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ELA – OSCAR 2014

Ela
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Spike Jonze faz parte de um pequeno grupo de cineastas (dentre os quais pode se citar Quentin Tarantino, Wes Anderson e Pedro Almodóvar) que sempre estão prontos para surpreender o público com histórias intrigantes, peculiares, que possui grande apelo cômico, sem abandonar suas críticas e análises do ser humano e seu comportamento. Em sua nova empreitada, Jonze viaja por um futuro onde as interações humanas são gradativamente supridas por inteligências artificiais, e que a melancolia da ausência de afeto torna tudo cada vez mais obscuro, sem graça. Seria um drama romântico 2.0 ou um filme apocalíptico em moldes surreais? Ao fim, cada um pode tiras suas conclusões, e todas serão aceitas.

Theodore (Joaquin Phoenix) trabalha em uma empresa especializada em escrever cartas para outras pessoas, que por falta de tempo ou ideias, contrata seus serviços. Ele é um homem solitário que sofre com o fim de seu casamento e tem problemas para superar, tanto que ainda se recusa assinar os papéis do divórcio. Porém, se depara com a solução de seus problemas: um aplicativo super inteligente indicado justamente para pessoas solitárias, capaz de escolher seu próprio nome, Samantha (Scarlet Johansson), e de se apaixonar loucamente. Mas, seria isto mesmo uma solução?

A trama parece uma patota e que se não viesse de uma mente que sempre nos reserva algo improvável seria bobagem. Porém pode ser absorvido de forma simples. Sua análise do impacto que o mundo virtual que pouco a pouco se torna mais invasivo, e menos particular, é incisiva, quase agressiva, mesmo que o ritmo onírico, ora melancólico, conduza as principais ações do filme. Até o trabalho de Theodore, pago para escrever cartas em lugar de outras pessoas, se supõe que se trata de uma sociedade que terceiriza qualquer tipo de relação sentimental, “comprando” o amor de alguém para imprimi-las em seu favor.

Mas, o brilhante, e triste, é perceber que o Theodore de Phoenix é um resistente, um amante à moda antiga, que por isso é o melhor em escrever belas frases de amor. Que sofre por ter perdido aquela a quem considerava o “amor da vida”, e que se via relutante em se entregar a relações passageiras e sem significado. Sua aproximação amorosa com o amor virtual de Samantha é um símbolo de um apocalipse sentimental, como se um último dos românticos tivesse sucumbido às investidas de um ideal voraz, invencível e inquebrável. A assinatura do divórcio é a sentença do fim de um ciclo do ser humano.

Se em Quero Ser John Malkovich (99) e Adaptação (2002) Spike Jonze trabalha seu estilo em roteiros de Charlie Kaufman, e em Onde Vivem os Monstros (2009) apenas adapta o livro de Maurice Sendak, aqui é totalmente autoral. Conjuga sua câmera intimista, que serpenteia entre closes ininterruptos e planos panorâmicos, vai aos poucos transformando o cenário de total solidão em uma solidão. Sim, transfere a natureza auto-flagelante de Theodore para algo menos deprimente, com a onipresença de Samantha tirando o fardo de um suporte intelectual, que o faça ri, que seja a companhia nas noites frias.

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O inspirado Joaquin Phoenix inunda a tela, propositalmente, para transmitir sua tristeza latejante. Tanto que nem dá espaços à coadjuvância da sempre ótima Amy Adams. Porém, tem de se dar crédito a interpretação (sim, por que não?) de Johanson, que consegue se fazer presente em cena, tanto em sua doçura quanto amargura. Quando canta a belíssima “The moon song” é simplesmente encantadora. Mais um ponto para Jonze, que soube dar a devida importância aos personagens, pois, sua ode ao mundo hi-tec e seus prós e contras, é analítico, acima de tudo.

Quando tudo volta à estaca zero, o diretor “abandona” tanto público quanto personagens à um desdobramento subjetivo. Seria o início de uma nova era, uma retomada das relações calorosas entre seres humanos, ou, sob a fotografia pesarosa de Hoyte Von Hoytema, estaria se iniciando o fim de tudo. A perda total da esperança no amor. Isso Jonze não nos entrega. Que cada um faça sua própria concepção de futuro.

Classificação:
Excelente

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