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O GRANDE HOTEL BUDAPESTE | CRÍTICA

O Grande Hotel Budapeste
O Grande Hotel Budapeste

Wes Anderson é um cineasta definitivamente peculiar e tem uma cinematografia que o distancia da vala-comum. Goste ou não, seus filmes apresentam um diferencial carregado de alegorias e simbolismo com um humor refinadíssimo e personagens únicos. Desde que se tornou notável com seu cult OS Excêntricos Tennenbauns (2001) está sempre se desafiando a criar algo novo, mesmo que a matéria-prima e os arquétipos sejam os mesmos, o ambiente, as motivações não. Até em sua animação O Fantástico Sr. Raposo (2009) conseguiu entregar algo sem o sistema consolidado por Disney/Pixar e seus párias. Com O Grande Hotel Budapeste volta a contar suas fabulosas histórias, com maneirismos, personagens instigantes e arte extravagante, mas com uma segurança que sugere o ponto alto da carreira do diretor.

O filme começa com uma menina que avista uma estátua desconhecida, que logo nos manda a um escritor já idoso (Tom Wilkinson) que começa a falar de seu livro, no qual conta uma história que ouviu de um senhor (F. Murray Abraham) no fim da década de 60 no já decadente Grande Hotel Budapeste. Ele lhe relata sobre o auge do local e como se tornou proprietário nos distantes anos de 1932, onde tudo era controlado pelo concierge Gustave (Ralph Fiennes, ótimo). Entre nazistas, assassinos e obras de arte, acompanhamos o nascimento da amizade entre o concierge e o então jovem boy (Tony Revolori).

Para quem conhece a filmografia de Anderson não vai se surpreender com seu início inquieto, rítmico, mas que nos conduz para a ação sem pressa. Vai passeando pelos acontecimentos dos anos 60 de forma melancólica como a situação merecia. Porém, a mudança de ambiente para os anos 30 é triunfal, ágil e com uma edição contundente que não atropela as situações corriqueiras, que se tornam impagáveis com uma simples mudança de quadro. Mesmo que o longa nos remeta a uma época gloriosa da comédia hollywoodiana dos anos 30 e 40, como uma homenagem a bastiões como Ernst Lubitsch, Leo McCarey e Mack Sennett (pelas pontinhas de pastelão sutis inseridas), este é a afirmação do talento de Anderson em toda sua singularidade.

As variadas formas de direcionar o apetite cômico de seu público é uma das armas mais “mortais” do diretor. Ao mesmo tempo que exagera vigorosamente em closes incessantes, somos surpreendidos por um plano de sequência aberto e caricato, carregado por uma trilha sonora repetitiva e viral assinada pelo experiente Alexandre Desplat. Tudo isso pode ser demais para quem não consegue acompanhar essa wave alucinante em cores extravagantes, o que seria uma pena, pois é ali que Anderson derrama humanidade em meio alegorias. Sim, toda as inquietações em torno de uma herança não passam do estudo do comportamento das pessoas comuns, por mais incomuns que possam parecer. É como um grande quebra-cabeças que viemos juntando as peças por seus poucos e bons filmes.

Entretanto, mesmo com seu talento para delineações humorísticas e personagens icônicos, tudo só funciona com seu sempre grande e competente elenco, e em maioria com seus colaboradores de sempre tais como Bill Murray, Owen Wilson e Edward Norton. Porém, mesmo com o vilão caricato e irresistível de Willem Dafoe, quem rouba a cena é seu mais novo recruta. Ralph Fiennes dá a vida a um Gustave que vive no limite entre a classe e a vulgaridade, que declama poemas ao mesmo tempo que pragueja vocábulos de baixo calão. É aquele em que a trama se escora, mas que, brilhantemente, não limita as mais variadas vertentes que o longa desenvolve. Dentre seus personagens inesquecíveis, o concierge de Fiennes é com certeza o que mais sintetiza a qualidade dos personagens criados pelo diretor.

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O Grande Hotel Budapeste é seguramente o melhor e mais completo filme que entrou em cartaz em 2014 até o momento, além de ter sido aclamado em festivais internacionais como em Berlim. Mesmo que esta volúpia estilística limite o seu sucesso em terras tupiniquins (nos EUA bateu na casa dos US$ 200 milhões), o longa tem tudo para povoar lista de premiações ao longo do ano, o que pode atrair o interesse do grande público e ter o reconhecimento que merece.

Classificação:
Excelente

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