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MASS EFFECT: ANDROMEDA | Astronautas de Mármore

Finalmente temos em mãos Mass Effect: Andromeda, o novo game de uma das séries de RPG mais conceituadas do ocidente. Ele vem para dar sequência a trilogia original, que teve seu primeiro game lançado em 2007 e contava a história da humanidade contra os Reapers, máquinas sentientes com o objetivo de limpar a galáxia para começar tudo de novo do zero.

Mass Effect 3 viu, para o bem e para o mal, a conclusão dessa saga e desse ciclo. Com Andromeda, a Bioware teve a importante missão de iniciar uma nova história expandindo o universo, mas sem se apoiar em tramas e protagonistas pré estabelecidos.

Como dito pelos personagens várias vezes durante o game, Andromeda é um novo começo. É uma oportunidade de fazer as coisas de um modo diferente, de se redimir de erros passados e de se criar um futuro melhor.

E, de fato, esse foi um novo começo para Mass Effect como um todo. Mas, assim como o jogo mostra que ocorreu com a Iniciativa Andromeda, recomeçar nem sempre é tão fácil e simples quanto pensamos. Vamos ver um pouco mais sobre as dificuldades e acertos dessa nova empreitada agora, em mais uma crítica do Jornada Geek.

Mass Effect Andromeda screenshot
Alguns cenários são realmente impressionantes (Fonte: Reprodução)

Em busca de um novo lar

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A narrativa de Mass Effect: Andromeda se baseia na epônima Iniciativa Andromeda. Durante os eventos de Mass Effect 2, uma nova galáxia com uma série de planetas habitáveis foi descoberta por pesquisadores. Ela foi batizada como Andromeda, e uma série de exploradores e colonizadores decidiram se mudar para lá a fim de colonizar e expandir a presença humana e alienígena na galáxia.

Por isso, podemos notar claramente que exploração é um dos temas centrais deste game. O protagonista em vários momentos cita sua vontade de descobrir novos lugares, e grande parte da trama é centrada em tornar planetas habitáveis e conhecer mais da galáxia e do que existe nela.

Grande parte dos objetivos giram em torno dessa mecânica de tornar planetas mais hóspitos e bons de se viver. Eos, o primeiro planeta que visitamos, é tomado por radiação. Nosso trabalho nesse arco da história é tornar ele habitável, limpando a atmosfera e criando assentamentos e postos avançados.

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Ainda que exista uma trama maior, o jogo é baseado nesses objetivos e nesse ciclo de acontecimentos. Procure um planeta viável, entre nele, veja o que está impedindo que haja vida humana e resolva. É algo que funciona e adiciona um objetivo tangível e claro à jornada, mas acaba se tornando previsível e um pouco enjoado conforme passamos horas e mais horas com o título.

Mass Effect: Andromeda screenshot 9
Morar aqui deve ser um inferninho. (Fonte: Reprodução)

A trajetória

A primeira coisa que fazemos quando começamos Mass Effect: Andromeda é criar um personagem. Escolhemos o sexo, nome (Scott e Sara, como padrão) e montamos o rosto de nosso personagem.

O editor não é nada de espetacular, mas está dentro do esperado e do que vimos em outros games da Bioware como Dragon Age Inquisition, por exemplo. Algo que notei é que todos os rostos padrões são um pouco estranhos. Não sei se isso é devido as animações bizarras que o jogo tem, o que veremos mais pra frente, ou devido à geração automática. Ainda assim, com um pouco de paciência podemos criar um Ryder de acordo com nossas preferências.

Mass Effect Andromeda screenshot 3
Menino bonito do pai. (Fonte: Reprodução)

Um ponto legal aqui é que a aparência de nosso personagem influência no rosto de Alec Ryder, o pai dele. Além disso, o game conta com um casal de irmãos como protagonistas. Por exemplo, eu escolhi jogar como Scott Ryder. A irmã dele, Sara Ryder, se tornou uma personagem de suporte que participava ativamente da trama e tinha seu papel à desempenhar. Achei bem legal e uma novidade, visto que não temos isso em muitos jogos do gênero.

