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O DOADOR DE MEMÓRIAS | CRÍTICA

O Doador de Memórias
O Doador de Memórias

Quando J. K. Rowling tornou febre a literatura infanto-juvenil transportada para o cinema com a saga do bruxinho Harry Potter no início da década passada, muitas obras tiveram o mesmo destino nos anos seguintes, como a bem-sucedida série Crepúsculo (2008). Porém, nos últimos anos, uma nova modalidade do gênero ficou em evidência, a distopia, que rendeu os excelentes dois primeiros filmes de Jogos Vorazes (12 e 13) e em 2014 tem sua tão esperada primeira parte do final. Nessa onda também vieram o bom Divergente, e agora, o enigmático O Doador de Memórias, que aposta na qualidade textual e visual para não ficar à sombra de seus concorrentes.

Uma pequena comunidade vive em um mundo aparentemente ideal, sem doenças, sem guerras ou qualquer outra coisa que ameace sua estabilidade, inclusive os sentimentos. Uma pessoa é encarregada a armazenar as memórias de tempos passados, de forma a poupar os demais habitantes do sofrimento, mas também guiá-los com sua sabedoria. De tempos em tempos esta tarefa muda de mãos e agora cabe ao jovem Jonas (Brenton Thwaites), que precisa passar por um duro treinamento para provar que é digno da responsabilidade. Quando percebe que a sociedade pode ser melhor com a presença das lembranças e emoções, colocará tudo em risco para mudar o rumo da história.

Não tem como não associar O Doador de Memórias, adaptado por Lois Lowry da obra de Robert B. Weide, com Divergente, que chegou aos cinemas em março. A cidade rigidamente controlada, o sistema de governo ditatorial e uma forma de organização social preconcebida e um jovem que desponta como um Messias que pode mudar tudo em sua volta. Tudo isso que acompanhamos nos primeiros 30 minutos de filme é muito similar, o que inevitavelmente causa o desconforto da falta de originalidade. Entretanto, na metade do longa, o roteiro parte para um caminho que finalmente o afasta do longa adaptado do livro de Veronica Roth, pois se torna mais textual, se concentrando no discurso dinâmico, direto, e em algumas vezes, sensorial. Se tornou mais emoção no momento em que Divergente enfraquece seu texto primando pela ação.

Ainda assim, é possível perceber lacunas contextuais em meio a história, onde algumas regras são quebradas pelos habitantes “comuns” sem qualquer explicação. Há também uma pressa inexplicável no melhor momento do filme, o do aprendizado. A interação de Jonas com o doador (Jeff Bridges) ocorre de forma rasa, de forma em que não seja convincente que o jovem tenha conseguido absorver a carga emocional que lhe seria suficiente para cumprir a missão a que se propôs, e também de ser capaz de cativar seus amigos de infância Fiona (Odeya Rush) e Asher (Cameron Monanghan).

Um destaque interessante fica por conta da escolha das cores. Enquanto o mundo sem memórias é cinzento e sem graça, o ambiente de Jonas vai se modificando e ganhando cor a cada aprendizado. Uma ferramenta inteligente de linguagem visual que ajuda na transmissão da mensagem do filme. A direção de Philip Noyce deixa a desejar justamente nos momento de maior intensidade emocional, em que se exigia um maior intimismo, como na tentativa do protagonista em cativar sua amiga e amor em segui-lo em sua busca. Ele até desperdiça a chance de extrair atuações significativas de monstros do porte de Meryl Streep e Jeff Bridges, que fazem o mínimo possível.

Talvez por estar espremido entre duas grandes produções com o mesmo teor distópico no ano de 2014 fez com que a qualidade de O Doador de Memórias deixasse a desejar. E mesmo que não seja um filme ruim, o fato de ter um índice de comparação é provável que caia no esquecimento assim que Jogos Vorazes – A Esperança, que carrega toda a expectativa do público, estreie em novembro.

Classificação:
Bom

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