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ROBOCOP | EM DVD / BLU-RAY

Robocop
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Quando o remake de RoboCop foi anunciado um verdadeiro reboliço tomou conta da internet. Comentários logo surgiram contra a possível produção, sempre relembrando o trabalho original e majestoso de Paul Verhoeven. Tudo isso apenas provava uma coisa: o diretor holandês realmente marcou a geração do filme, conseguindo um grande destaque para a época e para o movimento cinematográfico.  A verdade é que o maior medo girava em torno das mudanças que de fato aconteceriam, será que iriam estragar mais um clássico dentro de seu gênero? O remake seria feito apenas como mais um filme? Bem, a verdade é que ele aconteceu, o brasileiro José Padilha foi escalado na direção e mudanças começaram a surgir. Quando a primeira imagem do protagonista vestido de preto caiu na rede, o escândalo tomou conta, mas o susto se prova maior do que deveria.

O filme se passa em 2029, tendo o conglomerado multinacional OmniCorp como o centro da tecnologia robótica. Os drones estão ganhando guerras ao redor do globo e agora eles querem trazer essa tecnologia para as ruas. Alex Murphy (Joel Kinnaman) é um marido carinhoso, pai e bom policial, dando o seu melhor para conter a onda de crimes e corrupção na cidade de Detroit. Contudo, após ser gravemente ferido no cumprimento do seu dever, Alex acaba tendo a sua vida salva pela tecnologia robótica da empresa OmniCorp. Ele então retorna às ruas de sua querida cidade com novas e incríveis habilidades, mas com desafios que um homem normal nunca teve de encarar antes.

 A narrativa de RoboCop começa sendo trabalhada de forma direta, sem circular muito sobre a época em que o filme é desenvolvido, mas sempre trabalhando o material robótico. O ar ficcional já toma conta da produção desde suas primeiras cenas, com a demonstração de uma tecnologia totalmente avançada, mas também já  começa a trabalhar características de um fascismo camuflado em diversos aspectos. Com isso, o roteiro se mostra direto ao ponto que quer trabalhar em 5 minutos, para logo em seguida apresentar Alex Murphy envolvido em uma investigação. É aqui que entra o elemento policial mais forte e muitos outros conhecidos pelo brasileiro.

Desde a primeira tomada é possível perceber o dedo de José Padilha. O seu método de gravar, sem a câmera completamente estável, tentando passar o máximo de realidade ao espectador é constantemente presente. As câmeras tremem, enquanto as tomadas de ação sem corte são desenvolvidas desde a primeira troca de tiros. E mesmo com tudo isso presente, o diretor ainda consegue encaixar mais dois elementos: corrupção e a imprensa sensacionalista. Através de  Pat Novak, personagem interpretado por Samuel L. Jackson, o espectador tem um elemento completamente parcial nas telas, uma lembrança clara da produção Tropa de Elite e um grande reforço para o fascismo que é claramente trabalhado.

Para construir um remake, seria também necessário um elenco que conseguisse convencer o público, então a presença de Gary Oldman, Jackie Earle Haley e Michael Keaton passa rapidamente a fazer sentido. É claro que o foco fica em sua maioria sobre Joel Kinnaman e seu RoboCop, mas todos os nomes citados anteriormente tem o seu momento de destaque. Cada um deles representa algo dentro do contexto apresentado. Keaton no entanto é o maior contraponto da produção, já que ele Raymond Sellars, CEO e vilão em diversos aspectos. Enquanto isso, Oldman aplica mais uma de suas atuações vivendo o Dr. Dennett Norton. Dois personagens que trabalham juntos, mas tem embates interessantes e levantam discussões morais durante a trama.

A verdade é que o remake de José Padilha realmente criou muitas alterações se comparado ao original, começando pela sua forma de trabalhar em cima de uma história. Aqui ele não foca somente a violência e o sentimentalismo do protagonista, mas também o sensacionalismo e o fascismo disfarçado. O remake leva o espectador para uma guerra em diversos níveis desta forma, conseguindo se mostrar envolvente e discutível desde o seu início. Sempre parece que um lado toma destaque, já que em momentos o protagonista está praticamente transformado em uma máquina, enquanto em outros o seu sentimento toma conta de todas as suas decisões. Saí a completa violência, entra um verdadeiro embate significativo levado ao espectador através de decisões de personagens e de vários pontos de vista. Um filme inferior ao seu original, mas respeitável ao modo Padilha.

Classificação:
Bom

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Marco Victor
Fundador do Jornada Geek, formado em Jornalismo pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (atualmente conhecido como UniAcademia), mas também um grande amante de filmes e antigo frequentador de locadoras. Outras paixões também existentes estão em Séries de TV, HQs, Games e Música. Considera Sons of Anarchy algo inesquecível ao lado de 24 Horas, Vikings e The Big Bang Theory. Espera ansioso por qualquer filme de herói, conseguindo viver em um mundo em que você possa amar Marvel e DC apesar de ter no Batman e As Tartarugas Ninja como os seus heróis favoritos.
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