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GODZILLA | CRÍTICA

Godzilla
Godzilla

Quando Tomoyuki Tanaka, produtor da Toho Film Company Ltda, resolveu vestir um ator com uma roupa de um monstro bizarro, com aparência pré-histórica e poderes misteriosos, e o batizou como Gojira, mal sabia que dava vida ao mostro mais conhecido, temido e às vezes amado, da história do cinema. Godzilla, seu nome ocidental, foi às telonas mais de 30 vezes, sendo que a primeira, 1953, surgiu com a necessidade de alertar o mundo sobre o perigo da tensão nuclear no auge da guerra fria. Hollywood se rendeu ao monstrão em 1956 com Godzilla, o Rei dos Monstros, e voltaria a repaginá-lo em 1998, com o mestre da catástrofe Roland Emmerich em Godzilla. Porém, a mitologia ainda anda em alta na América, rendendo um filme com o foco no comportamento humano em relação ao caos criado pelo embate de monstros gigantescos, e apesar de recheado de clichês básicos, oferece uma produção de primeira e cumpre sua missão de divertir.

Quando o Dr. Daisuke Serizawa (Ken Watanabe) e a Dra. Wates (Sally Hawkins) descobrem um misterioso e gigantesco fóssil e uma mina, também descobriram que algo que estava encasulado acordou e saiu em direção ao mar. Numa cidade litorânea japonesa Joe Brody (Bryan Cranston) é responsável por uma usina nuclear que sofre um ataque estranho. Ele perde a esposa Sandra (Juliette Binoche) e tem de sair da cidade com o filho Ford (Aaron Taylor-Jonhson) devido ao risco de radiação. Quinze anos depois, o já oficial da marinha americana Ford tem de viajar ao Japão para socorrer o pai, que acredita que o acidente que matou sua esposa não foi um terremoto. Lá descobrem a aterradora verdade: um monstro que emite pulsos eletromagnéticos se alimentou da radiação e está preparado para “passear” pelo mundo. Porém, outro gigante sai das profundezas. Herói ou vilão?

O interessante desse novo reboot de Godzilla está na forma como o roteiro David Goyer, David Callaham, Drew Pearce e o conhecido Frank Darabont não prima por colocar as aberrações gigantescas como os protagonistas da história. As ações não estão direcionadas ao embate dos kaijus (monstros gigantes) com o anti-herói escamoso e sim no comportamento dos humanos em relação ao caos causado por eles. A experiência do quarteto em filmes de ação caótica (Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e adventos sobrenaturais (The Walking Dead) deram ao filme um alto teor de tensão que praticamente arrasta o público para os acontecimentos e os prega na poltrona.

A origem de Godzilla, que no original advém de uma mutação devido à armas nucleares, aqui é deixada de lado. Novamente ficou a cabo do grupo de roteiristas criar algo místico em torno de sua gênese. Através do Dr. Serizawa acompanhamos uma descrição de uma espécie de “deus na terra”, um arauto tão velho quanto o próprio planeta Terra que é responsável por manter o equilíbrio e eliminar qualquer coisa que ameace a existência de todos seres vivos. Apesar de frágil, essa nova mitologia até convence, mas prejudica a condição de neutralidade de Godzilla, que em muitos do filmes carrega aquela interrogação, não optando por ser bom ou ruim, apenas fazendo o que tem de ser feito. Aqui ele é mocinho. Mesmo recheado de clichês, o filme não os apresenta de forma que chega a aborrecer o espectador, além de não cometer o pecado do exagero, como o próprio filme de 98, e alguns outros do gênero, como Círculo de Fogo (2013).

Isso acontece também pela qualidade do elenco que conta com nomes já consagrados como Watanabe, Cranston, Binoche e alguns jovens talentosos como Elizabeth Olsen. Até o irregular Taylor-Johnson não chega a ser um problema. Também vale destacar a direção segura do ainda novato Gareth Edwards, credenciado principalmente pelos seus trabalhos técnicos com efeitos visuais. Ele consegue colocar os monstros como coadjuvantes como proposto pelo roteiro, direcionando o olhar para o ponto de vista dos seres humanos, de baixo para cima, raramente buscando um close nas monstruosidades e valorizando o fator ansiedade. É como se tivéssemos na mesma condição de inferioridade que os personagens visivelmente possuem. É claro que não chega a ser um primor, porém é bem mais ousado que sua estreia em longas, Monstros (2010), e dá um crédito para novas empreitadas.

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Não, este novo Godzilla não é um a obra-prima, deixa muitas pontas soltas que ficam sem explicação, porém é o mais sensato das adaptações americanos. Além de não pesar a mão no espetáculo pirotécnico incessante como o longa de Emmerich, consegue cumprir sua condição de blockbuster oferecendo ação, diversão, emoção e efeitos visuais. Mas a sensação de que o personagem de Tomoyuki Tanaka ainda merece um filme à altura de sua grandiosidade persiste, quem sabe daqui a alguns anos?

Classificação:
Bom

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1 COMENTÁRIO

  1. Fui ver a ante-estreia do Godzilla sem nunca ter conseguido ver um único filme sobre esta criatura (uma vergonha mas enfim). Confesso que gostei bastante do filme, apesar de ter esses tais clichés. E achei interessante o facto de nomes tão consagrados como o de Binoche e etc, não tenham sido os personagens principais. Ainda assim gostei bastante, especialmente por não ter exageros.
    Parabéns pela resenha!

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