Quase todos os jogos de estratégia disponíveis envolvem combates militares ou a criação de um império. Blood Bowl 2 é uma bela mudança de ares. Como seu antecessor, ele leva as mecânicas dos jogos de tabuleiro baseados em turno para um dos esportes em alta hoje em dia: o futebol americano.

Mas esse não é um jogo comum, disputado por um monte de jogadores idênticos e sem personalidade. Em Blood Bowl 2 você está no comando de um time composto por humanos, orcs, elfos e anões, onde cada raça tem suas características especiais que você pode explorar.

A guerra de facções vai tomar o campo

Para proteger seu quarterback (o lançador do time), coloque um ou mais orcs de dois metros e meio de altura na vanguarda para esmagarem a linha de defesa adversária. Não pense que só você vai usar as raças para sua vantagem: a linha defensiva deles também terá alguns grandalhões.

E não é apenas vigor físico que vai te levar à vitória. Esqueça os atletas de ponta com corpos capazes de feitos extraordinários, conquistados por anos de treinamento. Seu running back super ágil que consegue correr horas sem perder o fôlego vai perder para um anão barrigudo segurando uma caneca de cerveja.

Vai perder porque este mesmo anão beberrão estará dirigindo um rolo compressor no meio do campo, e ele literalmente vai passar o carro por cima de você.

Blood Bowl 2 crítica
Me dá um desses que eu também viro astro da NFL. (Foto: Divulgação)

O pontapé inicial

O humor é sempre presente em Blood Bowl 2, mas não apenas através dos exageros que beiram o limite do ridículo. A violência em excesso e o comportamento dos jogadores e fãs do esporte também são uma caricatura do esporte real, e por vezes acontecem situações absurdas, como um jogador ser nocauteado por ter chegado perto demais da torcida enfurecida.

Essas situações são cômicas não apenas pelo exagero, mas também por terem uma certa familiaridade com a realidade: invasões de campo e torcedores agindo como malucos fugidos de um hospício não são desconhecidos por nós, apenas são levados ao extremo aqui.

Dito isso, vamos começar a partida. Blood Bowl 2 é baseado em um jogo de tabuleiro de mesmo nome, e jogos de tabuleiro podem ser complexos. Se você pular de cara nas ligas e nos torneios disponíveis sem qualquer familiaridade com as mecânicas, você provavelmente terá dificuldade para descobrir o que está acontecendo e por que seus jogadores estão sendo derrubados sem parar pelo seu oponente.

Time vencedor se constrói ao longo da temporada

Blood Bowl 2 possui uma curva de aprendizado íngreme. Por sorte, também tem um tutorial longo e jogável, que vem na forma do modo principal da campanha do jogo.

Aqui, os jogadores assumem o papel dos Reikland Reavers, uma equipe humana em decadência. A campanha consiste em uma grande quantidade de jogos, todos juntos através de uma história que procura contar o passado e o presente da equipe.

O primeiro jogo começa com quase nenhum recurso ou controle disponível para o jogador, e cada jogo adiciona um ou dois novos recursos, permitindo que o jogador adote e absorva gradualmente todas as regras e mecânica diferentes.

Blood Bowl 2 Review
Foto: Divulgação

Entre cada partida da campanha Reavers, você terá cenas com Bob e Jim – um ogro e um vampiro, respectivamente – que são apresentadores da Cabalvision, o canal esportivo que transmite jogos do Blood Bowl.

Essas vinhetas apresentam mais um tom cômico parodiando os canais esportivos de hoje e são bastante divertidas, proporcionando uns respiros extra campo para ajudar a fazer a campanha parecer mais do que apenas uma série de partidas.

Há um total de 16 rodadas por jogo, com intervalo inicial (e meio tempo inicial) ocorrendo após a oitava rodada. A cada rodada, os jogadores possuem um torno cada, o que lhes permite mover toda a equipe de 11 jogadores.

Isso significa que você pode mover os jogadores pelo campo, atacar personagens opostos, fazer um blitz, ou mesmo correr com a bola ou passar a bola. Claro, sendo como é um jogo de tabuleiro, a maioria dessas ações exige que os dados sejam rolados.

Tentando enfrentar um jogador? Bem, primeiro um dado precisa ser rolado para ver se você o derruba, ou se ele derruba você, se você vai cair, ou se você só vai empurrá-lo.

Digamos que você o derrube. Mais dados precisam ser rolados para ver se você quebra sua armadura e ele desmaia. Ou, e se você estiver tentando fazer um jogador correr mais longe do que ele deveria correr? Bem, ele talvez tropece e caia, com base nos dados rolados.

Felizmente, a maioria dessas rolagens ocorre fora da tela, com um texto aparecendo para dizer o que aconteceu e animação do autoexplicativa do personagem.

Blood Bowl 2: o veredito

Após terminar a campanha, você vai para o modo online e muitas partidas ainda mais interessantes começam, além de um grande salto na dificuldade. Toda essa riqueza de elementos tornam Blood Bowl 2 um bom jogo de estratégia, e quem gosta do gênero vai achar aqui um prato cheio para se divertir.

Minha única reclamação é com o tempo de partida, que poderia ser mais rápido. Para um jogo com tanta longevidade, fazer cada partida durar quase uma hora ou mais tem um impacto absurdo na vida útil do jogo.

Não é um exagero, é quase impossível você jogar duas partidas seguidas e ter gás para ir para uma terceira. Se você só tem uma horinha por dia ou os fins de semana para jogar, a coisa fica muito difícil.

O jogo emula a versão de tabuleiro fielmente, mas esquece que em jogos de tabuleiros estamos nos divertindo e conversando com um grupo de amigos. Esse ambiente faz com que uma partida passe rápido e sem te cansar na vida real, mas nos videogames a história é um pouquinho diferente. Mas se você tem um tempinho legal para jogar, divirta-se, não vai se arrepender.

Nota bom

Blood Bowl 2 foi lançado em setembro de 2015 para PlayStation 4, Xbox One e PC, via Steam. Em setembro de 2017, foi lançada a Blood Bowl 2 – Legendary Edition, versão usada para esta análise, com todo conteúdo extra lançado. No Metacritic, o jogo tem média de 72 pontos.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.

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