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AS SETE IRMÃS | LITERATURA

As Sete Irmãs
As Sete Irmãs

Lucinda Riley fez seu dever de casa ao escrever As sete irmãs. O inocente que encontra o livro nas prateleiras e vai direto à narrativa, sem ler a orelha com informações sobre a autora, se sente em um romance histórico brasileiro. No Rio de Janeiro de hoje ou da década de 1920, elementos da paisagem e mesmo questões culturais vêm em descrições de quem parece viver no lugar.

Riley é irlandesa, mas vive em Norfolk, na Inglaterra, e sai para passar férias no sul da França com a família. De onde vem o interesse pelo Brasil, perguntaria o leitor tupiniquim. Da História, uma de suas paixões, que lhe serviu para apoiar pesquisas enquanto exibia seus olhos azuis pelos palcos e telas, e que a seguiu e orientou pelas letras best-sellers mundo afora.

 As sete irmãs, apesar do nome, passa por seis irmãs e foca em apenas uma, Maia, a mais velha das Plêiades. As outras cinco que aparecem demonstram sua personalidade e abrem caminho para outros livros dessa heptalogia que a Novo Conceito traz para o Brasil. A sétima irmã, sabemos desde a lista de personagens apresentada no início, como nos textos teatrais, é dada como não encontrada. Talvez nos próximos livros saibamos mais sobre ela, mas vamos falar de Maia.

A primeira parte é contada pela protagonista, filha mais velha da prole adotada aos poucos por Pa Salt, apaixonado por mar e morador de uma grande casa, quase um castelo, isolado de acessos por terra, perto de Genebra, na Suíça. Enquanto as irmãs foram para longe, Maia passou a morar num anexo da casa do pai, onde podia trabalhar em suas traduções e cuidar daquele que a adotou e educou.

Quando o livro começa, Maia está em Londres, em visita a uma amiga, e recebe a notícia por Marina, a guardiã das irmãs, de que Pa Salt morreu. Faz o possível para contactar as irmãs e voa para casa, onde descobre que já houve funeral e o pai está no fundo do mar, tudo orientado pelo próprio antes de morrer. Enquanto espera a chegada das irmãs pelos dias seguintes, Maia reconta a história que ouviu e pensa em sua vida.

Com todas reunidas, o advogado da família conta às irmãs que na escultura que adorna o jardim existe uma frase secreta para cada uma, assim como a orientação sobre o lugar de onde vieram. E para cada uma, Pa Salt deixa uma carta, que devem abrir quando acharem melhor. Passada a burocracia, as irmãs seguem e Maia fica abandonada em casa.

A partir das coordenadas e sob a pressão de um passado que ela quer ignorar, vai (ou vem) buscar sua origem no Brasil, no Rio de Janeiro, onde se depara com um fascinante Cristo Redentor, que tem mais segredos sobre a vida dela do que pode imaginar. E ainda tem como guia um dos escritores que traduz, que se mostra solícito e simpático, como todo bom brasileiro.

A mudança na narrativa se dá quando encontra a Casa das Orquídeas (nome de outro livro da autora), onde, segundo as coordenadas, nasceu, e recebe negações da senhora que ali vive. No entanto, cartas entregues pela criada a levam para outro Rio de Janeiro, o de 1927, em que vivia Izabela, sua potencial bisavó e cujas feições são bem próximas às suas. A partir de então, sob a voz narrativa de Bel, a história fica piegas e toda a tensão construída até então se esvazia aos poucos.

Quando viaja para Paris, depois de prometida pelo pai italiano para um noivo português, Bel se vê em meio aos grandes nomes da produção artística do momento, assim com sujeita às questões sociais que envolviam menos pudor e mais álcool. Quase uma versão mulherzinha de Meia-noite em Paris. Em meio a questões amorosas e dúvidas sociais, Bel se mostra apenas como mais um personagem, sem grande personalidade e incapaz de prender a atenção.

A história segue e, principalmente quando chega ao Rio de Janeiro, as questões históricas se mostram quase impecáveis, isso gera atração e constante desconfiança para saber onde Lucinda Riley vai errar. Errou em Bel, mas o livro não se limita a ela, assim como a história segue por outras seis irmãs, cujas forças enquanto personagens são, em boa parte, mais instigantes que em Maia. Vejamos o que será escrito para elas.

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