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Django Livre
Django Livre

Western, um dos mais tradicionais gêneros cinematográficos. É claro que antes disso o mundo conheceu outros movimentos, mas os famosos faroestes sempre ficaram marcados na vida dos seus espectadores. Clint Eastwood e John Wayne são apenas dois nomes que podemos citar quando o assunto é este, só para se ter uma ideia de como ele é importante. Entretanto, dentro Western ainda existiu o famoso Western spaghetti. Essas produções também eram chamadas de ítalo-westerns, já que tiveram origem em território italiano, mas tinham um baixo orçamento, contendo sempre muita violência, ação, e uma boa dose de drama. É aqui que Django Livre entra, visto que a produção é uma espécie de homenagem feita por Quentin Tarantino ao gênero.

O interessante na produção é que ela começou sendo citada como uma espécie de sátira, mas o próprio diretor garantiu que era uma grande homenagem ao gênero. O espectador também consegue constatar isso após conferir o filme, visto que diversas características estão presentes dentro do filme, mas com a adição da escravidão dentro do seu contexto. Tarantino acaba mostrando ao mundo, mais uma vez, que criou o seu próprio sub-gênero. Ele sempre apresenta suas produções de uma forma que possam ser classificadas, mas também mostra que possuí características únicas, uma forma muito bonita de apresentar uma nova visão cinematográfica.

A trama começa mostrando um grupo de escravos, todos acorrentados e andando por diversos locais. Entre eles está Django (Jamie Foxx), que parece ser um simples homem, mas que quer encontrar sua vingança a todo custo. Logo em seguida o público é apresentado ao Dr. King Schultz (Christopher Waltz). O próximo passo é uma cena de tiros rápidos e certeiros, apresentando as famosas características que contam como homenagens. O Dr. Schultz decide comprar o escravo, lhe conta a sua história, faz uma proposta e o deixa liberto. Django aceita e começa a trabalhar sob a tutela do caçador de recompensas alemão, tornando-se um mercenário e parte para encontrar os bandidos que interessam ao seu “novo amigo”. Após um tempo de trabalho e alcançar o objetivo, ambos acabam descobrindo que trabalham muito bem juntos.  Só que Django tem uma missão pessoal; libertar a sua esposa das garras de Monsieur Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), charmoso e inescrupuloso proprietário da Candyland, casa no Mississippi onde escravas são negociadas como objetos sexuais e escravos são colocados pra lutar entre si.

O roteiro escrito por Quentin Tarantino é simplesmente fantástico em diversos sentidos. A história é muito bem elaborada desde o início, apresentando motivos certos para o seu desenvolvimento. Não é um filme completamente brutal, sem pé nem cabeça, mas é um filme Tarantino. Tudo acontece quando os espectador menos espera, sempre com surpresas muito agradáveis e tiros certeiros, mostrando a verdadeira característica Western. Se não bastasse tudo isso, o espectador ainda acompanha um pouco de como deveria ser a escravidão norte-americana. Sempre acho isso interessante, já que apesar de nojento, muito sangrento, foi uma realidade. É algo que está presenta na história do mundo. Se não bastasse tudo isso, o público ainda pode curtir uma trilha sonora instigante e viciante. Você termina de assistir ao filme, mas continua com as canções na cabeça, sempre lembrando das cenas de cada uma delas.

Agora, fora Tarantino, trilha sonora, roteiro, aspectos técnicos, o espectador ainda tem um belo trunfo durante o filme; o seu elenco. Christopher Waltz aparece mais uma vez completamente carismático, por isso venceu o Oscar. Não tem como não gostar desse grande ator desde o seu primeiro momento na produção, assim como aconteceu em Bastardos Inglórios. Jamie Foxx volta a ter uma bela atuação em sua carreira como Django, mostrando mais uma vez ser um ator com versatilidade para diversas vertentes cinematográficas. Ele ainda proporciona alguns momentos muitos bacanas e engraçados durante o filme, entre eles o já famoso “D” mudo. Leonardo DiCaprio, que foi ignorado pelo Oscar este ano, também é um dos trunfos de Quentin Tarantino para a sua trama. Fora tudo isso, ainda temos um Samuel L. Jackson irreconhecível, completamente caracterizado, mas que merece o comentário; está fantástico! Entretanto, existe uma cena em particular que chama muita atenção, sobre a qual não vale a pena comentar, algo que o público deve saber quando acontece durante o filme. Só uma dica: é o momento em que o elenco fica completamente reunido. É naquele momento que você percebe como o filme tem uma verdadeira constelação de artistas.

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Eu sempre tive influências em diversos gêneros cinematográficos. Tenho as minhas preferências hoje em dia, mas sempre tive membros da minha família que me apresentavam filmes diversos, o que me fez gostar de praticamente tudo. Entretanto, Western tem algo especial, meu avô gostava muito deles. Eu lembro de poucos filmes, era muito novo, mas acabei com o tempo assistindo alguns. Quentin Tarantino conseguiu passar aquela emoção antiga em sua produção, sabendo surpreender o seu público no momento certo, sempre dosando a sua estória. Apesar de ser longo, quase duas horas e meia de filme, Django Livre é aquela produção que você não percebe o tempo passando, que não fica chata exatamente por conseguir modificar a sua rotina.

Não é um filme onde se tem apenas grandes tiroteios, com balas para todos os lados, sem sentido. Vale muito a pena ser conferido, está mais do que justificado a sua indicação ao Oscar de melhor filme, mas infelizmente o mundo, ou parte dele, ainda não se encontra preparado para ver um grande diretor com um prêmio tão importante em suas mãos. É claro que o roteiro já era um prêmio certo, mas um Tarantino ganhando direção e filme poderia ter sido algo muito interessante de se presenciar. É um diretor que está seguindo o seu caminho, que já provou a sua personalidade, sua carisma, mas que não parece pensar em mudar o seu método de escrever e dirigir. Inovador, apesar de antigo. Sim, é complicado, e ao mesmo tempo simples, de entender uma mente tão brilhante. Entretanto, sempre vale a pena tentar.

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Marco Victor
Fundador do Jornada Geek e formado em Jornalismo, mas também um grande amante de filmes e antigo frequentador de locadoras. Outras paixões também existentes estão em Séries de TV, HQs, Games e Música. Considera Sons of Anarchy algo inesquecível ao lado de 24 Horas, Vikings e The Big Bang Theory. Banda preferida? São muitas, mas Slipknot ocupa um lugar especial. Espera ansioso por qualquer filme de herói, conseguindo viver em um mundo em que você possa amar Marvel e DC apesar de ter no Batman e As Tartarugas Ninja como os seus heróis favoritos.

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