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CORAÇÕES DE FERRO | CRÍTICA

Corações de Ferro
Corações de Ferro

A Segunda Guerra Mundial foi um conflito que durou mais de cinco anos, e como era de se esperar, muitos dramas e conflitos paralelos aconteceram. O cinema sempre bebeu em suas fontes para levar ao público as mais diversas histórias, sejam elas com teor de melodrama com em Casablanca (1942), ou com um hiper-realismo tecnicamente perfeito visto em O Resgate do Soldado Ryn (1998), passando pela agonia dos campos de concentração de A Lista de Schindler (1993), e até rendeu divagações psicológicas altamente artísticas vista na obra-prima de Terrence Malick em Além da Linha Vermelha. Agora, sob a batuta de David Ayer, o confronto volta a ser evidência, em uma mescla de patriotismo, ação e drama, mas nem todos na mesma sintonia.

Um grupo de soldados, liderados por Don Waddardy (Brad Pitt), são recrutados para atacar o exército alemão, já combalido e com a derrota decretada, mas que ainda tem seus focos de resistência, dentro do território alemão. Para se defender eles em apenas o “Fury”, um dos últimos tanques de guerra a sucumbirem ao poderio avançado do equipamento nazista. Nesta missão, Waddardy ainda ganha um novo componente para equipe, o jovem Norman (Logan Lerman), a quem vai ensinar muito sobre a guerra, e também sobre a vida.

À uma primeira vista podemos nos deixar seduzir pelo impacto visual e teor documental de qualidade incrível de Corações de Ferro. Mas, aos poucos, vamos percebendo que ele nos quer mostrar mais que isso. O diretor e roteirista David Ayer, que foi lançado ao estrelato assinando o roteiro do ótimo Dia de Treinamento (2001), desenvolveu uma trama simples e batida, com personagens estereotipados e que carregam desvios de personalidade derivados da guerra. Sim, é possível comparar os integrantes da missão com a epopéia para resgatar o soldado James Ryan no filme de Spielberg, ou com o grupo de impetuosos que pretendem destruir Os Canhões de Navarone no ótimo longa de J. Lee Thompson, datado em 1961. Assim, tudo parece um deja vu pretensioso.

Porém, Ayer consegue introduzir um drama ameno, sem grandes divagações complexas, mas com conflitos étnicos e religiosos, além de ressaltar a grande bobagem que foi a guerra. Ainda que exalte a força dos “guerreiros” americanos que não sucumbiram ao medo de uma missão suicida, ele entrelaça as personagens de forma a se tornarem uma unidade interessante, mais preocupado em passar o companheirismo que mantinha a vontade de viver acima de qualquer coisa. Destaque para relação de mestre e aprendiz que envolve o Waddardy de Brad Pitt e o Norman de Lerman, que rendem os melhores diálogos do filme.

Mas, não há como negar que o que torna Corações de Ferro atraente é seu potencial estilístico, seja com a reconstituição de tempo/espaço perfeita, ou com a fotografia opaca de Roman Vasyanov, que captura a tensão de morte em que viviam os personagens. O “Fury” se tornou um personagem importante para a conclusão da trama, já que a forma como Ayer conduziu a maioria das ações no veículo, acabou por materializar a relação entre homem e máquina, como se um coração pulsante instigasse a sensação de dever, observada na frase dita por todos: “Este é o melhor trabalho que já tive”.

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Mesmo não contando com o primor técnico dos filmes de Spielberg e muito menos com as análises psicológicas de Malick, Corações de Ferro flutua em um terreno que muitas vezes definem um destino ruim para os filmes, pois nem é ação demais e nem dramático demais. Mas, David Ayer ou tem sorte ou sabe apostar, pois criou algo que não é dispensável como cinema e também o deixou acessível a todos os públicos, ou seja, o que a maioria quer ver. Ah, e ainda tem um bom elenco, principalmente o jovem Logan Lerman, que tem tudo para ser um dos grandes atores de sua geração.

Classificação:
Bom

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