é a primeira fala do personagem em Sunset Overdrive enquanto tenta escapar de estranhos zumbis laranjas. É melhor levar a ideia de continuar sempre em movimento bem a sério, já que ela será sua melhor aliada em Sunset City. A bizarra aventura em mundo aberto é resultado da parceria entre Insomniac Games e Microsoft Studios na busca por mais títulos exclusivos na biblioteca do Xbox One. Acontece que, quatro anos depois do lançamento, em novembro de 2018, o jogo acabou chegando também para PC.

E será que ainda vale a pena jogar Sunset Overdrive? E quais são as principais diferenças entre a versão do Xbox One e a versão para computadores? Confira a análise do Jornada Geek e descubra agora!

O elefante na sala: versão no PC

Se a perda da exclusividade incomoda os fãs do Xbox um pouco, imagine quando boa parte deles espera por uma continuação e não escuta mais falar da marca! Antes do lançamento da versão para PC, a Insomniac Games já havia deixado claro que não tinha como turbinar Sunset Overdrive para o Xbox One X. Além disso, existe um impasse na questão dos direitos e de uma possível sequência: enquanto a propriedade intelectual Sunset Overdrive pertence à Insomniac, todos os direitos de publicação pertencem à Microsoft, exceto aqueles de mídia física para PC, que foram repassados para a THQ Nordic.

Mesmo assim, o lançamento para Windows 10 e Steam não caiu como uma bomba, pois o nome Sunset Overdrive já havia surgido em listas –  entre um vazamento e outro – para PC desde o início de 2018. A versão é um bom port, deixando pouca margem de configuração para o jogador. Se você tiver uma boa máquina, será possível curti-lo em resolução 4K, 16:9 (nada de 21:9), e escolher entre 30 e 60 quadros por segundo (ou destravar o limite de uma vez, alcançando até 120 fps, instáveis).

Sunset Overdrive
Regra-geral de Sunset City: o chão é lava! (Foto: Reprodução)

Além disso, efeitos como bloom, distância, motion blur, SSAO, granulado cinematográfico e névoa só podem ser ligados ou desligados, sem configurações intermediárias. A recomendação é manter todos ativos, claro, já que os visuais de Sunset Overdrive são boa parte de seus principais atrativos (falaremos mais adiante). Outra novidade é o suporte para teclado e mouse, provavelmente para aqueles que contam apenas com estes periféricos, pois o ideal ainda é jogar com um controle.

Finalmente, se, por um lado, esta versão foi contemplada com a inclusão das duas expansões, Sunset Overdrive e o Mistério da Plataforma Mooil! e Sunset Overdrive e o Amanhecer da Ascensão das Máquinas Caídas, trazendo duas novas histórias com mais missões, armas e itens, por outro, o divertido e caótico multiplayer cooperativo (Chaos Squad) ficou de fora. Donos da versão digital não contam com o recurso Play Anywhere.

Sunset Overdrive
Explosões são comuns em Sunset Overdrive (Foto: Divulgação)

Bom gameplay é como um bom vinho, envelhece bem

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Overdrive, no inglês, significa sobrecarga. E é essa a primeira impressão para praticamente tudo em Sunset Overdrive: super-estímulo. Os visuais são extremamente coloridos e saturados, com partículas voando alucinadamente pela tela, efeitos de explosões de combustão e de líquidos por todas as direções, riffs acelerados e distorcidos, inimigos saindo de bueiros, portas, garagens, veículos… As cores saltam aos olhos e quebram a tendência (que já perdura mais do que deveria) de gráficos sombrios ou sujos dos games de ação, deixando o jogo em posição de destaque. As animações também sobreviveram bem ao tempo e são de alta qualidade.

A jogabilidade está no mesmo patamar de refino, apesar de complexa. A mecânica de movimentação transversal, como ficou conhecida, consiste em deslizar, com os pés ou com o auxílio de um pé-de-cabra, sobre fios, cercas, muros, e conectar o combo de movimento ao quicar em barracas, colchões e outros elementos espalhados pela cidade. À medida que o jogador aprende como deve controlar seu personagem e a velocidade, as chances de permanecer vivo neste apocalipse zumbi tornam-se maiores. A curva de aprendizado é íngreme, já que são inúmeros controles para situações distintas, mas nada intransponível, vale muito a pena e é divertidíssimo quando se pega o jeito.

Sunset Overdrive
Cenários coloridos dão a tônica do game (Foto: Divulgação)

Atirar adiciona mais uma função à rotina. As armas sobem de nível ao matar inimigos e podem ter itens acoplados, chamados Amps, que lhes dão poderes ou características específicas, como disparar foguetes extras ou tiros incendiários. O grande mundo aberto que é Sunset City deixa o jogador disparar sobre trilhos para todos os lados enquanto passeia numa montanha-russa.