Amanheceu, peguei meu rifle de plasma

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Após acordar da hibernação, vemos que as coisas não são perfeitas em nosso novo lar. Os planetas que pensamos não tem problemas são inóspitos, temos uma nova raça alienígena querendo nos matar e outra tentando nos ajudar, porém com interesses por trás. Eu esperava mais adições e mais riscos, mas a Bioware jogou baixo com a história e novidades aqui.

Não temos muitas raças novas, nem ligações com as histórias antigas da série. O que podemos ver são uma ou outra referência a trilogia original, e só. Uma outra coisa que achei um desperdício foi deixarem o ângulo de sermos invasores em uma terra desconhecida de lado. Em certo ponto, o Ryder cita que os alienígenas, na verdade, somos nós. Estamos chegando em uma terra desconhecida, possivelmente povoada, armados até os dentes e atirando primeiro. Esse seria um ângulo espetacular de ser explorado, sobre como os exploradores muitas vezes se apoderam de terras e culturas alheias, mas o game só faz essa referência e pronto. Após isso, seguimos matando e colonizando até cansarmos.

Mass Effect Andromeda screenshot 4
Imagens de dor e sofrimento de uma segunda feira. (Fonte: Reprodução)

Escolhas e Diálogos

Uma coisa que não curti foi a retirada do esquema de Renegade/Paragon que tínhamos. Claro, ele fazia as coisas serem bem preto e branco, mas era tão legal. Nosso Shepard poderia ser realmente otário com os outros, ou um anjinho, e era maneiro ver como os personagens reagiam à isso e como a história respondia. Aqui, não temos nada do tipo.

O personagem tem uma roda de respostas, como nos outros títulos da Bioware, na qual podemos escolher uma resposta com “entonações” diferentes. Podemos ser mais profissionais, nervosos, brincalhões, etc. Só que, no fim das contas, o Ryder nunca passa da linha. Ou ele é bonzinho demais, ou levemente sarcástico. Pode ser porque ele ainda é novo e não tem a casca grossa de ser um herói de guerra, mas parece que as coisas que ele fala não tem impacto nenhum.

E falando em impacto, nossas decisões não mudam muita coisa na história. Em minha experiência, parece que elas mudam mais alguns diálogos e só, mas não tem o impacto visto na trilogia original ou no último Dragon Age, por exemplo.

Mass Effect Andromeda screenshot 5
Um amor de pessoa. (Fonte: Reprodução)

O elefante branco

E agora, vamos falar do que tem sido mais divulgado sobre o game. As animações. Não tem muito como defender aqui, elas ficaram realmente ruins. Dá pra relevar uma sobrancelha sem mexer aqui ou ali em games dessa magnitude e escopo, mas o que ocorreu com Mass Effect: Andromeda é inaceitável.

Em muitos momentos os personagens tem expressões mortas ou incondizentes com o que acontece. Por exemplo, em certo momento meu Ryder falou da morte de um membro da equipe próximo à ele com um sorriso no rosto. Ele estava feliz, ou foi um bug no algoritmo de animações?

Isso quebra demais a imersão, e não é algo que possamos aceitar ou esperar de um título AAA desse calibre e dimensão.

Fora isso, os gráficos estão decentes. Os mundos que exploramos, embora vazios, são grandes e tem uma distância de visão bem maneira. Não é nada que vá quebrar barreiras, mas funciona e até faz a gente parar para ver e apreciar as vezes.

Mass Effect Andromeda screenshot 6
Escanear e descobrir é parte central do game. (Fonte: Reprodução)

Jogando e explorando

Por fim, vamos falar de como ficou o gameplay de Mass Effect: Andromeda. O sistema de tiro foi completamente refeito, assim como o de classes. Contudo, vai ser uma questão bem pessoal o fato dessas mudanças terem sido realmente para melhor ou não.

Uma das adições mais legais foi o jetpack. Agora, podemos dar pulos mais altos, planar enquanto miramos e dar um dash para percorrer curtas distâncias mais rápido. Isso torna os combates muito mais legais, dando uma sensação de velocidade e movimento que é muito bem vinda. Os poderes que temos também estão bem feitos, e fazer combos de habilidades bióticas continua sendo uma maravilha.

