Kingdom Hearts III | Valeu a pena esperar!

Os fãs fiéis da série tem um banquete esperando por eles!

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O momento pelo qual fãs em todo mundo esperaram durante mais de uma década chegou. Após anos de spin-offs, exclusivos de uma companhia ou outra, e compilações, Kingdom Hearts III finalmente está aqui.

Uma das franquias de jogos mais amadas da história, nascida de uma proposta incomum de se unir personagens da Disney com representantes da franquia Final Fantasy para uma história totalmente original, chega a seu capítulo definitivo e, sem dúvida, a espera valeu a pena.

A Square Enix, enfrentando a enorme tarefa de não frustrar as expectativas de milhares de entusiastas, conseguiu entregar um título que contem todos os atributos positivos da série, com novos detalhes empolgantes e até melhorando alguns dos pontos menos fortes de títulos passados.

A essência complicada e mágica de Kingdom Hearts

Uma das impressões mais marcantes que já nos é passada no início do jogo, é que Kingdom Hearts III não é o começo de história alguma, é a conclusão e deve ser tratado como tal. A trama já começa logo após o final do jogo anterior na cronologia, com a primeira hora de gameplay, que geralmente é destinada a tutoriais em alguma localidade pacífica, ocorre em meio a uma guerra envolvendo deuses e Titãs. A escolha da desenvolvedora nesta abordagem privilegia quem está afiado com a série e não quer perder tempo com recapitulações, mas, de fato, que pode deixar tanto fãs que não conseguiram jogar todos os títulos da franquia, como novatos principalmente, bem confusos sobre os eventos que ali acontecem.

A desenvolvedora tenta remediar isso com uma extensa coleção de arquivos, dossiês de personagens e vídeos disponíveis nos menus, que contam a história até o momento da aventura atual (em inglês, já que o game não ganhou legendas em português). Ainda assim, não é algo que ocorre de maneira natural. O que, de certo ponto de vista, não é ruim. Gastar recursos em recontar os eventos passados de forma complexa poderia significar perder espaço para inovações e prosseguimento adequado da trama.

Kingdom Hearts III
Personagens da Disney/Pixar são representados fielmente (Foto: Divulgação)

Como é tradição na franquia, acompanhamos a jornada de Sora, Donald e Pateta. Percorrendo diversos mundos inspirados em filmes da Disney. Dessa vez, existe uma predominância de estágios que representam filmes mais recentes do estúdio, alguns que nem existiam na época de Kingdom Hearts II, e muitos frutos de colaboração com a Pixar.  

Essa escolha é benéfica ao estilo geral do jogo. Enquanto fãs mais antigos podem se sentir atingidos com seus desenhos favoritos sendo representados, apostar em longas que usam de computação gráfica, tais como “Big Hero 6” e “Monstros S.A.” resultam em uma facilidade maior de adequar o jogo ao traço do filme. O resultado é maravilhoso. Cenários enormes com cada estética única preservada, das florestas de “Enrolados” até as montanhas congeladas de “Frozen” cada cenário e personagem é feito com o máximo de fidelidade, algo que é um prato cheio aos entusiastas da Disney. Pessoalmente, caminhar pelo quarto de Andy em “Toy Story”, acompanhado de Buzz e Woody, enquanto escutava “Amigo estou aqui”, me trouxe ótimas sensações. Apesar da fidelidade mais simples de se alcançar em peças de computação gráfica, é importante ressaltar que a equipe caprichou até mesmo em personagens que são originalmente de animações desenhadas, como “Hércules” e atores reais, no caso de “Piratas do Caribe”. Chama a atenção como tantos personagens que vem de universos diferentes, sendo desenhados de formas distintas podem coexistir de forma natural tanto durante cenas que contam a história como em meio ao gameplay e todo o seu dinamismo, que, inclusive, é onde o jogo mais brilha.

Kingdom Hearts III
Personagens de Monstros S.A marcam presença no game (Foto: Reprodução)

Um universo de possibilidades

O gameplay de Kingdom Hearts III é simplesmente fantástico em todas as esferas, desde a exploração até o combate. Sora tem muito mais liberdade para percorrer o cenário, com a maioria dos mapas tendo pontos onde é possível se locomover pelas paredes, evitando a velha frustração de se chegar a um ponto alto, cair e ter que recomeçar do zero. O combate é magnífico. Com várias mecânicas de títulos anteriores, como o Shotlock, que permite travar a mira em vários oponentes e realizar um ataque a distância e o Freeflow, que permite usar o ambiente para turbinar seus ataques corpo-a-corpo, somando-se a novos jeitos de atacar, como as evocações de atração, que simulam brinquedos da Disney e iniciam um mini-game próprio que resulta em pouca ou grande quantidade de dano, o jogador tem um verdadeiro arsenal de maneiras para destruir os adversários, que também vem com a maior variedade até então na franquia.

