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CAROL | CRÍTICA – OSCAR 2016

Classificação:
Excelente

Carol PosterO cinema contemporâneo vem se mostrando cada vez mais aberto a produções com o conteúdo homossexual, o que não é de se espantar já que o cenário atual mostra que a tolerância vem sendo adotada pouco a pouco. Logo, a sétima arte não poderia ficar fora dessa. Porém, depois do excelente O Segredo de Brokeback Mountain (2005), sobre dois homens que se apaixonam, muito se reclamou da falta de histórias de amor genuínas envolvendo lésbicas. Contudo, Todd Haynes decide preencher essa lacuna com um drama forte, que exalta o amor entre duas mulheres que precisam vencer uma sociedade conservadora, que não estava preparada para aceitá-las.

Therese Belivet (Rooney Mara, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante) é uma vendedora da seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia em uma das vendas ela conhece Carol Aird (Cate Blanchett, indicada ao Oscar de atriz), que busca um presente de natal para sua filhinha. As duas ficam amigas e logo Therese descobre que Carol está se divorciando de seu marido Harge (Kyle Chandler) e pretende afastá-la da filha. As duas acabam se apaixonando e partem em viagem pelos EUA, porém, as coisas ficam mais difíceis quando Carol é acusada de comportamento imoral, o que pode lhe tirar a filha de vez.

Não há como se manter indiferente a Carol depois de dez minutos de projeção. Ali, na atmosfera melancólica de um EUA dos anos 50 já somos obrigados a ter de ver e torcer para aquele amor, à primeira vista (cena) dê certo. Não só pelo roteiro muito bem adaptado por Phyllis Nagy, mas também pelo teor da obra original escrita pela icônica Patricia Highsmith, que na época escreveu seu livro O Preço do Sal usando um pseudônimo, tanto era o medo das conseqüências que poderia ocasionar para sua carreira. Percebe-se no decorrer da trama que Nagy manteve no roteiro o mesmo teor passional que a autora imprimiu em sua obra, o que passa mais credibilidade de tempo e espaço em que se passa a história.

Não há a carnavalização que Abdellatif Kechiche expôs no seu mediano Azul é a cor mais quente (2013), pois Haynes sabe que faz um filme de contexto social, de uma década onde o “comportamento leviano” de Carol e Therese era interpretado como imoralidade ou até mesmo doença mental. Tudo é muito frio, distante, e o diretor abre mão do intimismo para nos manter apenas observadores do crescente amor entre as duas personagens. A fotografia de Edward Lachman é cinzenta, propositalmente sem graça, até na cena de sexo entre as personagens, tudo muito temeroso, nos passando a mesma sensação que percebemos na jovem Therese.

Porém, o longa não nos poupa das problemáticas que uma relação amorosa entre duas mulheres poderia causar naquela época. Sim, assim como no seu ótimo Longe do Paraíso (2002), o comportamento da sociedade ao redor é um importante componente da narrativa do filme. Mesmo que não tenha uma presença direta, como no filme citado, a pressão da sociedade é onipresente, influi no desenrolar da trama e traça um panorama sensato sobre o assunto, sem melodrama em excesso, valorizado pela trilha sonora delicada de Carter Burwell, indicada ao Oscar 2016.

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Mesmo que tenha sido inexplicavelmente ignorado nas categorias de melhor filme e diretor no Oscar 2016, Carol é com certeza um dos melhores filmes que estavam na corrida pelo prêmio esse ano. Seja pela história bem contada, pelo amor delicado entre as duas personagens, ou pelas atuações grandiosas de Blanchett e Mara, este é um filme que merece ser visto. Que reforce a campanha para mais histórias de amor chegue aos cinemas, seja ela entre homens e mulheres, homens e homens ou mulheres e mulheres. O cinema não tem tido preconceitos. A Academia, bom…

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