Entra ano, sai ano, sempre temos uma “nova” edição de FIFA. Agora é a vez de FIFA 20. Mais incrível ainda é ver como a Electronics Arts lucra absurdamente com a franquia. Para se ter uma ideia, somente no último ano fiscal, foram cerca US$ 3,722 bilhões, com mais de 45 milhões de jogadores envolvidos com FIFA 19 e FIFA 18.

Mas a cada nova versão, os jogadores seguem divididos: uns criticam, outros adoram, e outros ficam no meio termo, batendo, mas jogando – e isso talvez aconteça por faltar um concorrente à altura (ou a comunidade ignorar completamente o Pro Evolution Soccer). Enfim, certamente você chegou até aqui curioso pra saber nossas impressões sobre FIFA 20, não é mesmo? Então saca só nossas impressões em mais uma review do Jornada Geek!

O que há de mais novo em campo?

Pois bem, antes de mais nada, não há como não começar essa crítica sem falar da principal novidade do FIFA 20, o Volta, que traz de volta o que já foi visto em FIFA Street. Aqui, você pode assumir um Modo História (ou The Journey) interessante, fazendo parte de uma equipe de futebol freestyle que rodará o mundo mostrando suas habilidades. Nesse aspecto, você poderá escolher dentre vários personagens (enfatizando aqui a bola cheia da EA em introduzir mulheres no universo FIFA para além das poucas seleções femininas).

Feito isso, é aprender a driblar e a conseguir acertar o gol, seja contra a máquina ou seus amigos. O modo é divertido, de fato, sobretudo ao dividir a tela com até quatro pessoas, algo que garante boas risadas. Mas… existem algumas questões a serem tratadas. O Volta, pelo menos pra mim, não foi tão incrível quanto eu imaginei que poderia ser.

FIFA 20
O Volta é a grande novidade de FIFA 20. (Foto: Divulgação)

Acho que por ser a primeira versão, certas coisas ainda mudarão. Mas por enquanto, senti que deixou um pouco a desejar. Há também algumas repetições no Modo História em que os personagens rivais são os mesmos que você utiliza. Não sei se faltou tempo ou criatividade (ou se isso já foi identificado como erro), mas é algo negativo que deve ser ressaltado.

Enfim, fazendo o “advogado do Diabo” aqui, é legal de se ressaltar, que mesmo não sendo o esperado, o Volta proporciona uma nova forma de se jogar FIFA. E assim, assumindo o modo mais “arcade” da coisa, pode se tornar, a longo prazo, um novo vício da comunidade. Mas isso somente o futuro dirá.

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O modo The Journey traz um novo pano de fundo. (Foto: Reprodução)

O famigerado Ultimate Team e a jogabilidade em geral

Vocês podem estranhar o subtítulo, mas abordarei duas questões extremamente relacionadas e que poucas pessoas percebem. Vamos lá… Como se sabe, o FIFA 20 continua com a fórmula de sucesso dos últimos anos com o Ultimate Team (a galinha dos ovos de ouro da EA) e suas cartas absurdamente velozes. E, no geral, a fórmula de premiações e disputas segue o que já era visto na versão do ano anterior.

E aqui entra uma questão que, LITERALMENTE, arranca os cabelos dos mais viciados: a jogabilidade. Sim, entre o modo contra outro jogador local e uma disputa no Ultimate Team há sim uma gritante diferença na gameplay. E sobre isso, a EA não especifica tal como no Madden ou no NHL em que se tem três divisões de como jogar, sendo um modo voltado para a simulação, outro para arcade, sem compromisso, e um modo competitivo. No FIFA não. Há o Ultimate Team e os outros modos, como se não houvesse diferença entre eles.

FIFA 20 | Dividindo opiniões 1
A atmosfera que eu havia dito aí… (Foto: Reprodução)

Todo mundo que já jogou o Ultimate sabe da correria que é. Inclusive, quem nunca tomou um gol do Musa aos 45 minutos do segundo tempo? Pois é, percebe-se claramente que a jogabilidade conta com modificações além dos boosts que os jogadores que vão bem na temporada recebem em cartas mais raras ou os Icons, que são as maiores lendas do futebol mundial. Para alguns, isso é um problema. Para outros, segue o jogo (ou simplesmente pula fora dessa pilha de estresse). Sinceramente, não há nada de errado na EA em fazer isso, embora tudo isso deixe a gente extremamente irritado. Portanto, a “raiva” do Ultimate Team diz mais da gente e da nossa habilidade do que propriamente do jogo. Aliás, se não tiver curtindo o UT, jogue o Modo Carreira ou o Volta. Muito simples…

“Ah, mas você acha que não deve mudar nada!?”. Claro que acho que tem que mudar. Mas aí outra parte da comunidade vai reclamar horrores e bem, o Ultimate Team, como já dito, é o que de fato dá retorno para a EA e faz a fama do FIFA. Ou seja, se a comunidade gasta rios com isso, será mesmo que a EA vai olhar pra mim e dar alguma importância? É… não.

Pra mim, já avacalharam totalmente o sistema de batida de pênalti e falta, que era algo extremamente tradicional de todos os jogos de futebol. A gente cresce jogando, aprendendo e se aprimorando e aí, do nada, decidem colocar um monte de barra, circulo, puxa pra lá, pra cá… É complicado. Nesse ponto, sinceramente, o FIFA 20 não melhorou. Nesse caso em específico eu preferia a tradição.

