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WALT NOS BASTIDORES DE MARY POPPINS | CRÍTICA

Walt nos Bastidores de Mary Poppins
Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Walt Disney, um nome que dispensa apresentações. Não pelos grandes parques existentes, mas sim pela sua história e completa ligação com a história cinematográfica. Em uma época em que blockbusters ainda não existiam, Disney revolucionou a sétima arte com suas histórias e releituras. Vencedor de 22 Oscars e tendo outros 4 carecas honorários, ele não só era conhecido como o Midas de Hollywood, como também pelo seu egocentrismo. Muitas histórias são contadas sobre a pessoa dele, algumas de completo egoísmo, mas não é em Walt nos Bastidores de Mary Poppins que o público poderá conhecer. Na verdade, o filme talvez tenha sido traduzido de tal forma para mostrar a ligação do gênio com a adaptação do livro de P.L.Travers, mas o longa é mesmo totalmente ligado com a vida da escritora e a origem do seu Sr. Banks.

A trama conta a história de quando a escritora P.L. Travers (a lendária Emma Thompson) viaja de Londres para Hollywood, em 1961, para discutir o desejo da Disney em transformar sua história em filme. Walt Disney (brilhantemente interpretado por Tom Hanks) encontra uma mulher teimosa e intransigente, que não só suspeita do conceito do empresário para o filme, mas que luta com seu próprio passado. Contudo, embora relutante em conceder os direitos do filme para a Disney, ela percebe que o aclamado contador de histórias de Hollywood tem seus próprios motivos para querer fazer o filme, que, como a autora, aponta para a relação que ele dividia com seu próprio pai no início do século XX. Uma batalha que durou 20 longos anos, mas que acabou com o sucesso de Mary Poppins nos cinemas.

Desde as primeiras cenas duas coisas chamam atenção no filme: o modo com que a história é contada e a presença da composição para o filme Mary Poppins. As notas são entoadas ainda sem a presença de qualquer personagem, já que as imagens começam vindo do céu, local do qual a personagem título da obra de Travers chega em sua trama. De tal forma nós temos início a narrativa, fazendo com que o roteiro alterne entre os momentos da autora quando adulta e outros da sua infância. É também de tal forma, guiado por uma direção simples, que o espectador descobre fatos sobre a criadora de Poppins. Nos devaneios e momentos do passado podemos ver sua infância, frustrações e felicidades. Além disso, a produção apresenta uma ambientação convincente para 1961, com boas características e figurinos para o tempo em questão.

Os dois grandes destaques do filme ficam, sem dúvida alguma, centrados em Emma Thompson e Tom Hanks. Ambos mostram ótimas atuações ao longo da produção, mas ela começa realmente centrando os olhos do espectador em Emma e sua interpretação para P.L. Travers. Walt Disney na verdade aparece apenas uns 15 minutos após o início do longa, na televisão do hotel, sendo criado uma grande expectativa para isso no decorrer de tal tempo, sempre fazendo referências ao mesmo, mas sem utilizar o seu nome. Todo o elenco está bem, mas outros dois nomes acabam se destacando de forma  interessante: Paul Giamatti e Colin Farrell. É também utilizando um pouco de ambos que o espectador vai entendendo Travers na trama e sua relutância para ceder ao Walt Disney os direitos de sua obra. Giamatti no presente, servindo de motorista para ela, enquanto Farrell interpreta o pai de sua  personagem.

Contudo, se existe algo conturbado no filme e que lhe prejudicou na corrida por prêmios é a forma com que Walt Disney acaba sendo abordado. Em 1961, as tosses já tomam conta de seu personagem, assim como temos a presença do fumo em apenas uma cena. Entretanto o incomodo é causado pelo fato de que o mesmo é apresentado quase sempre sorrindo, evitando mostrar suas cobiças e ações de um homem de negócios. Em poucos momentos podemos ter uma pequena amostra do seu lado empresário e egoísta, mesmo que a primeira cena de Hanks interpretando-o pessoalmente seja em frente aos seus muitos prêmios.

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É através dos elementos e pequenas ligações de Mary Poppins com o filme e seu decorrer que também conhecemos a relação conturbada dos personagens. A autora tinha uma verdadeira aversão ao empresário com suas animações e felicidades. Enquanto isso, Disney tentava lhe agradar de todas as formas para conseguir levar sua obra para as grandes telas. Exigências são feitas no meio de tantas batalhas de egos, com direitos a poucas cenas de total discordâncias, mas muitas de compreensão. Mas será que realmente era assim? Claro que não.

Além disso, o filme em si acaba também trabalhando realmente muito em cima do passado e o que isso significou para a criação de uma história. É de tal forma que o público também entende um pouco mais sobre as discordâncias entre P.L.Travers e Walt Disney, que lembrava o pai dela, outrora falecido, pelas suas atitudes. Aproveitando todos estes fatos, o filme também constrói uma belíssima relação de pai e filha, com inocência e verdades da vida adulta, com lembranças que agradavam e outras não. Lembranças de uma infância, perdas e a inspiração para criar um mundo encantado. Contudo, aproveita também para mostrar a forma com que os envolvidos chegaram em um acordo, levando uma das maiores e mais bonitas histórias de todos os tempos ao cinema e salvando o Sr.Banks, mesmo que Travers não tenha escondido seu desgosto pela adaptação após ser lançada.

Classificação:
Bom

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Marco Victor
Fundador do Jornada Geek e formado em Jornalismo, mas também um grande amante de filmes e antigo frequentador de locadoras. Outras paixões também existentes estão em Séries de TV, HQs, Games e Música. Considera Sons of Anarchy algo inesquecível ao lado de 24 Horas, Vikings e The Big Bang Theory. Banda preferida? São muitas, mas Slipknot ocupa um lugar especial. Espera ansioso por qualquer filme de herói, conseguindo viver em um mundo em que você possa amar Marvel e DC apesar de ter no Batman e As Tartarugas Ninja como os seus heróis favoritos.

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