Homem-Aranha: Longe de Casa
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Nota ótimo

Após o aguardado desfecho de Vingadores que levou os fãs aos cinemas em peso, chegou a hora do Universo Cinematográfico Marvel finalizar também a sua grandiosa Fase 3. Enquanto coloca o ponto final na Saga do Infinito, Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home) é também o primeiro passo para um novo mundo dos nossos heróis, e tem a difícil missão de seguir em frente sem os grandes nomes que marcaram os primeiros 10 anos do estúdio nos cinemas.

Na trama, nosso simpático amigão da vizinhança (Tom Holland) decide se juntar aos seus melhores amigos: Ned (Jacob Batalon)MJ (Zendaya) e o resto da turma em uma viagem de férias pela Europa. No entanto, o plano de Peter de deixar os ator heroicos de lado por algumas semanas é rapidamente descartado quando ele concorda, a contragosto, em ajudar Nick Fury (Samuel L. Jackson) a desvendar o mistério de vários ataques de criaturas elementais que vem causando grandes estragos em todo o continente.

Tendo a tarefa de apresentar aos fãs uma Terra pós-estalo de Thanos, o roteiro escrito por Chris McKenna Erik Sommers faz um ótimo trabalho ao balancear o cenário atual do mundo em grande e pequena escala – ao mostrar de maneira sensível e respeitosa o modo como a população vem homenageando o herói responsável pelo retorno de todos, Tony Stark, e como aqueles próximos a ele lidam com sua ausência.

Não somente isso, McKenna e Sommers também acertam ao trazer para as telas do cinema, em sua essência, uma ótima história do cabeça de teia. Juntamente com o comando de Jon Watts, entregam um longa equilibrado na aplicação dos seus gêneros cinematográficos, com romance, comédia, ação e drama na medida certa.

O diretor acerta mais uma vez ao entregar um filme que apresenta um universo mais jovem, de colegial, mas ao mesmo tempo aumenta as apostas com suas sequências de ação. 

Mesmo com um primeiro ato sendo apresentado em um ritmo um pouco mais lento, a trama logo consegue encontrar o andamento que quer seguir. Fica claro que o grande tema deste longa é o amadurecimento e, por esse motivo, o destaque em relação aos seus personagens vai mesmo para o protagonista.

Tom Holland chega ao seu quinto longa dando vida ao cabeça de teia, e prova estar cada vez mais confortável com o personagem. Dessa vez, o mesmo apresenta um jovem de 16 anos que carrega em seus ombros o peso de ser o próximo Homem de Ferro e, com uma atuação superior ao que foi visto em De Volta ao Lar, leva o espectador a testemunhar a perda da inocência de Peter, sua transição em deixar de ser somente o “amigão da vizinhança”, e assumir o título de Vingador dado por seu mentor, superando assim seus questionamentos em relação as suas escolhas.

Outro destaque aqui vai para Quentin Beck, interpretado por Jake Gyllenhaal. Sendo uma ótima surpresa, o ator faz parte dos pontos altos do filme e mostra uma atuação impecável ao dar vida a um personagem completo, sendo inclusive mutável ao longo da trama – desde sua personalidade até o tom que carrega na narrativa. Beck é o responsável pela grande reviravolta desta história, e entrega tal feito de ótima maneira.

As interações desenvolvidas em Longe de Casa

Homem-aranha e mistério em longe de casa
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Não seria possível deixar de comentar sobre a química de ambos em tela. Gyllenhaal Holland entregam uma interação de destaque ao longo do filme e roubam a cena toda vez que aparecem juntos ao longo da trama.

Uma segunda interação que não poderia ser deixada de fora é de Peter Nick Fury. Aqui, o ex-diretor da SHIELD aparece como a força de cobrança em relação ao adolescente e relembra o jovem de suas responsabilidades como herói – sendo até mesmo muito mais duro em relação a figura responsável anterior com que Peter estava acostumado.

