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PLANETA DOS MACACOS – O CONFRONTO | CRÍTICA

Planeta dos Macacos - O Confronto
Planeta dos Macacos – O Confronto

Depois do fracasso de Tim Burton em tentar trazer aos tempos modernos o clássico de 1968, dirigido por Franklin J. Schaffner, baseado na obra de Pierre Boulle e estrelado por Charlton Heston, muita gente torceu o nariz para a retomada feita pela 20th Century Fox em 2011, com um enredo que nos mostraria a origem do domínio dos símios, encontrados por Heston milhares de anos depois. Mas tiveram de se render a um bom filme, com um roteiro convincente e efeitos extraordinários, que ainda explorava todas as nuances morais que a história inevitavelmente origina. Três anos depois, chegou a vez de discorrer sobre as dificuldades que os humanos encontram para sobreviver e o limiar da evolução dos macacos liderados pelo racional Cesar (Andy Serkins).

Depois que o vírus ALZ-112 se dissemina por todos os cantos do planeta causando a morte de bilhões de pessoas, grupos de humanos vivem em condições precárias fazendo de tudo para se manterem longe do contágio e descobrir uma cura para o chamado vírus símio. Em uma floresta nos arredores de San Francisco, Cesar (Andy Serkins) lidera um grande grupo de macacos e vivem em paz desde os acontecimentos de 10 anos atrás. Porém, quando o líder de um grupo de sobreviventes que moram próximos à floresta, chefiados por Dreyfus (Gary Oldman), decidem capturar alguns macacos para servirem de cobaias para experimentos em busca da cura, um grande confronto se inflama.

É impressionante chegar à conclusão de que o roteiro de Rick Jaffa, Amanda Silver, Scott Burns e Mark Bomback, consegue preencher as lacunas deixadas pelo grande clássico de 68, mostrando sua possível gênese e ainda ser totalmente original. Sim, a involução do ser humano é questão de tempo, e para ser lógico com o enredo clássico, inevitável. Por isso, a história não fica presa nas teorias e as resigna a segundo plano dentro da trama. O que passa a ser interessante é a complexidade sociológicas que são impressas à partir do momento em que uma civilização se forma. A dificuldade que o líder símio encontra para controlar os ânimos, inclusive com a “oposição” representada por Koba, quando o perigo de ataque dos humanos surge. Em contrapartida, Dreyfus entende que a raça mais forte ainda deve predominar, em um ato desesperado e tirânico.

É essa pegada que torna o filme especial. Em seus 131 minutos de película podemos acompanhar uma espécie de “resumão” da história da humanidade, a formação de civilizações poderosas e o declínio das mesmas. As dúvidas e decisões de seus líderes e os fatos que marcariam época. Além disso, o confronto esperado desde o início não consome as ações do filme, e sim, vai se formando pouco a pouco, em meio à sensibilidade das relações familiares e interações inter-raciais que demonstram o teor social que carrega o roteiro. É um filme de ficção científica, com ação bem coordenada e com carga dramática consistente, sem que nenhum deles atrapalhe o resultado final.

Muito desse resultado se deve a duas pessoa envolvidas: o diretor Matt Reeves e o ator Andy Serkins. O primeiro por que consegue segurar a tensão quase insuportável que o longa concentra desde o início, dando espaço para a sensibilidade desenvolver a história, talvez se inspirando na ótima adaptação Deixe-me Entrar, que dirigiu em 2011. Além de explorar ao máximo tudo o que os efeitos digitais podem oferecer sem exageros, o que não gera a sobrecarga de informações visuais que incomodam em filmes como Transformers. Serkins tem sua parte do êxito por ser o cara que revolucionou a forma de se fazer personagens digitais com seu Gollum (O Senhor dos Anéis). Ele não é simplesmente o ator que serve de base para a imagem do macaco Cesar, há ali uma atuação formidável, pois todos os movimentos e expressões são genuínas do ator. Com mais este êxito podemos considera-lo um mito vivo, como John Chambers se tornou em 1968 pela maquiagem no filme original.

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Uma filme imperdível por todos os requisitos que conseguiu consolidar, e que vai agradar todo tipo de público. Aquele que consegue enxergar além e entender todas mensagens implícitas, os que estão à procura de um grande filme de ação com efeitos primorosos ou simplesmente quem é fã de atores extraordinários, que vão encontrar em Serkins sua satisfação. Que venha o terceiro!

Classificação:
Excelente

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