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Ainda restam os colecionáveis. Pelo menos não se trata de uma mera lista de checagem: balões Fizzie, papel higiênico, celulares, câmeras de segurança, tênis nos fios de alta tensão, binóculos, pichar os outdoors da corporação responsável pelo desastre, todos podem ser utilizados como moeda para comprar novos Amps. Coletar cada um deles requer uma estratégia específica, já que a maioria exige sair do ponto A e chegar ao ponto B com observação do ambiente e um pouco de esforço. A inspiração vinda de jogos como Jet Set Radio (2000) fica clara, com a diferença que Sunset Overdrive tem uma atitude mais punk-rock.

Sunset Overdrive | Se correr o bicho pega...
O controle ainda é o melhor jeito para se jogar, mesmo no PC (Foto: Reprodução)

Finalmente, tanto as missões principais quanto as opcionais não fogem muito da estrutura comum aos mundos abertos: um personagem precisa de algo, você é o salvador da pátria que vai buscar tal coisa do outro lado do mapa e retorna, talvez com uma troca de tiros no meio. Entretanto, são bem-feitas e mantêm o ritmo até os créditos subirem. As missões paralelas são importantes, eu recomendaria jogá-las sempre que possível – são aquelas com ícones azuis pelo mapa – pois são elas que melhoram suas habilidades e Amps.

Escrita com defeito de fábrica

A bagunça toda começa certa noite, durante uma rave, graças à bebida energética contaminada, OverCharge Delirium XT, que transforma todos seus jovens apreciadores em diferentes tipos de zumbis. A Fizzco, empresa que a produz, faz o estilo mega-corporação-maligna e é dona de toda a cidade, tendo um exército de robôs assassinos. O herói – ou heroína – pode ser personalizado e vive de um subemprego até o momento da catástrofe apocalíptica. A partir daí é necessário reunir gênios, mercenários, hipsters e nerds na tentativa de encontrar uma saída da infestada Sunset City. Com essa premissa, a campanha dura cerca de 30 horas, misturando todos os clichês possíveis dos videogames e dos filmes de ação, numa jornada cheia de referências à cultura pop e aos filmes dos anos 80 e 90.

Sunset Overdrive
A Fizzco é a responsável pelos cenários catastróficos do game (Foto: Divulgação)

Enquanto a trama maior parece seguir os passos de A Noite dos Mortos-Vivos, ensaiando uma sátira contra a futilidade e o consumismo, os roteiristas do game se perderam na infantilidade, no excesso de humor bobo e no apontar, a todo instante, “que tudo é possível porque se trata de um jogo” – como se estivessem forçado a barra para agradar, sem se lembrar que, quando uma piada precisa ser explicada, ela perde a graça. Um exemplo desse flerte com uma crítica mais profunda, perdida, é o apelido da bebida: OD, que em inglês seria o equivalente a dizer overdose, mas todos bebem irresponsavelmente aos montes. A atitude punk do herói, antissistema, também ajuda para essa impressão, mas não se desenvolve.

A história incomoda por não atingir seu potencial, acaba servindo só como fio condutor vazio, e compromete outro aspecto: o game tem ciência de sua própria existência como game e constantemente satiriza o próprio Sunset Overdrive. Praticamente todas as falas dos personagens começam ou terminam com um deles rompendo a quarta parede (sua tela), contudo, nenhuma delas chega perto do melhor estilo Deadpool. As guitarras frenéticas ficam cansativas depois de algum tempo, principalmente uma música sobre diarreia, e a sensação é de se estar ouvindo repetidamente as batalhas das bandas de Scott Pilgrim contra o Mundo. Pode funcionar no filme, não quando passamos mais de 2 horas…

Sunset Overdrive | Se correr o bicho pega...
Apesar das referências, o jogo não consegue voltar no tempo e mudar roteiristas (Foto: Reprodução)

Veredito

Apesar do excesso na zoeira (é, pelo visto tem limite) e da música repetitiva, Sunset Overdrive merece ser jogado pelo menos uma vez, pois se destaca, mesmo quatro anos depois, entre tantos jogos por aí. É difícil apontar um jogo parecido que combine os elementos visuais e o gameplay tão bem-acabado. Mesmo sem multiplayer, a chegada do game aos PCs é importante para que mais jogadores tenham chance de experimentá-lo e, quem sabe, para impulsionar uma continuação.

Nota ótimo
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Sunset Overdrive está disponível em formato físico e digital para PCs em uma única versão com as expansões. Custa R$ 38,98 tanto pela loja do Windows 10 quanto pelo Steam, totalmente em português. No Xbox One é possível comprar o jogo-base, por R$ 99,00, ou a Edição Deluxe, com todo o conteúdo, por R$ 149,00. As expansões podem ser adquiridas separadamente e os preços podem variar a depender dos descontos oferecidos para assinantes da Live.

*Review elaborado usando a versão de PC do jogo. Cópia fornecida pela THQ Nordic.

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