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PETER PAN | CRÍTICA

Classificação:
Bom

Peter pan posterJá são incontáveis as vezes que Peter Pan foi aos cinemas, seja na versão tradicional em desenho animado, seja em live action, principalmente a produção conduzida por Steven Spielberg em 1991, Hook – A Volta do Capitão Gancho. Mesmo com variações em relação ao texto original de J. M. Barrie, todas apontavam a câmera para as principais passagens do original. Porém, sob a batuta de Joe Wrigth, especialista em dramas de época, este novo Peter Pan promete introduzir o público em uma versão não contada, a escalada do garoto Peter ao posto de herói da Terra do Nunca.

Em meio a Segunda Guerra Mundial, o garoto Peter (Levi Miller) vive em um orfanato para garotos em Londres. Certa noite, ele e seus companheiros de instituição são sequestrados por piratas de um navio voador. Eles são levados através das nuvens e do espaço para a Terra do Nunca, para uma mina governada pelo cruel Barba Negra (Hugh Jackman), onde são obrigados a trabalhar como escravos em busca do pixuim, pedra que possui pó de fada. Lá ele conhece James Gancho (Garreth Hedlund) que o ajuda a escapar e liderar o reino das fadas contra a tirania do vilão Barba Negra.

A vantagem de se ter um diretor requintado como Joe Wrigth na condução é que um blockbuster como Peter Pan não se torna simplesmente um filme direcionado para a diversão pura e simples. Há uma preocupação com aspectos que o tornem cinema de qualidade acima de tudo, como uma fotografia bem trabalhada, apuro visual e referências a clássicos, como Oliver! (1969) na primeira parte do longa que se passa no orfanato. Além disso, o roteiro de Jason Fuchs consegue ser conciso na transição do mundo real para o fantástico, sem a pressa de se entrar na parte espetacular da obra.

Esse ponto de vista da construção da figura de Peter Pan é interessante, de um garoto abandonado em um orfanato, uma escória do mundo como a Madre não se cansava de pronunciar, a um herói que podia fazer o impossível, inclusive voar. A questão de se passar durante uma guerra dá uma certa dúvida sobre se o que acontece é de verdade mesmo ou apenas uma imaginação do garoto, e isso expande os horizontes do filme. Uma boa licença poética, já que o original foi escrito por J. M. Barrie em 1911, e brilhantemente mostrado no filme Em Busca da Terra do Nunca, 2004.

Wrigth parece se divertir na direção de Peter Pan. Se utiliza de um lirismo incomum para um filme comercial em suas partes mais delicadas, além de criar uma atmosfera de ópera-rock nas sequências mais grandiosas. Inclusive a aparição de Barba Negra entoando “Smells Like Teen Spirits” em uníssono com seus prisioneiros é sem dúvidas uma das melhores partes do filme. O uso competente dos efeitos visuais, ainda mais se tratando de 3D, o cuidado com direção de arte, figurino e maquiagem ajudam a elevar a qualidade. Pode até o considerar forte nas categorias citadas na temporada de prêmios do fim do ano.

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Entretanto, falta ao filme uma melhor exploração de seus personagens, principalmente o protagonista. A imagem de Peter Pan em momento nenhum conseguiu mostrar evolução ao perspicaz jovem voador que busca Wendy e Cia na história original. Além disso, sua relação com Gancho, apesar de ser muito divertida, também não cria nenhuma situação em que possa desencadear uma futura cisão entre os personagens. Contudo, quem rouba a cena é Hugh Jackman e seu afetado Barba Negra, que ao mesmo tempo que é uma figura divertida, também demonstra crueldade necessária para ser um ótimo vilão.

Se tiver alguma continuação, essa visão da gênese de Peter Pan poderá fazer mais sentido, pois muita coisa termina sem explicação, e isso incomoda. Ainda assim, é um filme divertido, bem feito e que com certeza vai agradar tanto crianças quanto adultos. Para Joe Wrigth foi uma prova de fogo para mostrar que pode sim se aventurar por outras águas, mesmo que sua direção em dramas épicos seja o ideal.

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