Ainda em relação às duplas, a presença de Happy (Jon Favreau) e May (Marisa Tomei) são utilizadas na medida certa. Com destaque para Happy, a sua nova interação com o personagem de Holland traz um contraste em relação ao personagem de Jackson, e aparece muito mais como uma amizade – algo diferente do que foi visto em De Volta ao Lar, já que Happy aparecia como um supervisor e mostrava não ter muita paciência com o então novo recruta do time de heróis.

O último par que não poderia deixar de ser comentado é justamente MJ Peter. Trazendo a típica paixão adolescente e sendo desenvolvida ao longo do filme de maneira mais sutil – com troca de olhares e até mesmo na timidez do protagonista quando está perto da garota -, a aproximação dos dois previamente ao que é visto em tela é deixado nas entrelinhas e é notado, principalmente, pelo fato de que Peter demonstra conhecer muito mais de sua melhor amiga do que foi visto inicialmente no primeiro filme.

O acerto aqui está em relação à retratação de uma paixão jovem, trazendo todos os seus aspectos mais desengonçados e leves. Em contraste, o único ponto de ressalva vai mesmo para a maneira como o aproximamento dos dois é entregue ao público: nada disso é visto em tela, é somente entregue em um rápido diálogo ao começo do longa.

No mais, Zendaya retorna novamente como uma MJ despojada e não desaponta na entrega de sua personagem. Sua nova versão realmente mostra que a garota não se esconde do perigo.

Talvez um ponto negativo em Longe de Casa esteja justamente no uso dos seus personagens secundários. Muitos dos alunos são usados apenas para a trajetória da turma pela Europa e acabam não tendo muito destaque em cena – tendo pequenas interações ao longo das 2 horas de filme. Até mesmo o melhor amigo do cabeça de teia, Ned, acaba sendo utilizado mais como um recurso de alívio cômico e fica mais apagado em relação a sua presença em De Volta ao Lar.

Fotografia, ação e conclusão na medida certa

Em sua fotografia, o longa é trabalhado de maneira que a imersão do espectador seja completa. Entre mostrar a dimensão do perigo que os Elementais representam e explorar o sentimento dos seus personagens de maneira intimista, o trabalho de Matthew J. Lloyd acerta em trazer o público para dentro do mundo do herói e contribui para a experiência total do filme com planos grandiosos durante suas sequências de ação, contrastando com escolhas até mesmo claustrofóbicas durante momentos específicos.

Por fim, Homem-Aranha: Longe de Casa é maior, melhor e mais ousado que De Volta ao Lar. Dando o primeiro passo em frente após Ultimato, o longa acerta ao levar o cabeça de teia para a Europa em uma nova aventura, mostrando ainda o trabalho de evolução de Peter Parker em se tornar o conhecido e amado herói conhecido pelos fãs. Ao final, através de todas as revelações, prova também que que ainda há muito a ser explorado no UCM.

Vale lembrar que o longa tem duas cenas pós-créditos, então fique até o final!

Sobre Homem-Aranha: Longe de Casa

Confira também: Homem-Aranha: Longe de Casa | Assista ao novo trailer do filme

Remy Hii (Marco Polo, Podres de Ricos), Samuel L. JacksonCobie Smulders, Numan Acar e Jake Gyllenhaal foram confirmados anteriormente no projeto. Gyllenhaal deve ser a adição mais importante ao elenco, visto que ele interpretará o icônico personagem Mystério.

Anteriormente, Tom Holland confirmou que um terceiro filme está nos planos do estúdio. O próximo título continuará mostrando a trajetória de Peter Parker (Holland) durante os seus estudos na Midtown School of Science and Technology, seguindo os eventos do filme Vingadores: Guerra Infinita de 2018 e sua sequência de 2019, que também contaram com o ator no papel do herói. Além disso, foi revelado anteriormente que Michael Keaton voltará a interpretar o Abutre. J.B. Smoove foi adicionado recentemente ao elenco do projeto.

A data de estreia de Homem-Aranha: Longe de Casa está marcada para o dia 04 de julho de 2019.

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