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FESTA NO CÉU | CRÍTICA

Festa no Céu
Festa no Céu

O cinema de animação virou uma grande batalha pelo interesse do público de todas as idades depois que a Disney/Pixar revolucionou a modalidade com roteiros brilhantes e qualidade visual inquestionável. Entretanto, devido à crise de criatividade que se abateu sobre a gigante, suas concorrentes começaram a investir, tentando criar um identidade própria afim de também arranjar seu lugar ao sol. Alguns chegaram perto, como a DreamWorks com o ótimo Como Treinar Seu Dragão 2, mas, a maioria cai na vala comum. Pensando em surpreender, um primeiro time do cinema mexicano, encabeçado por Guilhermo Del Toro (produção), trouxe as tradições de seu místico país para as telonas, com visual exuberante, o folclórico “Dia dos Mortos” e trilha sonora requintada. E o resultado?

Desde criança, Maria, Manolo e Joaquim formam um triângulo amoroso. Porém, é quando ela volta à cidade para terminar seus estudos, é que o embate entre os “guapos” se inflama, já que Maria (voz de Zoe Saldana) retorna mais bonita que nunca. O agora chefe da guarda da cidade Joaquim (voz de Channing Tatum) é o líder de uma severa resistência contra um poderosos vilão, enquanto Manolo (voz de Diego Luna) é um rapaz cheio de dúvidas e questionamentos, que vai de encontro as tradições familiares a não compartilhar do gosto pelas touradas. Quem se excitam com a situação são os lideres de um mundo sobrenatural, onde La Muerte (voz de Kate del Castilho), da terra dos “Lembrados” aposta que Manolo ficará com a moça, já Xibalba (voz de Ron Pearlman), da terra dos “Esquecidos”, prefere Joaquim, dando aquela ajudinha básica para que o rapaz vença. E o prêmio? O controle das duas terras em questão.

É cativante acompanhar a trama de Festa no Céu, tanto pela questão mitológica quanto pela parte romântica que compõe o enredo. Essa miscelânea de subgêneros trouxe um vitalidade para o roteiro que é tão vibrante quanto as cores e traços exagerados, genuinamente mexicanos. Jorge R. Gutierrez estreia na direção de longas levando ao grande público uma história que explana um pouco do México, assim como Carlos Saldanha fez no bom Rio (2011), mas se aproveitando da condição de fantasia para explorar todas as nuances que a narrativa poderia render.

É claro, como se trata de uma estreia podemos reunir algum ou outro vacilo. O maior deles é a ansiedade de querer mostrar muita coisa ao mesmo tempo, com a trama se acelerando do meio para o fim. É como se o tempo fosse limitado e a pressão para que fechasse nos noventa e cinco minutos de exibição obrigasse ao diretor decair ao pastiche. Tudo fica muito bobo, inclusive a resolução de tudo, e os clichês povoam as sequências, quebrando aquela sensação de novidade que nos é entregue no inicio do filme. Talvez teria sido melhor transferir todas as ações para apenas um cenário, fato que talvez prejudicaria a composição fílmica, mas ganharia em qualidade narrativa e textual.

O trunfo, todavia, é a visual arrojado, colorido e propositadamente exagerado. Os traços, que lembram muito o ótimo A Noiva Cadáver (2005), conseguem criar uma diferenciação necessária entre o mundo real e o sobrenatural, ainda que os “humanos” tenhas nuances desproporcionais. A paleta de cores berrantes casam-se muito bem com o mundo bizarro do céu. As figuras de La Muerte e Xibalba são candidatas a virarem brinquedos, tão foi o cuidado e criatividade com que foram feitos. Isso sem contar a trilha sonora do Academia Winner Gustavo Santaolalla (Babbel, 07), que transformou canções da música pop americana, como “Do You Think I’m Sexy?” de Rod Stewart em versões mariachi bem divertidas.

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Em um conjunto geral, o gênero ganhou mais um bom representante anti-Pixar, que mesmo com seus tropeços conseguiu ser didático, cultural e ousado em termos visuais. Se a turma envolvida resolver investir e continuar tentando evoluir dentro do segmento podemos esperar muito mais coisas boas. Se não, ao menos ficaremos com a boa lembrança da cultura mexicana, e mais, com a sensação de que a Disney/Pixar faz falta, mas no momento, ainda podemos viver sem ela.

Classificação:
Bom

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