Anthem parece um beta. Apesar de apresentar uma campanha completa, o jogo como um todo dá a sensação de estar inacabado. Podemos apenas supor que algo deu errado durante o seu desenvolvimento, pois ele tem todas as características de um projeto que fracassou e não teve tempo ser reformulado à tempo do lançamento. Vindo da gigante BioWare, famosa por Dragon Age e Mass Effect, Anthem é uma grande decepção.

Se tivesse sido lançado em 2014, junto com o primeiro Destiny, nós poderíamos desculpar os problemas do jogo, que funciona no modelo de “serviço online”. Mas aqui em 2019, ele está cinco anos atrasado nessa onda, repetindo muitos dos erros iniciais de Destiny, desde o desenrolar monótono das missões até a grave falta de conteúdo de final de jogo. Além disso, Anthem não tem a base e o polimento que o looter shooter da Bungie tinha, que mesmo com as falhas naquela época, ainda assim era robusto.

Mas Anthem tem pontos positivos? Há esperança para o jogo? A resposta eu te conto agora, em mais uma análise do Jornada Geek!

Os problemas começaram antes do lançamento

Algumas semanas antes do lançamento, nós tivemos nosso primeiro contato com Anthem. Na Demo VIP (que foi disponibilizada para quem comprou o game na pré-venda), tivemos o primeiro tropeço de Anthem para o público: falta de conexão.

Durante todo o tempo que a demo esteve no ar, muitos não conseguiram sequer entrar nos servidores do jogo. Tratando-se de um multiplayer online, isso quer dizer que você não passa da tela de início. Eu mesmo não consegui entrar nos dois primeiros dias da Demo VIP. Foi um papelão onde atá a BioWare pediu desculpas pelo vacilo.

Apesar desse enorme problema, quem jogou a demo de maneira despretensiosa se divertiu bastante. O cenário é muito bonito, as Javelins (as armaduras que você usa) também tem ótimos visuais, com algumas opções de customização já na demo. Como tudo era novidade, você podia perder horas só na pintura das suas Javelins.

As maiores qualidade de Anthem

Agora, com a versão final, podemos avaliar o que Anthem tem de melhor e pior. Então, vamos começar pelas partes boas, que serão poucas: o sistema de voo é muito divertido e, definitivamente, o ponto mais forte do jogo. É possível voar para qualquer direção, esquivar enquanto está no ar e planar para atirar nos inimigos.

Anthem
Voar é uma das melhores atrações de Anthem (Foto: Divulgação)

O sistema só não dá uma total sensação de liberdade devido ao limite de tempo entre cada decolagem: as turbinas da Javelin esquentam com o tempo e logo você vai ao chão por superaquecimento, tendo que esperar elas se recuperarem. Essa falha nos motores é um pouco irritante quando você quer viajar longas distâncias, e mortal quando você cai bem no meio de um confronto – pois você perde muita mobilidade e vira um alvo fácil.

O combate de Anthem também é bastante bonito. Cada Javelin tem sua especialidade, com a Colossus sendo um tanque, a Interceptor sendo uma espécie de ninja, a Storm um mago e a Ranger é equilibrada em todos os aspectos. As skills são muito variadas de classe a classe, indo de mísseis e morteiros até bolas de fogo e relâmpagos.

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As Javelins: Collossus, Interceptor, Ranger e Storm (Foto: Divulgação)

No geral o combate é bem divertido. Cada Javelin tem um modo único de ser usada, então você pode entrar em combate corpo-a-corpo, causando grandes estragos e saindo da linha de fogo rapidamente com a Interceptor.

Você pode também usar a mais lenta Colossus para causa muto dano em área com mísseis, lança-chamas e morteiros e segurar os inimigos com seu escudo. Enquanto isso, a Storm levita no ar, lançando fogo, gelo e relâmpagos em todos a frente.

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As Javelins em ação (Foto: Divulgação)

Anthem tem um sistema de ataques que funciona de maneira bem simples: algumas skills possuem o atributo Primer (que marca o alvo atingido) e outros o atributo Detonator (que causa dano extra ao ser lançada em um alvo marcado com o Primer). Os combos aumentam muito seu dano, sendo que você sempre procura estratégias em que os use constantemente. Não é um sistema muito inspirado, que pode acabar se mostrando bem raso quanto mais você joga.

O maior defeito do combate vem dos bugs. Inimigos que te atingem com projéteis invisíveis, bugs que te impedem de ser ressuscitado ao cair, inimigos que se materializam do seu lado do nada… são muitos. A BioWare está tentando resolvê-los a cada patch lançado, mas são tantos problemas que é difícil ter alguma expetativa realista de que tudo será resolvido logo.

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O combate é outro ponto positivo do game (Foto: Divulgação)

O Endgame e Loot: poucos incentivos para continuar jogando

Aqui vemos o maior problema de Anthem, que vem lá do seu desenvolvimento, antes mesmo da pré-produção. Até pouco antes de um ano do seu lançamento, Anthem não era um looter-shooter. Até ali, os desenvolvedores não sabiam que tipo de jogo estavam fazendo.

Ao sentir o deadline próximo, a BioWare deu um passo para frente e implementou todo o sistema de progressão, armas, drop rates e cálculo de danos de um dia para o outro. Obviamente, não deu certo. Ao terminar a campanha principal, Anthem tem três “Fortalezas”. São quests de mais ou menos 40 minutos cada. E é isso. O endgame de Anthem se resume a jogar essas três quests e fazer eventos aleatórios do mapa que surgem no modo expedição.

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Embora traga belos visuais, Anthem decepciona (Foto: Divulgação)

Veredito

A promessa da BioWare era de conteúdo para manter os jogadores ocupados por um ano e com planos para, no mínimo, um segundo ano. Quem comprou o jogo no pré lançamento já reclama da falta de conteúdo com menos de 30 dias que Anthem chegou às prateleiras. Outros jogos, como Final Fantasy XIV e The Division, conseguiram se recuperar com o tempo, corrigir seus problemas e entregar uma boa experiência aos seus jogadores, mas não sem antes frustrar muita gente.

Mas nenhum dos dois tinha tantos problemas graves como Anthem tem. Se não fossem pelos gráficos de um AAA, um combate razoável e o sistema de voo, Anthem seria um completo fracasso. A BioWare tem um longo e bastante sofrido trabalho pela frente se quiser tornar esse jogo tudo aquilo que disse que ele seria.

Anthem | Uma promessa longe de ser cumprida 1

Anthem foi lançado no último dia 22 de fevereiro e está disponível para Xbox OnePC, via Origin PlayStation 4, com o preço variando de acordo com a plataforma. No Metacritic, a versão utilizada para análise ficou com média de 54 pontos, o que representa bem a decepção da comunidade com o jogo.

*Review elaborado usando a versão de PS4 do jogo. Cópia fornecida pela desenvolvedora.

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