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INCENDEIA-ME | LITERATURA

Incendeia-me
Incendeia-me

Na parte da infância em que eu me dividia entre a vontade de ser astronauta – como toda criança – e a de ser ninja, houve também o período em que quis ser a Vampira, dos X-Men. E, claro!, namorar o Gambit. Na época, obviamente, focava-me apenas na coisa da super-heroína poderosa, ultraforte e capaz de voar, com o cara charmoso das cartas de baralho explosivas a chamando o tempo todo de chérie (não sei se é assim mesmo que ele a chama nos quadrinhos, mas pelo menos era na versão animada à qual eu assistia). Ignorava, na minha doce ingenuidade, como devia ser duro passar a vida inteira sem poder tocar em ninguém.

Foi impossível não pensar nisso ao começar a história de Juliette, a heroína da trilogia Estilhaça-me. Com apenas 16 anos e trancada a 264 dias numa espécie de sanatório sob a acusação de assassinato, seu toque causa agonia profunda em quem ousar encostar nela. Pior: é letal.

As comparações com X-Men também são inevitáveis ao longo da série. Entre o fim do primeiro livro e o segundo, Liberta-me, Juliette descobre não ser a única a ter um dom. No cenário distópico da narrativa de Tahereh Mafi, o sobrenatural ganha espaço com as mutações genéticas sofridas pelos seres humanos, as quais criaram poderes como telecinese, invisibilidade, eletricidade, cura e a superforça da narradora/protagonista. Além de esconderijo da resistência ao governo do Restabelecimento, o Ponto Ômega também não deixa de ser a versão subterrânea e quase apocalíptica da Escola para Jovens Superdotados, tendo em Castle um Professor Xavier sem cadeira de rodas e que, em vez da telepatia, usa o pensamento para mover objetos.

Se paralelos são inevitáveis para quem conhece ao menos um pouquinho do universo Marvel (mesmo que seja apenas pelos desenhos animados ou pelo cinema), isso não significa, contudo, que Mafi não constrói uma história original, forte e tormentosa  como sua protagonista. E isso acaba se dando não pela combinação entre distopia e sobrenaturalidade, mas pela junção universal entre desprezo e aceitação, entre solidão e amor. Ao tratar do drama da adolescente solitária e banida da sociedade por não ser compreendida, a escritora fala, certamente, do drama de quase todos os adolescentes do mundo em busca de alguém que o aceite. E que o ame.

Nesse sentido, a jornada de Juliette atinge seu auge no encontro com Warner. Diante do personagem mais complexo da trama – e sobre o qual é possível conhecer um pouquinho mais no conto Destrua-me, disponível em e-book liberado gratuitamente pela editora Novo Conceito, assim como Fragmenta-me –, é impossível não torcer para que ele suplante o mocinho Adam Kent (Team Warner!) e ganhe o coração – e o corpo e a alma – de Juliette.

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Warner é, sem dúvida, o melhor dos livros de Mafi, sobretudo do recém-lançado Incendeia-me. O título do terceiro volume, que faz alusão ao fato de o personagem ter gravado na pele, em forma de tatuagem, o verbo incendiar, faz jus ao casal, porque são os dois, juntos, que põem fogo não só um no outro, mas na história e nos leitores – ou, pelo menos, nas leitoras. Justamente por isso é que a única frustração, ao final da trilogia, é o fato de conclusão ser mais centrada na trama política do que na história de amor.

De todo modo, em meio a mortes e destruições literais, a escrita extremamente poética da jovem autora americana descendente de iranianos supre qualquer carência dos correspondentes metafóricos de sangue e fogo: porque aquece e faz o fluxo acelerar nas veias.

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