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TRASH – A ESPERANÇA VEM DO LIXO | CRÍTICA

Trash - A Esperança Vem do Lixo
Trash – A Esperança Vem do Lixo

Toda vez que o nome de Stephen Daldry começa a circular no meio cinematográfico o mundo cinéfilo se ouriça com a possibilidade de mais um grande filme. Não era para menos, já que além de aclamado pelo público, adorado pela crítica, seu nome é habituè em circuito de premiações, em especial o Oscar, que indicou todos seus quatro longas-metragens a melhor filme e o colocou entre os finalistas de melhor diretor três vezes. Agora o desafio era maior. Adaptar seu mainstream a uma escola totalmente diferente, criar uma atmosfera que contrasta com a sua inércia gélida e brilhante de seus filmes anteriores. Para os brasileiros seria a chance de ver o país e seus atores em uma grande produção estrangeira com alma tupiniquim. Ou tupiniquim com alma estrangeira? Em meio a troca de influencias um filme sujo, ora divertido, às vezes truculento, que expõe o que de mais ruim existe por aqui. E em tempos de eleições, é muito bem-vindo.

Quando Raphael (Rickson Tevez) encontra uma misteriosa carteira com dinheiro em alguns papéis no lixão onde moram e procuram o sustento diário, alguma coisa o diz que sua vida e a de seus amigos Gardo (Eduardo Luís) e Rato (Gabriel Weinstein) mudará para sempre. Porém, o policial corrupto Frederico (Selton Mello), a mando do deputado Santos (Stepan Nercessian), também está à procura do objeto. Quando ele descobre que os três garotos estão com a carteira, um grande jogo de gato e rato começa, onde só lhes restarão a ajuda do missionário Julliard (Martin Sheen) e da voluntária Olivia (Rooney Mara), que entenderão que em país de corrupção, a justiça nem sempre prevalece.

O livro de Andy Mulligan, no qual Trash foi adaptado, não diz bem ao certo de que país se trata, apenas que é dominado pela desigualdade social e corrupção, porém foi um grande acerto trazer esta realidade para o Brasil, já que sabidamente sofremos com as mazelas da desonestidade em todas as esferas da sociedade, além de acompanharmos em noticiários que a miséria e a criminalidade estão presentes em todas regiões do país. Mas, não seria um trabalho fácil para o roteirista Richard Curtis compreender tudo o que está por trás de todos estes problemas, por isso talvez a trama tende a cair em um jogo maniqueísta, onde o estado é a vilania e o povo sofrido são os heróis. Entretanto, com a colaboração de Felipe Braga, responsável pelo bom Latitudes (2013), o enredo consegue se manter com um grau de veracidade social, mesmo que toda a correria em meio a códigos e números possa parecer pueril em demasia.

O que mais chama a atenção é o trabalho de Stephen Daldry. Sim, pois Trash – A esperança que vem do lixo em nada lembra seus estudos sombrios da psique humana de seus melhores filmes, As Horas (2002) e O Leitor (2008). Nem mesmo o singelo e mais colorido Billy Elliot (99) e o aventuresco Tão Forte e Tão Perto (2012) não se assemelham ao seu novo projeto em linguagem e narrativa. Aqui presenciamos um Daldry inquieto, talvez por buscar em seu filme a compreensão para tudo o que acontece em um país como Brasil, ou talvez uma tentativa de se fazer algo que não lhe é inerente. É mais humano, pessoal, e quase pode sentir sua posição em relação ao que acontece no decorrer do filme. Para quem gosta de cinema, pode-se compreender que se trata de um aprendizado, uma forma de o diretor buscar um enriquecimento cultural, para seus fãs, uma decepção.

Falando um português palpitante, Rooney Mara e Martin Sheen apenas fazem número, apesar da contribuição de seus personagens com a continuidade da trama. O filme na verdade pertencem aos três pequenos heróis, que se saem bem e parecem não se sentirem inseguros, mesmo em uma produção americana, principalmente Eduardo Luís, que tem de ser a razão entre a emoção de Raphael e o desleixo de Rato. Selton Mello é o figurão brasileiro de destaque no filme, e consegue ser cínico e sádico o suficiente para assustar na pele do policial corrupto. Mas quem tem a melhor cena é Nelson Xavier, na pele de um ex-militante preso injustamente precisa de apenas alguns minutos para mostrar o ator extraordinário que é.

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Trash veio em um momento importante do país, em meios a escândalos de corrupção, eleições e manifestações populares pode levar ao mundo um olhar que ao mesmo tempo que enfatiza o país de gente poderosa desonesta, também revela que dos lugares mais improváveis vem a esperança. E nessa composição pouco usual de um diretor com cacife acima da média no comando de um enredo explosivo encontramos um filme bom, que agradará o público e dividirá a crítica. Seria excelente se fosse dirigido por um diretor qualquer, mas como se trata de Daldry e de tudo que se espera dele, fica apenas na média.

Classificação:
Bom

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