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MOMMY | EM DVD / BLU-RAY

Classificação:
Excelente

63982É impressionante perceber que uma pessoa tão nova já consiga ter seu lugar ao sol no mundo cinematográfico, mas não apenas como um “modinha” superestimado, que sobrevive de uma pseudo-intelectualidade forçada. Sim, Xavier Dolan, aos 26 anos tem o que nos mostrar. Mesmo que a uma primeira vista pareça escalafobético, revoltado e farsesco, percebemos que existe ali uma linguagem consistente, que em processo de formação atinge seu ápice em uma releitura (pedido de desculpas?) de seu primeiro e arrebatador filme, Eu Matei Minha Mãe (2009). Agora sob uma visão menos rancorosa, entretanto ainda ambígua, o diretor expõe os meios que justificavam os fins de seu primeiro longa, com um turbilhão de sensações, estética ousada e atuações memoráveis.

O problemático Steve (Antonie-Olivier Pilon, ótimo) é expulso do reformatório onde vive por incendiar a cafeteria e ferir outro interno, por isso terá de voltar a morar com sua mãe, a inconstante e desbocada Diane (Anne Dorval, estupenda). Ela passa por problemas financeiros, e vive em minúscula casa, e agora ainda terá de lidar com a hiperatividade agressiva de Steve. Eles encontram um certo equilíbrio quando a introspectiva Kyla (Suzane Clément) entram em suas vidas. Em meio a muitas situações limite, os três aprendem a conviverem uns com os outros e, principalmente, consigo mesmo.

O que parece quando se assiste a Mommy é que Xavier Dolan amoleceu, mesmo que entre xingamentos e ataques de histerias e agressões. Mas, quando o filme avança o que se percebe é o amadurecimento do diretor, que abre mão de sua tendência ao caótico, para conciliar um lirismo que já havia empregado em seus estudos sobre o amor em Lawrence Anyways e Tom na Fazenda, ambos de 2012. Ainda assim, este seu novo longa apresenta uma faceta subliminar, a versão da mãe, elevada à condição de vilã em seu longa de estreia. Talvez a ideia de escalar Dorval para o “mesmo” papel.

Porém, quem espera facilidade em deleitar um filme do canadense acaba por se decepcionar. Mesmo com concessões, maturidade e acessibilidade, o diretor mantém sua mão firme. As cenas são de um intenso “tour de force” sentimental, em que a carga se eleva à medida que a relação se estreita. Além disso, insere uma terceira personagem que introduz um ar melancólico e misterioso, pois nunca nos é revelado o que há por detrás dos traumas de Kyla. Nesse turbilhão somos levados a julgar as atitudes de ambos, mas é possível sentir a parcialidade pendendo para a mãe, ainda que diversas vezes Dolan tente voltar atrás, incriminando a figura materna.

A ousadia em se filmar 1:1 não é simplesmente uma afronta estética, ali existe a intenção de se causar o desconforto, uma sensação claustrofóbica que vai induzir ou não o espectador a se sentir forçado a interagir com os problemas da família. A câmera lenta, os closes invasivos e o teor intimista do ambiente criado por Dolan, além de sua montagem eclética e repleta de referências, traçam seu estilo, que assim como Paul T. Anderson, Wes Anderson e Quentin Tarantino, se tornam uma marca registrada. Mesmo que seja cedo para afirmar, mas não seria errado afirmar que ele tenha chegado ao seu ideal cinematográfico.

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Seja pelas atuações formidáveis, em especial de Anne Dorval, seja pelo apelo contemporâneo de um assunto tão crível a qualquer um, Mommy é sem dúvidas uma das melhores realizações de 2014, que merecidamente levou o Grande Prêmio do Júri em Cannes, e que poderia ter facilmente ter entrado na lista final do Oscar de melhor filme estrangeiro. A perspectiva é que Dolan mantenha aperfeiçoando e solidificando seu talento e sua linguagem, e, se continuar nos brindando com obras como esta, deixará cinéfilos do mundo inteiro satisfeitos.

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Marco Victor
Fundador do Jornada Geek e formado em Jornalismo, mas também um grande amante de filmes e antigo frequentador de locadoras. Outras paixões também existentes estão em Séries de TV, HQs, Games e Música. Considera Sons of Anarchy algo inesquecível ao lado de 24 Horas, Vikings e The Big Bang Theory. Banda preferida? São muitas, mas Slipknot ocupa um lugar especial. Espera ansioso por qualquer filme de herói, conseguindo viver em um mundo em que você possa amar Marvel e DC apesar de ter no Batman e As Tartarugas Ninja como os seus heróis favoritos.

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