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CLUBE DE COMPRAS DALLAS – OSCAR 2014

Clube de Compras Dallas
Clube de Compras Dallas

O mais importante que se pode destacar em Clube de Compras Dallas é sua total despretensão em contar a história de um mito, de um homem que encontrou a iluminação depois de ser colocado à prova pelo destino. Não. Se o cinéfilo correr afoito por isso perderá tempo. Mas, se for apenas assistir a um ótimo filme, com atuações extraordinárias, bem dirigido e com um conteúdo voraz, intimista, que ainda carrega uma parcela aceitável de melancolia, aí aproveitem. Estarão diante de uma das melhores surpresas dos últimos anos.

O “chucro” eletricista texano Ron Woodroff (Matthew McConaughey, incrível) é um machista idiota que ama apenas três coisas na vida: rodeios, bebidas e mulheres. O ano é 1986 e a expansão da AIDS assombra o mundo inteiro. Ron entra nesta história quando se descobre soro positivo e, depois de negar sua situação, passa a procurar uma possível cura. Porém, consegue apenas um tratamento experimental de AZT, ao qual o travesti Rayon (Jared Leto, excelente) também é submetido, sob a supervisão da Dra. Eve (Jennifer Garner). Contudo, ao perceber que a droga não funciona como o esperado, Ron parte para descobrir outras opções, onde acaba esbarrando em interesses empresarias. Com a ajuda de Rayon, abre um clube onde, além de lucrar, encontra ajuda para ele e outros doentes.

Apesar de sermos inevitavelmente nocauteados pela condição física de McConaughey, em um primeiro momento, aos poucos vamos sendo seduzidos pelo roteiro eficiente de Craig Borten e Melisa Wallack. Primeiramente, pelo simples fato de não haver romantização em qualquer um dos aspectos que conduzem o filme. Ron não é um cidadão que passa por uma transformação transcendental, está ali para salvar a própria pele e ganhar dinheiro com aquilo. Obviamente, os eventos acabam por mudar sua relação com a Rayon, ao qual odiava por ser “bicha”, além de despertar seu lado ativista, porém isso não é algo forçado, necessário ao andamento do longa. Apenas acontece.

Segundo, as questões sociais que surgem com o avanço da história e a forma como provoca repúdio aos interesses capitalistas dão ao filme uma aura pessoal, daquelas que puxam o público para a situação e os forçam a tomar partido, defender o comportamento ambíguo de Ron. Isso que o faz interessante. A dicotomia que compartilha o ganancioso, que quer salvar sua vida, com o bondoso, que por conveniência levanta uma bandeira em defesa daqueles que são tratados como ratos de laboratório para que alguns milhões sejam movimentados na bolsa de valores. Jean Marc-Valee trouxe um pouco da escola europeia para o longa, talvez por isso o drama intimista, que conta com uma atmosfera pesada, não chega a causar algum desconforto,

Porém, o que determina o sucesso do longa é a atuação impecável de Matthew McConaughey. Sua evolução como ator, que passa pelos incríveis papeis em Killer Joe e Magic Mike, em 2012, chega ao ponto de maturação completa. E, antes que o público se impressione com a magreza e maquiagem atordoantes, é bom destacar que seu Ron não depende de tais artífices para ser incrível. Justamente a já comentada dualidade de seu personagem é que exige do ator um “fio de navalha” que não lhe permita se tornar vilão e nem mocinho. E sim um homem como todo mundo, que coloca suas aspirações antes de qualquer coisa. Sua parceria com o também excelente Jared Leto torna o favoritismo e possível vitória de ambos, justa e aceitável.

Clube de Compras Dallas é um filme para ser visto e revisto sem um pré-conceito de que se trata de um filme de atuação somente. É um trabalho de cinema intimista, que não exagera, não obriga e nem exige do público mais do que ele pode aguentar. Mas que também vale à pena pela dedicação de seu elenco, que não é maior que o filme, mas que é um show à parte.

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