Em time que tá ganhando se mexe sim, claro!

Outro ponto que merece atenção em FIFA 20 (embora a EA não se importe tanto, e a gente sabe) é o Modo Carreira, que agora conta com a escolha e a customização do técnico ou técnica que ficará na beira dos gramados. E não é só isso, além de você poder ir alterando alguns detalhes ao longo da temporada, você também terá alguns diálogos mais bem elaborados com os jogadores. É uma pena, mas em FIFA 20 ainda não é possível que você, o manda-chuva do time, puxe assunto com o plantel. De qualquer forma, é legal receber as boas vindas do capitão.

Mais um aspecto, esse que também foi um pouco reformulado é a moral do time e dos jogadores. Durante suas ações e resultados ao longo dos campeonatos, os jogadores responderão de diferentes maneiras. Por exemplo, caso você decida colocar um jogador parado há muito tempo no elenco à venda, ele pode se sentir feliz e agradecer. Através dessa situação, você tem três respostas, sendo uma negativa e duas leves, como forma de manter o clima apesar do interesse de venda. Essa é só uma questão que influencia o ânimo do time.

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Maior customização e a inclusão de mulheres é uma das novidades do Modo Carreira de FIFA 20. (Foto: Divulgação)

Outras partes que podem mexer com a cabeça da equipe são o tempo em que cada jogador permanece em campo, os resultados obtidos ao longo da temporada e a relação com o treinador e suas escolhas. É bem interessante ver como os jogadores reagem ao ver disputa de posição, por exemplo. Portanto, tudo deve ser pensado antes de negociar com outros times. Uma dica é sempre dar o papel certo no elenco na hora do contrato. Não pegue um segundo reserva e o coloque como jogador principal, senão o time pode balançar.

Ah, e por último mas não menos importante, você poderá participar de coletivas e responder diversas perguntas, saindo do modelo terrível que era adotado nas outras versões. Isso traz uma certa atmosfera necessária a um jogo em que você simula um treinador virtual. Portanto, adote seu estilo, pense bem nas respostas e se prepare para muitas perguntas!

Porém, a EA deu uma derrapada com o Modo Carreira, algo que gerou até a hashtag #FixCareerMode, que foi até Trending Topic do Twitter. Nessa onda de reclamação, descobriu-se que o FIFA 20 já estava com um problema em sua programação, algo que claramente foi notado – e que gerou essa confusão toda. Diante dessa situação me pergunto: como pode uma empresa não ligar para os seus clientes? Pois é, isso é um grande problema e a EA, depois de muita pressão, se comprometeu a resolver o problema, algo que eu mesmo pude testar.

FIFA 20
Está pronto pra encarar o público? (Foto: Divulgação)

FIFA 20: o veredito

Antes de cravar a opinião final, acho que vale a pena ressaltar um pouco algo que a comunidade sempre faz, que é a comparação entre FIFA e PES. Pois é, são os dois únicos jogos de futebol desse estilo e torna-se impossível não haver uma comparação – mesmo com os dois tendo em parte propostas diferentes. Nesse ano, tive oportunidade de jogar ambas as versões e a impressão que fica é a de que necessitamos urgentemente de uma terceira opção para tirar ambas empresas de um certo “conforto”. Aliás, digo mais isso pela parte da EA do que pela Konami, que vem tendo uma curva de crescimento melhor. Mas, por outro lado, pelo menos pra mim, perde novamente para o FIFA (que precisa de uns cascudos, é verdade).

Diante de todas as informações aqui colocadas, pense que apesar de todos pesares que nós jogadores sentimos ao jogar FIFA 20, ele ainda se sustenta como um jogo mais completo, sobretudo na questão de licenciamentos de times e ligas, enfatizando aqui os torneios europeus como a Champions League e a Europa League, que são, sem sombra de dúvidas, os melhores torneios do mundo. Mas essa hegemonia de licenças está sendo quebrada, o que pode comprometer a vida dos jogadores. Sim, a Konami, por exemplo, conseguiu a exclusividade de vários times relevantes no cenário mundial (a Juventus é um deles, que no FIFA 20 chama-se Piemonte Calcio).

Outro ponto que segue bem próximo da versão anterior é a questão gráfica. Sim, FIFA 20 não implementou nada de extraordinário e muito provavelmente só o fará na próxima geração. Mas, por outro lado, acrescentou um pouco mais de atmosfera nos estádios, algo que faz alguma diferença. Mais do que ver gol, a gente quer ver tudo no estilo!

Dentro do cenário da temporada 19/20, FIFA 20 tem o seu valor, mas com as ressalvas citadas ao longo da crítica. Infelizmente temos que aceitar que os jogos não nos agradarão 100%. Isso é frustrante, e por esse e outros motivos sigo com a meu desejo de que uma outra desenvolvedora concorra nesse meio. Mas, ainda assim, FIFA mantém sua superioridade, mas com uma curtíssima distância da concorrência. Abre o olho, EA!

FIFA 20 | Dividindo opiniões 2

FIFA 20 foi lançado no dia 27 de setembro para PlayStation 4Xbox One e PC, via Origin. No Metacritic, a versão avaliada está com média de 79 pontos.

*Review elaborada usando a versão de PS4 do jogo. A cópia física foi gentilmente cedida pela WB Games Brasil, para a realização dessa análise.

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