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TRAPAÇA | EM DVD / BLU-RAY

Trapaça
Trapaça

Cada diretor se destaca por algum motivo durante sua carreira. Steven Spielberg chamou atenção através de sua abordagem em Tubarão e Encurralado, passando rapidamente para o gênero de ficção e virando referência dentro do gênero, para futuramente passar para a guerra. Alfred Hitchcock chamou atenção do mundo com sua fórmula de suspense, enquanto agora o diretor David O.Russell é o responsável por atrair olhares para o seu elenco. Desde O Vencedor, a trajetória do diretor tem crescido e a escalação de seus elencos tem ganhado cada vez mais destaque. As repercussões de seus trabalhos anteriores, juntamente com seu método de direção determinam características próprias para o desenvolvimentos de suas produções, com personagens sempre ao centro das atenções, agora a fórmula se repete em Trapaça.

Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Após serem presos, os dois são forçados a colaborar com o agente do FBI Richie DiMaso (Bradley Cooper), infiltrando-se no perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo em que tudo acontece, o trio acaba se envolvendo na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), aparecer e mudar as regras do jogo.

 Logo em seu início Trapaça vai direto ao que interessa, mostrando Irving arrumando seus tufos de cabelos na primeira cena, se preparando para entrar em ação já colaborando com Richie Dimaso. Após tal cena, com uma breve discussão e uma operação dando errada, a narrativa retorna ao passado e utiliza os personagens para construir o seu desenvolvimento. É desta forma que David O. Russell dirige o seu filme, evoluindo personagens com diversas visões e decisões diferente de cada um deles, sempre buscando a tentativa pela surpresa no ato seguinte. Enquanto isso, a trilha sonora e ambientação agem de forma perfeita, com um figurino realista referente à década de 70 para a execução do projeto.

Como de costume nos filmes de Russell, é através de personagens e com um foco especial neles que o filme é desenvolvido. Desde os primeiros momentos os sinais podem ser percebidos, já que logo de início todos já aparecem com suas atitudes determinadas, cada um buscando seu objetivo. O decorrer da história tem um partir exatamente daqui, mas volta ao passado para explicar o ponto presente, com narrativa de Irving e Sydney. Neste ponto o espectador conhece mais dos trapaceiros, desde o momento em que se conheceram, o que envolve cada um, até o momento em que são capturados. Quando tal fato acontece, é a vez de Dimaso tomar a frente em certos pontos narrativos, mesmo que também sejam mostrados visões de outros nomes. Além disso, o prefeito Carmine entra em cada vez mais foco, enquanto Rosalyn é introduzida na trama com sua forma espontânea e sinceridade.

Um ponto interessante é perceber como cada um dos envolvidos tem sua própria visão através do que o outro fala. Todos se acham grandes em suas percepções, tentando esconder também sua verdadeira realidade de qualquer forma. Uma personagem finge que é britânica, enquanto outro esconde sua careca. Quando você pensa que está tudo resolvido, descobre também que o agente do FBI não é tão esperto e grandioso como parece. Todos estes fatos transformam trapaça em mais uma grande encenação em diversas visões. Cada personagem se esconde, ao mesmo tempo  que não confia totalmente em seu “parceiro”.

Por vezes até o próprio espectador não consegue definir o que é verdade, o que pode ser encenação na casualidade e cotidiano dos personagens envolvidos. Tudo é fruto de um elenco brilhante, que mesmo até os que aparecem menos, como é o caso de Jennifer Lawrence, conseguem o seu espaço e destaque. Por falar nela, mesmo com poucas cenas, Rosalyn é a grande chave para todo o decorrer do filme, com sua fórmula verdadeira de agir. Pode ela ser a única sinceridade presente no filme, com ações espontâneas eu mudam o curso da trama em diversos momentos. Contudo, mesmo com tantos fatos, e um elenco brilhante, Trapaça não consegue ser perfeito por ficar simplesmente cansativo. Com pouco menos tempo de filme, talvez a produção agradasse completamente, atingido o objetivo pretendido de mostrar um grande golpe e um ótimo filme de investigação policial, com elegantes críticas a sociedade corrupta de sua época.

Classificação:
Bom

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Marco Victor
Fundador do Jornada Geek, formado em Jornalismo pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (atualmente conhecido como UniAcademia), mas também um grande amante de filmes e antigo frequentador de locadoras. Outras paixões também existentes estão em Séries de TV, HQs, Games e Música. Considera Sons of Anarchy algo inesquecível ao lado de 24 Horas, Vikings e The Big Bang Theory. Espera ansioso por qualquer filme de herói, conseguindo viver em um mundo em que você possa amar Marvel e DC apesar de ter no Batman e As Tartarugas Ninja como os seus heróis favoritos.
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