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SEX TAPE – PERDIDO NA NUVEM | CRÍTICA

Sex Tape - Pedido na Nuvem
Sex Tape – Pedido na Nuvem

Ultimamente um gênero que perde gradativamente qualidade é a comédia. Salvo alguns exemplares mais “cabeça” de David O. Russell, Wes Anderson entre outros diretores mais lúcidos, nada que vem se apresentando como um produto “puro” com a simples missão de fazer rir tem tido sucesso. Aquele último momento de fervor, no fim da década de 90 e início dos anos 2000, com atores espirituosos (Adam Sandler, Ben Stiller) e diretores ousados (Peter e Bobby Farrelly, Peter Segal) ainda está na memória, o que aumenta o saudosismo. Porém, o gênero tem feito apostas para tentar sair do ostracismo intelectual, uma delas é Jake Kasdan, que tenta seguir os passos do pai, fazendo em Sex Tape: Perdido na nuvem, humor de assuntos contemporâneos, com um casal bem entrosado como cartão de visitas, mas que sofre ante a argumento frágil.

Desde que se conheceram, Annie (Cameron Diaz) e Jay (Jason Segel) tem um intenso relacionamento sexual, que os fazem não se conter para consumir o ato, seja em uma biblioteca, seja ao ar livre no campus universitário. Quando ela engravida, decidem se casar e construir uma família, que logo ganha um segundo herdeiro. Anos depois, eles percebem que o seu maior temor se concretizou: a vida sexual esfriou. Para dar uma apimentada na situação, resolvem fazer um vídeo de sexo caseiro, que, sem querer, Jay compartilha com familiares, amigos e até um empresário que pretende investir em um blog que Annie administra. Daí para frente os dois tem a missão de evitar que sua intimidade se torne pública, sem medir esforços para cumpri-la.

Jake Kasdan tem no sangue a herança de criar bons roteiros, já que é filho de Lawrence Kasdan, roteirista de grandes filmes como Star Wars episódios V e VI, além de Os Caçadores da Arca Perdida e com indicações ao Oscar na conta. Porém, aqui ele está limitado a apenas dirigir um argumento escrito por Kate Angelo, Jason Segel e Nicholas Stoller, e por isso, deve ter se lamentado por aceitar a tarefa. A trama tem duas partes distintas: na primeira, temos um interessante panorama da sociedade em relação ao relacionamentos, já que cria-se uma discussão, involuntária ou não, se amor e sexo são igualmente necessários para um casamento feliz. Além disso, permeia tudo isso com outro tema, a diminuição da privacidade com o avanço das tecnologias. Até aí, tudo maravilha.

O problema vem na segunda parte, depois que o vídeo acaba sendo compartilhado com outra pessoas e alguém agradece a cortesia. O frenesi tresloucado origina um corre-corre bobo, que, para quem acompanhou os bons filmes dos irmãos Farrelly vão perceber que muitas das situações não são novidade. Na mais clara delas, Jay briga com um cachorro na casa de Hank (Rob Lowe), rememorando a impagável sequência de Ben Stiller em Quem vai ficar com Mary? (1998). Esta falta de originalidade é que deixa toda a discussão que se construiu pueril, piorando ainda mais com aquele melodramazinho básico no final do filme.

Se decepciona como roteirista, Jason Segel consegue manter uma química interessante com Cameron Diaz, talvez por já terem contracenado no fraco Professora sem classe (2011), e suas piadas, caras e bocas são a única coisa que evitam o total enfado na reta final do longa. O diretor Jake Kasdan tenta valorizar as cenas sexuais sem vulgarizar, aproveitando o clima voyeur e o mote hi-tec, mas isso de nada adianta quando o enredo desbanca para o banal. Talvez fosse interessante para sua carreira tentar se o responsável por criar também os roteiros dos filmes que dirige, ou sua ainda curta carreira, pode não passar de um sobrenome famoso.

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Se a esperança dos amantes da comédia de retornarem a assistir a uma palhaçada de qualidade, sem apelações ou paródias, terão pela frente duas escolhas: esperar por um lapso hollywoodiano tal qual foi a quinze, dez anos atrás, ou simplesmente reservar um pouco mais de atenção para as sutilezas intelectuais de diretores mais “cults”, como David O. Russell, Wes Anderson…

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