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O FILHO DE DEUS | Crítica

O Filho de Deus
O Filho de Deus

Desde seus primórdios o cinema é apaixonado pela história incrível de Jesus Cristo e o conteúdo alegórico do Novo Testamento. Desde I.N.R.I (1923), um filme alemão mudo dirigido pelo mitológico Robert Wiene, passando pela adaptação bem-sucedida e hollywoodiana de Nicholas Ray em 1961 (Rei dos Reis) e contando com versões modernas como a canadense de Denys Arcand (Jesus de Montreal, 89), ultrarrealistas, como o polêmico A última Tentação de Cristo (89) e o voraz A Paixão de Cristo (2005), de Mel Gibson, todas apresentando um ponto de vista diferente, porém com o fundamento dogmático presente, seja de forma clara ou nas entrelinhas. Agora, em 2014, O Filho de Deus chega com uma proposta de ampliar o horizonte cristão, repleto de clichês e colagens de outras obras, fazendo uma passagem sobre “o plano” de Deus, desde os primórdios do homem.

A história é a mesma que todo mundo, quer dizer, todo cristão conhece: Maria (Roma Downey) é concebida com o poder do Espirito Santo e recebe a missão de dar à luz a Jesus (Diogo Morgado), o Filho de Deus. Quando completa seus 33 anos o messias sai para pregar a palavra de seu pai ao mundo, consegue reunir vários seguidores, opera milagres maravilhosos, como trazer o morto Lázaro (Anas Cherin) de volta à vida. Porém, quanto mais sua figura ganha força, mais a ira do sumo sacerdote judaico Caifás (Adrian Schiller) cresce. Denunciado como herege, Jesus é julgado, crucificado para, ao terceiro dia, ressuscitar dos mortos.

O filme começa sofrendo do mal de todos que são condensados do formato televisivo sofrem, a falta de nexo narrativo, aquilo que deixa o espectador com a sensação de que uma cena não tem nada a ver com a outra, mesmo que a história já seja conhecida. O Filho de Deus é convertida da minissérie produzida pela 20th Century Fox A Bíblia, e extraiu dela os trechos que que giram em torno da passagem de Jesus pela Terra. Talvez devido a este fato, o roteiro nem seja o problema em questão, e sim a forma como o trabalho da edição tenha sido feito. Talvez a ideia tenha sido extrair o conteúdo cristão da minissérie, não só a vida e obra de Cristo, mas a doutrina de seus ensinamentos como um todo. Ainda assim, trechos como o prólogo, que conta com uma “ponta” de Noé são consideravelmente desnecessários.

O diretor estreante Christopher Spencer, documentarista experiente, optou por criar uma espécie de colagem de outras obras cinematográficas sobre o tema, ainda que tenha sido limitado pelas exigências de uma peça televisiva. Suas referências são perceptíveis em ritmo e plástica. Quando mostra as proezas do messias, podemos observar um lirismo singelo, tal qual O Evangelho Segundo São Mateus (64) de Pier Paolo Pasolini, assim como aplica a objetividade de A Maior História de Todos os Tempos (65), de George Stevens. Tenta ser cruel como A Paixão Cristo (05), mas se segura para não ser considerado antissemita como Mel Gibson. A verdade é que lhe faltou a experiência necessária para criar algo singular, que trouxesse para o cinema a surpresa, mesmo tirando de uma história amplamente difundida. Ficou tudo documental e enfadonho demais.

A teatralidade exacerbada, mesmo para um produto para TV, também contribui para que o filme perca em dramaticidade. Os atores parecem não ter entrado no clima da história, e é como estivessem em uma peça estudantil. Obviamente, alguns com alguma experiência se destacam, mas o elenco em sua maioria são caricaturas daquilo que leram no roteiro, ou na própria Bíblia. Mesmo que o diretor carregue sua parcela de culpa, pela falta da experiência em longas como já dito, a atuação, principalmente do núcleo central poderia ter sido mais dedicada ou mesmo apaixonada.

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Se de fato a tentativa da 20th Century Fox foi aproveitar a época certa para tirar proveito de uma obra pré-concebida para lucrar algo a mais com ela, o plano provavelmente irá funcionar. Porém, não será dessa vez que o personagem mais conhecido de todos os tempos terá um filme à altura de sua importância para humanidade. Se para os fiéis, seguidores da doutrina cristã, há a necessidade de assistir a um filme da vida de Jesus Cristo nesse período, para celebrar sua glória, este O Filho de Deus é até válido, mais opções melhores nas locadoras ou em arquivos online existem aos montes.

Classificação:
Regular

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