No entanto, a inovação de maior destaque no combate, sem dúvidas, é o sistema de Keyblades. As armas usadas pelo protagonista, que eram obtidas em variedade durante a história eram apenas upgrades de status, uma para a outra. Agora, cada uma tem uma transformação própria que beneficia Sora de diferentes maneiras e estimula o jogador a tentar vários tipos de estilo de luta até encontrar um que seja mais adequado ao seu modo de jogar. Gosta de atacar os inimigos com toda a força? Utilize a Favorite Deputy, que se transforma em um martelo gigante e depois em uma broca, e esmague tudo. Prefere uma arma mais ágil e com alcance? Wheel of Fate se transfigura em uma lança e em uma bandeira pirata, com ataques rápidos e longos. Prefere priorizar a magia e ataques a distância? Sem problema, leve a Shooting Star, que se torna pistolas e um canhão, excelentes para atacar a distância, além de turbinar as magias de Sora. É possível equipar até três Keyblades ao mesmo tempo, que podem ser trocadas entre si com apenas o toque de um botão, ressaltando a agilidade do combate, que também oferece várias opções de atalhos para as magias e golpes especiais, fazendo com que o usuário não perca tempo algum em meio ao caos da luta. E possa alternar sua estratégia rapidamente dependendo dos inimigos que enfrentar, priorizando ataques a longa distância para oponentes voadores, fortes para adversários armadurados, e assim vai.

Kingdom Hearts III
Sora pode evocar personagens para ajudá-lo na batalha (Foto: Divulgação)

O sistema de Keyblades, unido às novas formas de ataque fazem com que lutar contra hordas de monstros seja extremamente divertido e nada repetitivo. Eu genuinamente ficava feliz toda vez que a música mudava, indicando o surgimento de inimigos e diversão a vista. A única parte que pode ser vista como negativa é que os ataques são tantos, que a dificuldade do jogo não é muito elevada. Veteranos na série devem começar no modo “Proud” (difícil) se esperam encarar algum desafio.

Mas não é apenas nas lutas que o gameplay diverte e se mostra variado. Somando à ideia de cada mundo ter sua particularidade visual, também vemos algo semelhante traduzido na jogabilidade, seja pilotando navios em “Piratas do Caribe” e robôs gigantes em “Toy Story” ou dançando em “Enrolados”. Mesmo fora da história principal, existem outros mini-games, como cozinhar com o ratinho de Ratatouille, procurar e fotografar emblemas em forma de Mickey pelos mundos ou jogar diversos cenários inspirados em vídeo-games portáteis antigos em LCD, estilo Tiger Electronics. Até mesmo a navegação do Gummi Ship, a nave que transporta os heróis entre um mundo e outro ficou mais dinâmica.

Kingdom Hearts III
Keyblades se transformam em uma variedade de armamentos (Foto: Divulgação)

Veredito

Kingdom Hearts III conseguiu vencer o teste do tempo e se sagrou como uma conclusão de saga excelente. Fãs fiéis da série, sem dúvida nenhuma, tem um banquete esperando por eles. Infelizmente, a história e o estado avançado que ela se encontra podem repelir iniciantes e jogadores casuais da franquia. Mas isso não impede que eles se divirtam com o combate e a jogabilidade em geral. Isso é simplesmente impossível.

A única dor em jogar esse jogo foi que acabou rápido demais. Trinta a quarenta horas de jogo são suficientes para cumprir todo o conteúdo obrigatório. Mas é tão divertido que jogar tudo de novo é algo atraente desde o momento que a aventura se encerra.

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O título é encontrado em formato físico e digital no Brasil, com o preço sugerido de R$ 249,90 para PlayStation 4 e R$ 250,00 para Xbox One. Os donos do console da Sony ainda podem adquirir o KINGDOM HEARTS All-In-One Package, que traz todos os jogos principais da franquia, incluindo o novíssimo game, por R$ 383,50. No Metacritic, o jogo foi avaliado com média de 85 pontos na versão avaliada.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.