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TIM MAIA | CRÍTICA

Tim Maia
Tim Maia

As cinebiografias vem sendo uma grande aposta do cinema nacional sendo que as de grandes nomes da música popular brasileira se tornaram abundantes nesta última década. Desde Cazuza, o tempo não para (2004), nomes como Noel Rosa, Renato Russo e Luiz Gonzaga tiveram sua vida transportada para as telonas. Porém, faltava algo que elevasse o conteúdo da obra de homenagem romantizada (não que tenham sido filmes ruins) a obra cinematográfica de qualidade, com uma dosagem interessante de humor e comédia dentro de um musical de qualidade que não deve nada a Hollywood. Além, é claro, de uma trilha sonora com o melhor de um dos maiores mitos da música brasileira.

A filme conta a trajetória de Sebastião Rodrigues Maia, o Tim Maia, que iniciou sua vida como um entregador de marmitas, o que lhe dava a alcunha de Tião Marmita. Em sua fase juvenil, se enveredou pelo ramo da música, se grande amor, com nomes como Roberto e Erasmo Carlos. Depois de muita confusão, que inclui uma passagem pelos Estados Unidos, prisões e consumo de drogas, atinge o estrelato. Contudo, sua personalidade instável é tão forte quanto sua genialidade musical, sendo que seu lema “sexo, drogas e drogas” foi preponderante para sua morte prematura aos 55 anos em 1998.

Primeiramente tem de se destacar que estamos diante de um personagem que por si só seria digno de um filme, sem mesmo se não fosse um sobrenatural em compor músicas. Sim, muito do acerto do roteiro escrito a quatro mãos pelo diretor Mauro Lima e Antônia Pellegrino se deve ao intimismo quase exagerado com que tratam Tim Maia. Se concentram em explorar todas as nuances possíveis e desdobramentos que o comportamento do “síndico” pode apresentar. Isso faz com que os personagens coadjuvantes percam força e fiquem apenas no apoio às sacadas cômicas ou furiosas que a todo momento surgem na tela.

Entretanto, a forma como introduzem a música como auxílio narrativo suprem a necessidade de personagens periféricos mais trabalhados. As canções não são colocadas apenas como um saudosismo barato, para preencher lacunas e esticar a duração, tudo o que se canta está complementando o que se vê. Óbvio, que o Fábio de Cauã Reymond, que narra a história, tem um papel importante, assim como a Janaína de Aline Moraes e até mesmo o caricato Roberto Carlos de George Sauma, mas como se trata de uma figura excêntrica e autodestrutiva, o filme não nos impõe a necessidade de qualquer suporte dramático ou humorístico.

A crueza com que se trata as passagens da vida do cantor é outra qualidade que pouco se vê em outras cinebiografias. Talvez pela aspereza de Nelson Motta (autor da obra que deu origem ao filme) ou mesmo pela opção de Mauro Lima, o que vemos é algo sem glamour, feio, pesado e que causa revolta. Como alguém tão talentoso não consegue entrar na linha? Nessa onda, o longa consegue contextualizar tempo e espaço, com condições sociais que podem até tentar explicar a fúria que o torna inquieto. Porém, o diretor tenta nos induzir ao impossível, pois não tem como se aprofundar em julgamentos ou teorias quando somos surpreendidos pela capacidade de se reestruturar artisticamente de Tim.

A beleza da reconstituição de época, que passa por quatro décadas, e da montagem precisa de Bruno Lasevicius ajudam a compor uma atmosfera hipnotizante. O trabalho de Lima é para vivermos o mito e o homem, sem rodeios desnecessários. Isso tudo da força da imagem do cantor, que é até bem defendido por Babu Santana, mas que se perde em momento cruciais por exagerar em trejeitos, gírias e piadas. O nome do filme, todavia, é Robson Nunes, que tem de ser o Tião, o desconhecido, a personalidade artística em formação, que apesar de não carregar a responsabilidade de ser um retrato fiel do cantor, consegue ser furioso e dócil, dualidade que Tim carregou por toda a vida.

Mais do que uma simples cinebiografia de um cantor adorado, Tim Maia é uma homenagem à música popular brasileira e um belo espetáculo audiovisual. Quem acompanha nosso cinema perceberá que está bem acima da média e que não deve nada a outros exemplares do gênero feitos em terras americanas como Johnny e June (05) e chega a ser superior a outros, como o atual Jerseys Boys (14). Saudoso, cômico, dramático e musical. Vale à pena ver pelo cantor, pelo homem, pela música e pelo cinema. Ou seja, vale-tudo.

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