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PERDENDO-ME | LITERATURA

Perdendo-me
Perdendo-me

Há livros nos quais a gente não espera se perder, até que acontece. Com o perdão do trocadilho óbvio, provavelmente até infame, foi o que aconteceu com Perdendo-me, da escritora Cora Carmack. Sentei-me para lê-lo sem qualquer pretensão, mas acabei, me perdendo ali, entre as páginas, entre as (poucas) horas para percorrê-las, entre torcidas pelo final feliz evidente, mas pelo qual a gente torce mesmo assim.

É claro que o romance não aspira a ser um daqueles que nos deixam perdidos ad aeternum quando transformam alguma coisa bem lá no fundo, tornando difícil sermos nós mesmos de novo um dia. Não, Perdendo-me não nos faz perder uma parte de nós nem encontrar outras, ocultas. Mas faz com que a gente perca a noção do tempo enquanto o lê. E que encontre um pouco de sorriso e ternura.

A história é bem simples, para não dizer clichê. De acordo com a sinopse, Bliss Edwards vai se formar na faculdade aos 22 anos e ainda é virgem. Na verdade, é a única virgem da turma e, com certa pressão da melhor amiga, decide que o único jeito de lidar com o problema é perdê-lo da maneira mais rápida e simples possível com uma noite de sexo casual. Só que as coisas se complicam quando ela perde a coragem bem na hora H e, com a desculpa mais esfarrapada do mundo, abandona o lindo desconhecido (ou recém-conhecido) em sua própria cama. Como provoca a mesmo sinopse: “Como se isso não fosse suficientemente embaraçoso, Bliss chega à faculdade para a primeira aula do último semestre e… adivinhe quem ela encontra?”.

Nem a quarta capa nem a orelha revelam quem é o cara, mas antes mesmo de começar me pareceu tão patente que não vou ter pudores de comentar aqui. Tendo a achar que envolvimentos romântico-sexuais entre professores e alunas sempre renderão, se não processos, boas histórias, porque não há como negar que existe um quase interdito aí. Mesmo no Brasil, onde não se pratica o mesmo rigor norte-americano sobre o tema, é preciso reconhecer que relacionamentos do tipo caminham numa linha tênue entre paixão e jogo de poder. Por mais afetiva que tenha de ser uma relação em sala de aula, as posições de dominância e subalternidade sempre irão existir, de uma maneira ou de outra.

Cora Carmack, porém, não faz questão de explorar essa faceta e se concentra no aspecto romântico do caso. Mesmo que presos, por artimanhas do acaso, numa relação professor-aluna, tanto Bliss quanto Garrick não passam de jovens descobrindo o amor. E mesmo o tema do sexo, que abre a narrativa, não é senão um pano (bem) de fundo, um gatilho para o envolvimento súbito e inusitado os protagonistas, o qual fica sem importância logo depois.

Não deixa de ser significativo que ambos sejam atores num curso de teatro, seja em cena – Bliss – ou por trás dela – Garrick. Uma coisa é certa: perder-se em outros personagens é também uma forma de lidar com os próprios dramas ou com os próprios desejos. Às vezes, para algumas pessoas, perder-se num livro também.

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