Shining Resonance Refrain é o mais novo RPG da SEGA a chegar à nova geração de videogames. O game foi lançado em 2014 para PlayStation 3, mas nunca chegou ao ocidente. O jogo é um JRPG (Japanese Role Playing Game), um gênero carregado de títulos, mas que por muitas vezes brilha apenas em seu país de origem. Depois de tantos anos de esquecimento, hoje vemos um esforço para trazer jogos populares no Japão para o ocidente, e os fãs de JRPGs ficarão bastante satisfeitos com mais esse título.

Os JRPGs são um tipo especial de jogos. Afinal trata-se de um gênero dentro de um gênero, um nicho dentro de um nicho. É uma categoria com uma forte base de fãs que segue firme a mais de 30 anos, se contarmos The Legend of Zelda, de 1986, como o precursor do movimento (não é o exemplo que mais representa o gênero hoje em dia, mas sem dúvida é um dos mais maiores).

A geração passada viu uma certa queda de títulos do gênero, mas eles voltaram com tudo nos novos consoles. Shining Resonance Refrain é um clássico JPRG, aposta alto no gênero, e não tem vergonha de procurar inspirações em animes, mangás e visual novels.

JRPG tradicional modernizado

A primeira coisa que você vai perceber em Shining Resonance Refrain é que ele não traz novas cartas para a mesa. Ao invés disso, o game aposta em seu visual e estrutura clássica de jogos do gênero para atrair fãs, o que faz bastante sentido: como existiram poucas opções de JRPGs no mercado na geração passada, quem curte o estilo vai ficar muito agradado em encontrar tudo o que gostava exatamente no mesmo lugar.

Tanto em sua jogabilidade quanto em sua narrativa, o jogo raramente te surpreende. O combate acontece em movimento livre ao invés de turnos, uma mudança que já foi adotada como padrão pelo gênero há quase uma década. Equipamentos melhores trazem mais defesa e mais ataque, enquanto magias e movimentos melhores são mais fortes e eficientes.

Shining Resonance Refrain personagens
Foto: Divulgação

Você sente a nostalgia

A história também é clássica, tanto para bem quanto para mal: dois reinos em guerra, um exército invasor, um vilão controlando tudo por debaixo dos panos. Para impedir uma tragédia sem escala e trazer a paz, um jovem comum surge como o herói predestinado.

Com tudo isso dito, parece não haver muitos motivos para se aventurar pelo reino de Astoria, onde o game se passa. Mesmo assim, desenvolvedores não são pagos para copiar e colar. Essa é a principal diferença em usar elementos tradicionais para um título e só fazer pegar o anterior e mudar a roupagem. Shining Resonance Refrain faz o melhor que pode para inserir novas mecânicas e manter o jogador interessado, mesmo quando o jogo segue as decisões mais seguras possíveis.

Você é o Shining Dragon

O game segue a história de Yuma Ilburn, um jovem comum que descobre ser detentor do espírito do Shining Dragon, um poderoso dragão ancião que morreu em uma grande guerra eras atrás. Possuir o espírito do Shining Dragon significa evocá-lo e controlá-lo livremente, o que faz Yuma ser atraído para o centro conflito entre Astoria e o Império (sim, o reino inimigo é chamado de Império pela enésima vez).

Com um enredo simples, o foco fica por conta dos personagens, suas personalidades e relacionamentos. Aqui Shining Resonance Refrain traz novidades com um sistema de progressão de relacionamentos, chamado Bonding. Além de Yuma você controla outros personagens que lutam juntos com ele, e você pode conversar com esse personagens no tempo livre, os conhecendo melhor, criando amizades e até romances.

Nesse ponto o jogo importa muitos elementos de visual novels e animes. Como você já deve ter imaginado, o grupo é composto por muitas meninas. E eventualmente todas elas caem de amores por Yuma, algumas à primeira vista, outras com o tempo e muito papo nos acampamentos.

É injusto dizer que esse seja um recurso abusado apenas pela indústria japonesa: criar um protagonista sem defeitos, de personalidade bastante comum mas que conquista a todos. Esses elementos e o fato de o tempo todo você se sentir na pele desse protagonista fazem parecer que toda aquela fantasia acontece com você. Se você parar para pensar, já leu algum livro, viu algum filme ou jogou algum outro jogo que apela para isso.

Shining Resonance Refrain Jogabilidade
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Então temos um jovem herói que salva o mundo e anda por aí com várias meninas atrás suspirando. Outra coisa: o modo de romance acontece em primeira pessoa, fazendo (intencionalmente) parecer que as garotas estão falando com você e não com Yuma. Os personagens masculinos também estão disponíveis no modo, mas ao invés de declararem seu amor por Yuma eles criam um verdadeiro bromance.

Apesar de não haver uma clara possibilidade de romance com os personagens masculinos, várias “indiretas” acontecem, além de situações que faz com que Yuma e seu amigo pareçam um casal o tempo todo. Quem gosta de Yaoi (gênero de mangá que foca no romance entre meninos) deve ficar satisfeito.

O sistema de relacionamento funciona

Progredir seus relacionamentos enquanto passa pelo jogo é surpreendentemente divertido. Eles acrescentam muito conteúdo ao game e enriquecem a experiência. As histórias entre o grupo e Yuma são bem feitas, e quando você está cansado de explorar as dungeons do jogo, o sistema é uma excelente forma de alívio.

É claro que, como dito antes, as relações entre os personagens mantém a mesma fórmula que animes e mangás: romances inocentes com adolescentes andando de mãos dadas e amizades eternas que superam todos os obstáculos.

Shining Resonance Refrain Review
Foto: Divulgação

A série Shining tem tido as possibilidades de romance como uma das marcas do jogo, lembrando um pouco o que acontece com Persona. Os personagens não são tão desenvolvidos como na série da Atlus, onde possuem arcos inteiros de história para serem explorados, mas são até satisfatórios. Ao conhecer melhor cada um deles, você acaba criando um envolvimento e passa a se importar com o que acontece no jogo.

Mesmo quem não gosta de visual novels e simuladores de encontro consegue se entreter com esses eventos apenas para conhecer melhor o grupo.

Veredito

Para os fãs de JRPG, Shining Resonance Refrain é uma boa pedida. Para quem ainda não está acostumado com o gênero, pode não ser a melhor porta de entrada, pois é um jogo que foi feito pensando naquilo que os jogadores desse nicho mais gostam. Para finalizar, quem detesta animes e mangás deve passar longe do título, pois ele bebe diretamente dessas fontes.

Apesar de não ser um que acrescente muito coisa ao que já exite, é um título robusto para os JRPGs da nova geração. Quem curte vai jogar até o final e se divertir com as mecânicas de jogo, apesar do combate ficar um pouco repetitivo (um problema comum em muitos RPGs) do meio para o final da jornada.

Nota bom

Shining Resonance Refrain está disponível para PlayStation 4Nintendo SwitchXbox One e PC, via Steam. No Metacritic, o game teve média de 67 pontos na versão avaliada.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.