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SONHOS DESPEDAÇADOS | LITERATURA

Sonhos Despedaçados
Sonhos Despedaçados

Nova Orleans traz diferentes imagens, conforme o repertório do receptor. Para alguns, é berço do jazz, que bebeu das fontes do blues, dos ritmos africanos, das influências caribenhas e enfeitiçou as noites da cidade. Esse feitiço ainda persiste na célebre Bourbon Street, que traz no nome uma das motivações para a festa: com um copo de bourbon na mão (ou de outra bebida, tradicional ou não), pode-se pular de bar em bar, em busca do ritmo ideal. Sim, na Louisiana pode-se andar com bebida pela rua.

De dia, existem tours pelos bairros antigos, como o famoso Garden District, ou pelas áreas devastadas pelo Katrina. Há também os tours noturnos, em que os guias gostam de contar as histórias das assombrações que fazem a cidade ouvir desde sua origem, com destaque para as casas abandonadas. Pode-se passear de barco pelo Mississippi ao som de jazz ou dar uma volta pela Jackson Square, quase à margem do rio, embora não se possa vê-lo. Se o rio parece longe, o futuro está logo ao alcance das mãos: basta escolher a mesa certa e o tarô pode lhe indicar o futuro.

Sonhos despedaçados mostra que Nova Orleans é realmente uma mistura de tudo isso.

A jovem Trinity cresceu no Colorado, criada pela avó, após o acidente que matou os pais da garota. Depois de encontrar a avó morta na cozinha de casa, Trinity se muda para a casa da tia, em Nova Orleans, cidade em que nasceu e na qual morreram seus pais. Basta uma noite e tudo vem à tona.

Convidada pelos colegas para visitar uma mansão assombrada em Prytania, no Garden District, Trinity se vê numa armadilha para assustá-la, mas maior é o impacto da visão que tem: uma moça deitada num colchão pede ajuda. Desesperada, foge dali e dúvidas começam a dominar sua vida. Desde jovem teve visões, a primeira com a morte de um animal de estimação, o que ocorreu semanas depois. A avó sempre dissera para não contar nada daquilo aos outros. Mais que um modo de não lembrar do passado, a avó estava protegendo Trinity.

Como Ellie James descreve no livro: “Isso não significa nada. Estamos em Nova Orleans.”

A história das pouco mais de 300 páginas dura alguns dias, mas os acontecimentos são incessantes na busca por Jessica, namorada de Chase e organizadora da armadilha para Trinity. A razão da armadilha? Chase queria terminar o namoro e Jessica percebia olhares dele para Trinity, recém-chegada à escola. Só que Jessica some logo depois e os sonhos de Trinity, quando apontam locais onde ela pode ter estado, servem mais para incriminá-la que para ajudar a encontrar a desaparecida.

Se por um lado a busca por Jessica é a angústia dos conhecidos, a atenção de Trinity, acompanhada por Chase, divide-se na procura por seu passado. Ver o futuro não significa conhecer o passado e ela precisa consultar pessoas, desvendar verdades por trás do que escondem dela, e isso nem sempre é agradável. Suas visões, e é a própria tia quem conta, fazem parte de um dom passado de mãe para filha, há gerações. A tia, irmã do pai, sempre acompanhou a cunhada, inclusive quando começou um duelo mental com um assassino em série da cidade. Se a morte da mãe foi fruto desse jogo, nada impede que o pesadelo de Trinity com o desaparecimento de Jessica seja também armação de algum paranormal.

Entre alguns momentos infantilidades adolescentes, a história lida bem com os fatos que a cidade apresenta em sua constituição. Traz mistério, misticismo e assombração, sem ignorar as questões sociais de uma cidade de contrastes históricos e situações pessoais universais, como relações familiares e amorosas. Com algumas opções literais na tradução, a leitura pode não ser das mais ricas, mas envolve sobretudo por ser em Nova Orleans e não despedaça os sonhos do leitor.

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