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GRAVIDADE

Gravidade
Gravidade

Quando circulou no meio cinematográfico que Alfonso Cuarón faria um drama espacial, muito se especulou se viria algo como 2001: Uma odisseia no espaço (68), de Stanley Kubrick, com toda aquela epopeia que a tornou imortal mesmo após quatro décadas. Além disso, também era aguardado o resultado que a tecnologia atual seria capaz de produzir, como contrapor o universo e o ser humano em longas sequências só com a vastidão sombria e o nosso planeta como pano de fundo. Mas o diretor soube aproveitar as experiências com os efeitos visuais que adquiriu em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004) e Filhos da Esperança (2006) com dramas complexos como E Tua Mãe Também (2001) para criar uma obra enxuta, peculiar, bela e hipnótica na mesma proporção em que aterroriza com cenas de tirar o fôlego.

A trama é bem simples, um grupo de astronautas da NASA está em órbita na terra fazendo reparos no super telescópio Hubbles quando são surpreendidos por uma chuva de destroços originado de um satélite russo abatido. Inicialmente apenas dois sobrevivem, o piloto do ônibus espacial Matt Kowalsky (George Clooney) e a engenheira médica Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock), que se solta do telescópio e fica à deriva no espaço. Quando é resgatada pelo companheiro, novamente algo sai errado e Stone se vê sozinha contra o universo, tendo de se deslocar até outra sonda que possa a levar para Terra. Quase sem oxigênio, quase sem forças, apenas com o instinto de sobrevivência que será seu guia.

Bom, Gravidade é um filme brilhante, um dos melhores de 2013 com certeza, mas não pode ser comparado a 2001 por dois motivos: o primeiro é que o monumento de Kubrick é um questionamento existencial, com cortes temporais e viagens que vão além de um mero estudo de causa e efeito, é uma composição hi-tec que vislumbra o ciclo da vida, podendo ser interpretado sob os mais variados pontos de vista. Quanto a Gravidade, Cuarón faz um filme mais “humano”, com mais sentimento e com um grau de complexidade distante da obra de Kubrick, apesar de ela existir, e com relevância primorosa. Aqui é uma luta pela sobrevivência, a perseverança de poder voltar à terra.

O roteiro escrito pelo próprio diretor em parceria com seu filho Jonas é uma narrativa linear incomum no cinema atual, sem introdução e desfecho completos, se apoia apenas na luta pela sobrevivência do personagem de Bullock. Com planos de sequência longos, Cuarón não primou pelo silêncio, pelo contrário, é verborrágico quase em excesso, mas pode ser perdoado devido ao fato de ser uma profissional que está pela primeira vez no espaço e carrega forte ansiedade. Não situa o público em tempo e espaço, nem se preocupa em mais explicações a respeito da chuva de destroços, é apenas a Dra. Stone e sua gana de viver, mais nada.

Sim, trata-se de uma situação que beira um absurdo, mas o diretor não tem medo de o julgarem exagerado, pois o sentimentalismo, neste caso não forçado, vende a luta da protagonista e todos compram, sem julgamentos, apenas na torcida para que tudo saia bem. É aí que entra o segundo ponto destacado acima: a tecnologia. Ela faz com que seja difícil imaginar que o longa não foi gravado a milhares de milhares de quilômetros acima. São lágrimas, fogo, destroços e corpos flutuando, diverte e incomoda com grau de realidade incontestável. Isso tudo sob uma fotografia digital, como vem sendo comum, extraordinária de Emmanuel Lubeszki, além da trilha sonora pesada e presente, que gentilmente cede pequenas pausas para contemplarmos a hostilidade silenciosa do espaço sideral. Tudo como deveria ser e sem exageros.

Um filme que merece ser visto e revisto, tanto pela sensação de insignificância do ser humano perante o universo, quanto pela atuação impecável de Bullock ao atuar praticamente só, mas principalmente, por ser uma obra de arte, hi-tec e 3D, que tem muito a ensinar a essa nova era do cinema, o que deixaria Stanley Kubrick muitíssimo emocionado.

Classificação:
Excelente

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