A série Stranger Things, da Netflix, é um fenômeno pop que dispensa apresentações. Se você chegou até aqui, ou já acompanha o Jornada Geek, faz ideia do que falamos. E, como todo produto pop, ele necessita de transcender sua mídia original e avançar por outras frentes. É comum, é mercadológico e faz total sentido. Por isso a Netflix concedeu à BonusXP o direito de produzir o game da nova temporada da aguardada série, e o guardou em sete chaves, afinal, Stranger Things 3: The Game foi inteiramente baseado na temporada e contém praticamente todo o roteiro da produção. Então, se você ainda não viu, é bom parar por aqui!

Por outro lado, são vários os casos de fracassos de games que não foram tão bem representados como o seu produto original. Felizmente, este não é o caso aqui e os fãs de jogos retrô – e de Stranger Things – terão mais algumas horas para aproveitar as aventuras de Eleven, Mike e cia!

A história fiel

Stranger Things 3: The Game é um jogo que contém toda a terceira temporada, com muitos dos diálogos e das cenas mais importantes estando presente no título. Embora eu não vá dá spoilers, é bem legal como toda a estrutura do jogo foi baseada na atual temporada, desde a divisão dos capítulos, as roupas e até a representatividade das armas que eventualmente os personagens usam (ou usaram em algum momento até aqui). Tudo pensado com muito cuidado.

E isso foi bem explorado. Na série, muitos dos capítulos terminam com momentos tensos, algo que foi bem explorado aqui, transformando-os em chefes. É uma estratégia de gamificação, afinal, é tudo inspirado nos jogos dos anos 80/90!

Stranger Things 3: The Game
Eleven pode atacar vários inimigos de uma vez, mas não é tão poderosa como na série (Foto: Divulgação)

Inspiração retrô, jogo atual

Se você chegou aqui pensando em ver um título com gráficos modernos, provavelmente você não é tão fã de Stranger Things assim. A BonusXP, que assina seu segundo jogo da franquia, utilizou de diversos elementos que foram bastante usados e explorados no fim do século passado para criar um ambiente divertido, aconchegante e nostálgico.

Ao enfrentar batalhas, me lembrei de jogos beat ‘em up, guardadas as devidas proporções da câmera, que é em visão isométrica. Ao explorar os mapas que remetem diretamente à Hawkins da série, vamos coletando itens e dinheiro ao derrotar inimigos, sejam eles monstros ou humanos. Até um certo exagero, é verdade, mas eu relevei em torno da “licença poética”.

Stranger Things 3: The Game
Mike e Lucas são os personagens iniciais (Foto: Divulgação)

Como dito acima, o jogo é dividido em capítulos, assim como os episódios da série. E em cada capítulo, devemos cumprir determinadas missões. No entanto, temos total liberdade para escolher o momento que vamos fazê-las, podendo explorar as partes já abertas do mapa para encontrar colecionáveis e melhorar o nível dos personagens.

Por falar em personagem, você terá acesso a Mike e Lucas no começo, liberando os restantes conforme avança na história. E cada um chega com uma característica “à lá metrodvania“, que permite explorar uma parte diferente do cenário após serem liberados. Para ajudar, o jogo todo possui legendas em português brasileiro!

Stranger Things 3: The Game
O Starcourt Mall é uma das áreas de exploração do game (Foto: Divulgação)

Demogorgons à solta

Embora seja nítido o carinho que a BonusXP teve com toda a caracterização de Stranger Things 3: The Game, não podemos relevar algumas das falhas mais evidentes do jogo. Como você utiliza dois personagens por vez, ao jogar sozinho, o segundo é controlado pela máquina e isso o torna praticamente inútil. Embora eles fiquem consideravelmente mais resistentes a porrada, a IA ataca qualquer inimigo avistado. Isso vai te colocar em constante combate, quando muitas vezes, a opção mais sensata seria atravessar o mapa e deixar os inimigos à ver navios. O lado bom é que isso pode ser contornado ao jogar com um amigo, já que o título tem suporte para co-op local.

Os inimigos são outros dos problemas. Eles são burros e lentos, demorando muito tempo pra atacar. Após algum tempo de jogatina, você vai conseguir identificar claramente os golpes e como cada um vai te atacar, se preparando até mesmo para desviar de balas! Eu sei que Stranger Things é algo para ser surreal, mas aqui, a barra foi forçada.

Stranger Things 3: The Game
Hopper e Joyce fazem uma poderosa dupla de personagens (Foto: Divulgação)

Além disso, uma super produção técnica como é a série de TV, poderia ter emprestado algumas de suas músicas para a trilha sonora do game. Ela é chata e extremamente repetitiva, e depois de um tempo é bem provável que você opte por colocar um Spotify por cima do jogo.

Por fim, por falar em chatice, as dungeons do meio ao final do jogo são enormes e desproporcionais ao que o game se propõe. No começo é interessante, até porque você explora alguns locais icônicos da série, como o Bosque de Hopper e a Piscina de Hawkins, mas quando você vai chegando ao final do jogo, tudo é tão grande que fica bastante enjoativo – e você está louco para terminar com as mais de 8 horas de gameplay.

Veredito

Stranger Things 3: The Game é o que eu considero um fan service. Não é muito bom, tem falhas que podem ser bem irritantes, mas quem gosta da série de TV e se propõe a jogar, é bem capaz de terminar para reviver a história.

Stranger Things 3: The Game | De volta aos anos 80 1

Lançado no dia 4 de julho, junto com a terceira temporada da série, Stranger Things 3: The Game está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, PC e MacOS, via Steam, e Xbox One, com o preço variando de acordo com a plataforma. No Metacritic, a versão avaliada teve média de 57 pontos.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.

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