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ÊXODO – DEUSES E REIS | CRÍTICA

Êxodo - Deuses e Reis
Êxodo – Deuses e Reis

A Bíblia Sagrada, em especial o Antigo Testamento é uma grande fonte de histórias maravilhosas, mesmo sem entrar no mérito de sua veracidade ou não, pois depende de crenças e tradições, o que não vem ao caso aqui. O certo é que 2014 foi o ano em que o cinema visitou, ou revisitou, duas das mais conhecidas histórias da Bíblia, a passagem do dilúvio, com Noé de Darren Aronofsky e que estreou em março, e agora a odisseia de Moisés, retirado do livro Êxodo, que dá nome ao filme dirigido por Ridley Scott. Apesar da desconfiança do público devido ao fracasso do primeiro, Scott mostra que tem mais experiência e consegue fazer um filme que transita com facilidade entre o humano e o celestial, mantendo a fidelidade aos textos sacros, mas inserindo elemento que atrairá um público que tem gosto cinematográfico acima de qualquer crença.

A história é a mesma: Moisés (Christian Bale, ótimo) foi criado como filho pelo faraó Seti (John Turturro), apesar de (aqui) ser seu sobrinho. Ele é invejado pelo filho do faraó, Ramsés (Joel Edgerton, competente), que percebe que o pai tem um apreço maior pelo meio-irmão do que por ele. Quando Moisés descobre, através de um ancião hebreu (Ben Kingsley) que ele na verdade é descendente do povo que ele ajuda a escravizar no Egito, ele vai atrás da verdade, que também é descoberta pelo agora faraó Ramsés, que o expulsa. Depois de ser expulso, encontrar um povoado e estabelecer sua família, ele é incumbido por Deus, em uma figura infantil, a voltar ao Egito, libertar seu povo e conduzi-los à Terra Prometida, Canaã. Mas, isso não vai ser nada fácil.

Como fazer um filme em que a história cansou de ser exibida, tanto na TV, quanto no cinema? Scott responde sem palavras, apenas com uma adaptação que consegue ser fiel aos textos bíblicos, como não poderia deixar de ser, porém conseguindo dar um espaço maior ao fator humano, com todos os conflitos de personalidade que qualquer um pode gerar. No caso de êxodo: Deuses e Reis, o trio de roteiristas Adam Cooper, Bill Collage e encabeçado pelo excelente Steve Zaillian fazem exatamente o que sugere o título: dividem os fatos entre as ações dos reis, em que prevalecem as insurreições dos escravos e as atrocidades ambiciosas do faraó Ramsés, e a parte em que os deuses, em que o sobrenatural se intromete, em especial na passagem das dez pragas (que inclusive é muito bem amarrada para que tudo não soe forçado).

A base narrativa não segue o padrão de transcrição enfadonho do megalomaníaco Os Dez Mandamentos (1957) dirigido pelo mitológico, e não menos presunçoso, Cecil B. De Mille, ainda que o longa de quase quatro horas tenha tido seus méritos. Através da fotografia Dariusz Wolski, que tem sido colaborador frequente de Scott, conseguimos acompanhar um filme obscuro, em que pode-se sentir uma tensão claustrofóbica crescente, e ainda a claridade fosca sugere que algo está errado. Mesmo a figura de Deus, encarnado por um menino, é uma presença dualizada e interessante, pois está disposto a pagar crueldade com crueldade.

Porém, assim como fez no mediano Cruzada (2005), o diretor mostra habilidade em conciliar história e ação para a composição do épico. As cenas de batalha, que são justamente justificadas por ser Moisés um guerreiro, e não um bastardo mimado (como vimos em O Príncipe do Egito, 98), que tem a obrigação de comandar os exércitos do faraó e, posteriormente, de Deus. Mas, essa habilidade em valorizar a ação pode ser também o fator que provoca algum desconforto, principalmente no momento de transição do filme e da inclinação ideológica do protagonista. Mesmo que a intenção fosse focar em ver Moisés libertar seu povo, a edição poderia ter valorizado mais sua convivência com a esposa e o filho, pois está ali as raízes de sua mudança. Tudo parece muito acelerado, quase um flashback.

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Há de se destacar a atuação excelente da dupla que representam a condição de deuses e reis. Christian Bale mostra que é um dos grandes atores da atualidade ao saber resguardar a humanidade de seu Moisés, pois em suas expressões pode-se sentir a insegurança em acreditar em algo que só ele vê e ouve. Seria mesmo um dom ou insanidade? Já Joel Edgerton compõe o personagem mais interessante da história com certa facilidade. O Ramsés não é mau simplesmente por ser, ele age segundo suas crenças, o que torna essa dicotomia mais difícil de ser absorvida, pois, a maioria do público, não sabe como é acreditar no que ele acredita. Mesmo cometendo barbáries, mostra-se amorosos com o filho e a esposa.

Um épico grandioso que faz jus à história da qual é adaptado, e passa a quilômetros de distância da bobagem infeliz que marcou negativamente a carreira de Darren Aronofsky. Sem necessitar ser exagerado ou doutrinador, Ridley Scott faz um filme que vai além de qualquer inclinação religiosa. E se sua intenção foi homenagear o irmão (Tony Scott, morto em 2012), como se supõe na dedicatória no início dos créditos finais, pode ter a que ele tenha ficado orgulhoso do irmão, seja onde estiver, entre deuses ou reis.

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