Na E3 de 2013, a Ubisoft trouxe o trailer de um game bastante ambicioso, chamado Tom Clancy’s The Division. Com gráficos surreais, o jogo era um looter shooter tático onde jogadores deveriam usar o ambiente à sua volta, tecnologia futurista e muita estratégia para sobreviver a tiroteios em meio às ruas e prédios de uma representação real em escala de Nova York. O trailer empolgou bastante, mas na hora do lançamento, em 2015, o game não atingiu as expectativas criadas. Muitos problemas de balanceamento, bugs e falta de conteúdo foram um banho de água fria para os jogadores, que esperam que The Division fosse uns dos melhores jogos do ano e elevasse o gênero a um novo patamar.

Quatro anos depois, a Ubisoft pega tudo que aprendeu com seus erros e faz uma nova aposta, agora em Tom Clancy’s The Division 2. Dessa vez, um lançamento sem falhas. Quase todos os problemas que fizeram de The Division um jogo punitivo e repetitivo foram levados em consideração no desenvolvimento da sequência, trazendo uma grande evolução para a franquia, mantendo o mesmo núcleo do primeiro jogo. As melhorias da Ubisoft vieram principalmente na enxurrada de conteúdo que cerca esse núcleo. The Division 2 divide seu tempo entre missões roteirizadas do modo história e uma variedade de atividades em mundo aberto.

Um grande salto no modo história

As missões da história são absolutamente fantásticas. Todas elas, principais ou sidequests, podem ser jogadas solo ou em coop, já que a dificuldade e a quantidade de inimigos variam de acordo com quem você traz consigo. Como um jogador majoritariamente solo, achei o conteúdo desafiador, mas não impossível, mas me divertia muito mais ao me juntar a jogadores aleatórios ou entrar em um time com amigos.

The Division 2 facilita a localização de um grupo, com cada hub oferecendo um ponto de partida para conteúdo aleatório, enquanto a subida para o início de uma missão permite recrutar jogadores para esse conteúdo específico. Também existe um sistema de sinalização, como em Monster Hunter World, no qual você pode pedir ajuda e os jogadores podem se juntar e, em seguida, mudar para o seu local. Porém, costuma ser mais fácil abrir um nova missão e convidar mais jogadores.

Tom Clancy's The Division 2
Tiroteios estão mais intensos em Washington (Foto: Divulgação)

Washington DC, onde a história se passa, sofre com o mesmo caos que Nova York sofreu, com grande parte do ambiente coberto de lixo, casas e carros em ruínas e facções criminosas espalhadas por toda parte. Escondidos entre os resíduos, há uma variedade de objetos saqueados e, embora não haja tantas áreas internas saqueadas, as que estão presentes parecem mais orgânicas do que os aparentemente aleatórios tijolos de pedra e prédios de Nova York.

Também existem eventos aleatórios, como propagandas de rádio com mensagens para sabotar, execuções de cidadãos para impedir e áreas menores de território controlado que podem ser concluídas para saques adicionais. A melhor parte de todas essas sidequests é que você sempre sente que está ganhando algo, seja experiência para subir de nível, criando materiais para uso na Base de Operações ou apenas itens gerais de armas / armaduras para melhorar seu personagem. Nada parece desperdiçado, e as diferenças nas atividades disponíveis facilitam a rotina.

Tom Clancy's The Division 2
O caos após a queda do governo se espalhou rapidamente em The Division 2 (Foto: Divulgação)

Ainda assim, algumas falhas ficaram na narrativa

Mesmo com tudo o que a Ubisoft fez para melhorar, a história de The Division 2 ainda não é muito interessante. Muita coisa acontece sem a participação do jogador, com eventos interessantes aparecendo exclusivamente na forma de registros de áudio desbloqueáveis ​​ou registros de vídeo que são desbloqueados após as missões da história.

Nada disso envolve seu personagem, o protagonista silencioso padrão, sem nenhum envolvimento pessoal na história e, nas poucas vezes em que é referido no jogo, é como “O Xerife”, alusão ao seu papel em Washington.

Tom Clancy's The Division 2
Facções rivais seguem sendo os principais inimigos do game (Foto: Divulgação)

Gameplay aprimorado em todos seus aspectos

Um dos aspectos mais importantes em qualquer jogo de tiro é o gameplay com as armas. The Division 2 aborda alguns dos problemas do primeiro jogo, adicionando um pouco mais de variedade entre as armas e dando uma melhor sensação ao atirar. As armas parecem mais duras e difíceis de controlar, e os inimigos reagem à medida que caem e se agarram aos seus membros, dando uma sensação de realismo que o primeiro jogo não tinha.

A quantidade de tempo que eles levam para cair também foi aprimorada, pois os inimigos agora morrem mais rápido. Ainda há uma sensação de “esponja” para alguns inimigos, pois você pode esvazia cartucho atrás de cartucho de alguns inimigos e ainda não está nem perto de matá-los, mas vale lembrar que esse ainda é um RPG de ação com estatísticas de nivelamento e dano numerado.

Tom Clancy's The Division 2
O dinamismo de The Division 2 é maior em relação ao primeiro título (Foto: Divulgação)

Em geral, o tempo para matar foi amplamente aprimorado em The Division 2, e o jogo parece mais dinâmico e realista. Depois que a narrativa principal acaba, o loot é o principal motivo para você voltar a jogar. O jogo faz um bom trabalho de distribuição, fornecendo equipamentos cada vez melhores e, à medida que avança, a inclusão de mods concede aos jogadores um maior grau de personalização. Depois de atingir o limite de nível, os mods começam a desempenhar um papel maior na otimização dos equipamentos e na criação da sua build.

Vale a pena continuar jogando depois de zerar?

O endgame de The Division 2 é aberto assim que você termina a campanha. A festa após derrotar uma das facções mais difíceis do jogo em uma batalha para reconquistar o Capitólio é interrompida quando Washington DC é invadida por uma organização conhecida como Pata-Negra. Essa é uma facção diferente de tudo o que vimos até agora, na medida em que seus membros estão armados até os dentes com tecnologia parecida com a da Division.

Tom Clancy's The Division 2
O fim da narrativa principal traz mais conteúdo aos jogadores (Foto: Divulgação)

Os jogadores devem reconquistar a cidade da Pata-Negra por meio de várias missões de controle e repetindo as missões anteriores com diálogo revisado e esses novos inimigos. Isso fornece uma quantidade substancial de conteúdo para o final do jogo, com vários níveis mundiais adicionando novos desafios e níveis de dificuldade.

Veredito

Tom Clancy’s The Division 2 está mais perto da visão original que existia para o primeiro jogo. Washington DC é um mundo vasto, profundo e detalhado, repleto de bandidos para atirar e saques para coletar, que mantém você e todos os amigos que se juntam a você envolvidos bem depois de terminar a campanha.

A história é um pouco superficial, mas as missões são bem escritas e têm um design excepcional, levando a um final de jogo construído em torno de toneladas de conteúdo e a um profundo sistema de pilhagem. Vale a pena investir seu tempo aqui. Será interessante ver o que a Massive vai trazer de conteúdo para The Divison 2 daqui para frente.

The Division 2 | Finalmente um lançamento sem crises no gênero 1

Tom Clancy’s The Division 2 foi desenvolvido pela Massive Entertainment e  pela Red Storm Entertainment, além de outros seis estúdios próprios da Ubisoft, e está disponível para Xbox OnePlayStation 4 e PC, via Uplay e Epic Games Store. No Metacritic, a versão utilizada na review teve média de 82 pontos.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora

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