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MAN REPELLER | LITERATURA

Man Repeller
Man Repeller

Quando um sujeito vê um livro com a capa rosa e com o desenho de um sapato vermelho de salto alto dirigido por uma mulher de saia verde e mais tantos adereços voando, pensa logo: livro de mulherzinha. Não errou: Man repeller, como o blog, é voltado para o público feminino, mas nada impede o público masculino de ler, rir e (homens, atenção!) descobrir um pouco do universo feminino.

Leandre Medine tem um bom texto, e isso é peça fundamental para que a leitura vá além do primeiro capítulo. Ela escreve como se estivesse conversando com o leitor (a leitora?) e faz dele seu cúmplice nos momentos mais vexamosos de sua vida fashion. Tudo bem que ele é escrito pra mulheres, mas se o livro, como o blog, é escrito pensando nos homens, todos podem ler.

Desde a infância, Leandra parece não se dar bem com a última moda. Quando bateu o pé e insistiu com a mãe que deveria usar um determinado vestido pra chamar atenção do colega, ainda pequena, se deu mal. As colegas disseram que ela parecia um bebê. O menino por quem estava apaixonado deu-lhe, mais que um beijo na bochecha (pena?), catapora. E esse é só o primeiro caso do livro.

Com histórias que vão do colégio à vida profissional, passando pela carteira guarda-vômito da avó, Men repeller envolve o leitor em relações que passam por família, amigos, trabalho, viagens, dinheiro e, claro, roupas, muitas roupas, pelo menos uma peça em destaque para cada capítulo. Sem contar as combinações dessa peça, feitas mais pra agradar a autora do que, claro, os homens.

O blog se apoia em dicas de moda e fez da autora uma das pessoas mais influentes no ramo nos Estados Unidos, o que hoje lhe rende anúncios e nem por isso menos informalidade (mesmo tendo domínio próprio na rede). O livro usa a moda como adereço da vida e aborda questões humanas com mais peso, explicando, inclusive, de onde veio a ideia do blog. A angústia para contar que iria se casar (uma man repeller?!) é o ápice da preocupação com as leitoras do blog.

Todo mundo, homem ou mulher, jovens mais que velhos, se vê em situações constrangedoras. Algumas são criadas em casa, diante do guarda-roupa, mas você só saberá que fez a escolha errada quando chegar na festa. Mesmo assim, dessa escolha nasce o que há de mais importante na vida: uma boa história.

Imagine-se no dilema da compra e de repente sai uma linda mulher com uma saia saruel na sua frente e você (mulher) pensa que pode ser tão sexy quanto ela na mesma calça e compra. Sexy numa calça saruel? Conta outra… E não é que funcionou? Se por sensualidade ou o inverso, fato é que a autora chegou a ter três casos simultâneos, e a calça fez parte deles (ou foi tirada por eles).

Disso nasce a questão que compartilha com as amigas: o que esses homens querem dela realmente? Com as dúvidas existenciais vem a principal afirmação fashion que permeia toda a obra: mais do que tudo, a mulher deve se vestir para si mesma, e Leandra faz da moda, no blog e nas histórias do livro, uma afirmação de sua personalidade.

Se o amontoado de tecidos, cores, cortes e padrões te deixam à vontade, não se preocupe com o resto: fique à vontade. Sem ser cafona, claro. Mas Leandra Medine dosa as dicas com humor, referências pop (só lendo pra entender quantas vezes ela foi comparada a Carrie Bradshaw) e citações que vão além do óbvio, passando por livros, jornalismo e diversas influências culturais, fruto de sua multiplicidade familiar (pais imigrantes, vó turca, educação judaica…).

Dos livros da Novo Conceito que chegaram até hoje para o Bebida Cultural, Man repeller foi o que menos quis ler, mas, depois de ler, o que mais gostei até agora. Pode não ser o livro da sua vida, mas certamente vai te fazer lembrar de alguém.

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