poster coringa
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Nota Surpreendente

Em um universo e gênero audiovisual que está tomado e, até ouso dizer, saturado com histórias de super heróis, o filme solo do Coringa, um dos melhores e maiores vilões já apresentados pela DC Comics ao longo da sua história, aparece como uma proposta interessante, expondo que abordagens podem mudar caminhos e resultados.

Criado por Jerry RobinsonBill Finger e Bob Kane, o icônico arqui-inimigo do Batman apareceu pela primeira vez em Batman #1, em abril de 1940, e após ter sido trazido à tela por múltiplas encarnações e conquistado o público com sua loucura, o conhecido personagem finalmente ganhou um projeto para chamar de seu em live-action – não somente como o antagonista de um super-herói, mas como um personagem que contém múltiplas camadas complexas sobre suas motivações e deve ter sua história conhecida.

E é isso que o filme estrelado por Joaquin Phoenix (Her) e dirigido por Todd Phillips (Se Beber, Não Case) faz.

Sua sinopse é simples: “Coringa é centrado no icônico arqui-inimigo, sendo mostrado como uma história isolada jamais vista nas telonas antes. A exploração de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um homem negligenciado pela sociedade, não se trata apenas de um estudo de personagem arrojado, mas também um amplo conto preventivo”. Mas ao assistir o filme, fica claro que o longa é também um amargo, porém necessário, espelho de parte da sociedade.

O roteiro de Scott Silver (8 Milhas) traz para as telas, mais uma vez, o conhecido Coringa. Contudo, ao invés de se deparar com o personagem no auge de seu caos e loucura, o público se encontra de frente para um homem negligenciado, excluído da sociedade e extremamente quebrado. Aqui, a tela funciona como uma janela e o que é visto não passa por censuras ou é floreador.

Talvez uma crítica em relação ao ritmo de sua narrativa esteja em alguns momentos que pareceram um tanto mais lentos do que o ritmo estabelecido ao longo da trama. Entretanto, também é difícil imaginar como o filme funcionaria sem esses pontos que, claramente, foram responsáveis por criar uma tensão que leva quem assiste a ficar na ponta do assento esperando algo acontecer, afinal, estamos falando do Coringa, e é de conhecimento do público que tudo é possível quando o assunto envolve o palhaço do crime.

Um Novo Coringa

imagem de coringa
JOAQUIN PHOENIX as Arthur Fleck in Warner Bros. Pictures, Village Roadshow Pictures and BRON Creative’s “JOKER,” a Warner Bros. Pictures release.

É estranho e curioso como a trama consegue colocar o espectador ao lado de Arthur, afinal todos sabemos que ele é, no fim, o vilão. Fica claro que nem tudo é preto e branco e muito das entrelinhas escondidas por trás das ações violentas tomadas pelo protagonista escondem uma brutal realidade.

Em momentos, isso gera raiva, indignação…como a sociedade consegue ser responsável por causar tanto dano a uma pessoa? Como ninguém pode intervir na agressão física e moral infligida ao protagonista?

E então, a verdade é estampada na tela e a realidade é exposta: “ninguém liga para pessoas assim”.

Seria muito apocalíptico pensar desse jeito? Ou será que a realidade é somente muito horrível para ser enfrentada? Afinal, todos queremos ver filmes para escapar dela.

Mas é exatamente nesse ponto que Coringa consegue inserir sua crítica de maneira excepcional: mesmo que não justifique as ações brutais tomadas pelo protagonista e deixe claro que ninguém está impune, o longa também chama atenção para a doença mental e como a sociedade não está preparada para lidar com isso, muito menos lidar com as consequências dos seus atos.

Sim, é possível estabelecer certa empatia por Arthur Fleck, ou talvez seja mais um sentimento misto causado ao ver o que levou o mesmo a se tornar tão corrompido. Mas não se engane, apesar de ser narrado da perspectiva de alguém que passou por todas as situações retratadas no longa (e portanto, exibindo primariamente somente o lado do protagonista), nada aqui é aceitável.

Talvez isso seja mérito de uma atuação impecável de Joaquin Phoenix, ou seja um mix entre o que o ator trouxe consigo e uma direção certeira de Todd Philips. Contudo, uma coisa é clara: essa nova versão do Coringa é muito mais impactante, muito mais brutal e com certeza vai deixar sua marca na história do cinema pela maneira ousada e definitivamente sem medos de lidar com os temas apresentados.

É também interessante observar como a icônica risada do vilão é inserida ao longo das cenas. Assim como as diferentes fases apresentadas ao longo do arco do personagem, sua risada é mutável dependendo da situação em que ele se encontra e ganha um novo sentido – e até mesmo motivo para sua frequente presença.

Elenco secundário e Fotografia

Imagem do filme Coringa
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Não seria possível deixar de destacar seu elenco secundário. O equilíbrio no qual os outros personagens são inseridos é algo notável e nenhum dos outros nomes inseridos nesta história de origem do Coringa rouba o brilho do protagonista, sendo então utilizados de maneiras pontuais e certeiras durante ao longo da trama.

Contando com a cinematografia de Lawrence Sher (Godzilla II: Rei dos Monstros), o filme entrega uma fotografia magnífica. Em partes, os planos escolhidos chegam a ser até mesmo claustrofóbicos com tamanha proximidade aos personagens (principalmente em relação a Arthur), contudo suas presenças lá contribuem para uma aproximação necessária – que adicionam tanto para a imersão na trama, quanto na construção de transmissão de sentimentos.

Já nas escolhas de planos médios e mais abertos, estes aparecem como recurso narrativo, além de contribuir com a imersão dos espectadores para com o filme. Todas as escolhas feitas aqui não atrapalham no desenrolar da trama e trabalham em sintonia com o roteiro e visão do diretor.

Uma era pré-Coringa e pós-Coringa

Coringa filme
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Coringa chega aos cinemas como uma aposta ousada e revigorante. Em um cenário audiovisual onde a maioria dos filmes seguem uma fórmula já conhecida e extremamente explorada, o longa liderado por Joaquin Phoenix entrega uma experiência cinematográfica excepcional que deixará o público vidrado ao que está acontecendo em tela.

Mesmo que isolado do Universo DC, o longa prova ser mais uma evidência de um futuro promissor para o estúdio. Trabalhado sem medos e apostando na sua ousadia para narrar a história deste conhecido personagem, o projeto prova que realmente merece todo o destaque que está recebendo e deixa uma expectativa positiva em relação ao que está por vir.

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Phillips também fez parte da produção do filme ao lado de Bradley Cooper

Robert De NiroMarc Maron, Bill Camp, Frances Conroy, Glenn Fleshler, Josh Pais, Bryan Callen Zazie Beetz também estão confirmados no elenco. Por sua vez, Brett Cullen viverá Thomas Wayne. 

Vale lembrar que o filme em questão não fará parte do Universo DC, sendo um projeto isolado do estúdio sobre o icônico personagem.

Coringa chegará aos cinemas em 03 de outubro de 2019.

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