O comando de equipe, no entanto, foi bem piorado na minha opinião. Agora, podemos apenas falar para nosso esquadrão atacar alguém ou mover para algum lugar. Eles decidem se unir aos nossos combos e usar habilidades sozinhos, o que funciona na maioria do tempo. Mas, eu gosto de ter controle da minha equipe, e mais opções de comando seriam bem vindas.

O sistema de cobertura agora também mudou, e é automático. Ryder irá se esconder assim que entrar em contato com uma cobertura adequada se estiver empunhando uma arma. O sistema funciona, e tal, mas eu prefiro quando temos de apertar um botão. Por vezes ele se escondeu quando eu não queria, e saiu de cobertura quando não devia.

Mass Effect Andromeda screenshot 7
Ei, kroganos não deveriam voar! (Fonte: Reprodução)

Multiplayer

O modo multiplayer de Mass Effect 3 voltou em Mass Effect: Andromeda, e ele é bem maneiro quando funciona direito. Ele é um modo horda, onde devemos sobreviver ondas de inimigos com um time cumprindo alguns objetivos. Ele é divertido, e o combate é frenético, mas não é algo surpreendente que carregaria o título. Podemos escolher classes, equipar armas e habilidades, tudo dentro do padrão. Ele é um modo separado da campanha, e deve ser acessado em uma opção específica no menu principal. Mas, ainda assim, é uma adição bem vinda e ajuda a dar mais vida útil ao game.

Para quem curtiu o que tínhamos antigamente, este vai ser um prato cheio. Eu, pelo menos, me diverti, e ainda jogarei mais algumas partidas nos próximos dias.

Mass Effect Andromeda screenshot 8
A moda para cabelos mudou muito nos últimos 600 anos (Fonte: Reprodução)

Lado A, Lado B

Quem leu até agora pode estar pensando que eu não gostei de Mass Effect: Andromeda. Bom, não é bem assim. Eu tinha altas esperanças por ser fã da série, e meu saudosismo pelos títulos anteriores me fez dar mais peso e ser mais enjoado com algumas coisas, sim.

Mas, por mais que eu esteja sendo um pouco mais chato, Mass Effect: Andromeda tem muita coisa que poderia ter sido melhor. A história não ficou no nível que é esperado para essa série, o game está cheio de bugs de animação e jogabilidade, alguns diálogos estão forçados e sem inspiração. Tem muita coisa errada aqui que não vimos nem no primeiro game há dez anos.

Mas, quer dizer que o jogo é só fracassos? Longe disso. Vamos dar glórias onde é merecido. O game é muito grande, e o retorno de tempo de jogo em cima do que é investido é muito bom. Temos mapas grandes nos planetas recheados de coisas para fazer, quests, puzzles tipo Sudoku para resolver e planetas para escanear em busca de recursos.

É divertido atirar e usar habilidades, e o novo esquema de classes e perfis dá mais maleabilidade para criarmos um Ryder que luta da maneira que queremos, trocando bônus e poderes conforme a situação pede. Temos, também, um sistema de pesquisa de itens, crafting e coleta de dados e itens usando nosso S.A.M.

Mass Effect Andromeda screenshot 9
Claro, todos sempre querem alguma coisa do Explorador. (Fonte: Reprodução)

Mas, o crafting e o sistema de habilidades é dificultado por um menu mal construído e complexidade desnecessária. Os cenários e gráficos bonitos sofrem de problemas de animação. A história fica boa mais pro meio, mas tem um começo fraco. O combate é legal mas tem muitos bugs. Notaram a tendência? Para tudo que o game faz de bom, podemos ver uma contraparte que puxa a experiência para baixo.

Acabou, acabou

Eu não chegaria ao ponto de dizer para vocês evitarem Mass Effect: Andromeda, ou dizer na lata que ele é ruim. O game é bom e diverte, e para o bem e para o mal é um novo começo para essa série que eu tanto gosto. Ainda que seja um começo duro e com falhas, eu ainda acredito que os próximos games da série vão capitalizar em cima do novo cenário e personagens para criar uma nova trilogia tão épica quanto a anterior. No fim, o game representa bem a Iniciativa Andromeda. Não é igual nos prometeram e nem tudo são flores, mas embaixo de todos os problemas e provações ainda há uma galáxia gigantesca que merece ser experimentada e explorada. Só precisamos ser um pouco mais pacientes e compreensivos.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.

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