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LIVRE | CRÍTICA – OSCAR 2015

Livre
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E lá vai ela, querendo se encontrar ou encontrar algo que perdeu, ou nunca achou. Encabeçando essa aventura purgatória por mais de 4200 km, por toda costa oeste do Estados Unidos, do México ao Canadá, está Reese Whiterspoom, produzindo, estrelando e cintilando nessa mais nova pequena maravilha de Jean Marc-Valeè. Se Sean Penn filosofou sobre a necessidade de se entender que a felicidade só é completa quando compartilhada no excelente Na Natureza Selvagem (2007), aqui a busca de Cheryl Strayed é para entender que a tristeza só se é vencida quando confrontada, seja pela dor ou pelo ódio, mas sempre na expectativa da autodescoberta.

Depois de perder sua mãe, a doce e alegre Bobbi (Laura Dern, sublime), Cheryl (Whiterspoom, impecável) perde o controle sobre sua vida, se envolvendo em encontros sexuais com todo homem que encontra pela frente e caindo no mundo das drogas através da heroína. Depois que se divorcia de Paul (Thomas Sadoski) ela decide encarar a trilha “Pacific Crest Trail”, onde enfrentará todos os tipos de provações da natureza, além de seus próprios demônios, que estão sempre colocando sua força de vontade em xeque. Mas ela persiste, e anda, anda, anda…

A adaptação de Nick Hornby da obra autobiográfica de Strayed prima por não entregar as motivações ao passo dos acontecimentos, isso nos mantém reféns dos “porquês”, e é o que deixa o filme deliciosamente irresistível, mesmo quando, aos poucos, nos vemos mergulhados na agonia da protagonista. Não há supervalorização do feito de Cheryl, pelo contrário, a todo o momento os flashbacks nos mostram que ela “merece” todas as intempéries a quem tem de enfrentar. Mas, para que haja um contrabalanço que não mortifique demais o filme, as pequenas passagens de Laura Dern inundam a tela de esperança, e mesmo na dor conseguimos capturar o prazer de viver de Bobbi, que é a força que mantém Cheryl em sua tarefa.

Mas, talvez nada disso fosse o suficiente se não fosse a mão controlada do diretor Jean Marc-Valle. O canadense deu um salto extraordinário de qualidade na forma como aperfeiçoa a narrativa de seus filmes. Deixou o didatismo quadrado de A Jovem Rainha Vitória (2009) para surpreender o mundo cinematográfico com o ótimo Clube de Compras Dallas (2013), com uma montagem elíptica, às vezes truculenta, outras sublimes. Mas sempre esfacelando a narrativa, nos forçando a esperar por algo que já sabemos como vai terminar (ou não, caso o leitor não tenha lido a respeito). Com a câmera invasiva, ele sacraliza sua personagem, a mantém no centro das ações, mas nunca a isola dos relacionamentos.

Diferente do que foi no citado filme de Sean Penn, em Livre a sedução é mais amena, não é tão aventuresca, mas tão contemplativo quanto. Talvez pelo fato de o Chris McClandess de Emily Hirsch supostamente soubesse o que procurava, e aqui a Cheryl de Whiterspoom não. E o casamento entre a dúvida e a compreensão, a plenitude e o desespero, e é isso que permite que Jean Marc-Valee transforme suas personagens em algo mais próximo da realidade, pois estão repletas de maniqueísmo natural, de seres humanos, sem superlativos ou metáforas forçadas, mesmo que a viagem em si seja a maior de todas.

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Seja pela atuação gigantesca de Reese Whiterpoom, seja pela forma que Laura Dern nos cativa em tão pouco tempo ou mesmo pelas belíssimas imagens da epopéia de Cheryl, Livre é um filme imperdível. Daqueles que quando acabam nos dando vontade de ligar para alguém, contar para um amigo, pesquisar o escritores e suas frases que são citadas, de fazer planos ou repensar sua vida. Pegar uma mochila, encher de kits sobrevivência e andar, andar, andar….

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