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O ORFANATO DA SRTA. PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES | LITERATURA

O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares capaCrianças que têm amigos especiais, que alguns chamam de amigos imaginários, são comuns.  Pais e avós às vezes incentivam essas amizades, alegando fazer parte do desenvolvimento imaginativo infantil. Na maior parte das vezes, as crianças crescem e os amigos da infância somem, e quando isso não ocorre, o adulto deve despistar suas amizades ou pode ser considerado maluco.

Jacob Portman nem cresceu tanto assim e aos 16 anos passou a frequentar o analista por conta de um trauma causado pela morte do avô. O velho Abraham Portman nasceu judeu numa europa perseguida pelo nazismo e conseguiu escapar quando os pais foram levados para campos de concentração, de onde nunca mais voltaram. Essa parte da história o avô não gostava de contar, mas não se cansava de repetir desventuras sobre seu destino a partir de então: o orfanato da Srta. Peregrine.

Enquanto contava as histórias sobre sua infância para o neto, ainda pequeno, descrevia os amigos que levitavam, que tinham abelhas em torno do corpo ou mesmo levantavam enormes pedras como se fossem penas. Parecem personagens de circo e até foram, mas ficavam sob os cuidados da Ave, como era chamada a diretora do orfanato. Abandonados pelos pais, como o próprio Abe, acabaram encontrando uma família ali. Um dia, balançado sobre a veracidade dessas histórias, o pequeno Jacob questionou o avô, que não se fez de rogado: entrou em casa e voltou com uma caixinha de fotos dos amigos.

Certo dia, o avô tem mais um de seus ataques esquizofrênicos e no telefone insiste que está sendo perseguido. Quando o neto chega para ajudar o avô, encontra-o nos últimos suspiros na mata atrás de casa e vê uma criatura estranha, com tentáculos na boca. O amigo que estava com ele não vê e por isso o adolescente Jacob passa a conversar com um analista.

Quando é convencido de que tudo não passou de imaginação, fruto das histórias de infância do avô, os “acasos” da vida fazem com que chegue às mãos de Jacob, como presente do avô, uma carta escrita pela Srta. Peregrine. É o suficiente para que queira visitar a Inglaterra, onde fica o orfanato, e o pai aceita acompanhá-lo, pois parece ser um lugar bom para observação de pássaros, seu novo hobbie.

Se até esse ponto pode-se imaginar que Jacob tem imaginação fértil, isso muda quando, na ilha, encontra o orfanato: uma casa em ruínas, velha e assustadora, com esboço expressionista que Tim Burton em 2016 levará para as telas. As tábuas que rangem e a nuvem de poeira não afastam o jovem de procurar pelo quarto do avô, mas uma súbita escuridão o deixa apavorado: vozes que se referem a ele… ou seria a seu avô?

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Um destaque desse livro, além da história bem contada, é a parte mostrada. Desde a capa, a narrativa é acompanhada pelas fotos que são mencionadas no texto. Das relíquias do avô a outros retratos, além de outros objetos presentes na história, as imagens têm ar de foto antiga e trazem ao leitor todo o incômodo que o jovem Jacob deve ter sentido ao vê-las. Incômodo que começa na capa desta edição da Leya, em que alguns arranhões parecem terem sido feitos sobre a impressão.

Nessa história que transita por gerações, Ransom Riggs trata de amor familiar, dinheiro, imaginário popular e tempo, ou tempos de maneira envolvente para jovens e adultos. Se no presente de Jacob restam os destroços da casa em que foi feliz o avô, através de uma fenda no tempo ele consegue visitar a casa e os habitantes, as crianças que, mesmo com oitenta anos, aparentam pouco mais de uma década.

Ali dentro, é sempre o mesmo dia, a cada 24 horas ele começa de novo e, num objetivo e pragmático eterno-retorno nietzscheano, os habitantes da cidade vivem cada dia como se fosse o único. Isso não vale para os moradores do orfanato, que anotam o comportamento dos cidadãos ou jogam com eles, num dia causando terror na vila que, no dia seguinte, viverá como se nada tivesse acontecido. Divertem-se, como cabe às crianças.

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Enquanto o leitor se entretem com as idas e vindas de Jacob, também percebe o aperto que ele passa para esconder tudo isso do pai, ou seria levado de volta para casa e para o analista. O que Jacob descobre aos poucos é que o orfanato não está livre de problemas, assim como nenhum de seus moradores, os seres peculiares. E Jacob faz, assim como seu avô fez, parte de toda essa trama, pois nenhum dos dois foi parar em vão naquela aconchegante casa dirigida pela Srta. Peregrine.

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