Capitã Marvel | Crítica

O longa já está em exibição nos cinemas.

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Classificação:

Nota ótimo

pôster de Capitã Marvel
Divulgação

Dando início ao retorno da Marvel Studios aos cinemas em 2019, chegou a vez do primeiro filme protagonizado pela heroína Capitã Marvel chegar aos cinemas. Contando com a conhecida fórmula de uma história de origem, o longa traz uma necessária representação feminina nas telas e marca um bom começo para a nova fase do estúdio – sem mesmo ter finalizado a atual Fase 3.

Situado nos anos 90, o filme é uma nova aventura de um período inédito na história do UCM, acompanhando a jornada de Carol Danvers enquanto ela torna-se um dos heróis mais poderosos do universo. Contudo, quando uma guerra galáctica entre duas raças alienígenas atinge a Terra, Danvers encontra a si mesma e um pequeno grupo de aliados no centro do turbilhão.

A começar pelo seu roteiro, dizer que a trama foge da conhecida fórmula de histórias de origem da Marvel seria mentira: apresentação de novos personagens, interligação com outros títulos do estúdio, explicação dos poderes da heroína e a conhecida jornada do herói, assim é formado a estrutura narrativa da produção. Porém, mesmo com algo já tão conhecido e utilizado, foi a presença de Carol Danvers (Brie Larson) e uma certa nostalgia dos anos 90 que trouxe para as telas uma necessária mudança e até mesmo uma “respirada de ar fresco” para o início da nova era dos heróis nas telas para a Marvel Studios.

Utilizando da comédia, ação e até mesmo o drama (necessário em certos momentos), as roteiristas Genebra Robertson-Dworet, Nicole Perlman e Meg LeFauve conseguem entregar uma linha narrativa consistente, dando voz à necessária representação das mulheres nos filmes do gênero. Apesar de se perder no equilíbrio dos gêneros narrativos em certos momentos, o trio conseguiu entregar mais acertos do que erros – algo já esperado após 10 anos estabelecidos nos cinemas -, além de fazer com que Capitã Marvel se amarre perfeitamente com pontos-chave já vistos pelo público nos longas que já foram feitos pelo estúdio.

Já em relação ao seu ritmo, pode-se dizer que a dupla de diretores, Anna Boden e Ryan Fleck, não “deixou a bola cair”. Mesmo que seu primeiro ato já comece um tanto agitado – algo não muito comum no cinema -, os momentos mais parados, que são utilizados para explicações ou momentos mais íntimos entre personagens, são bem inseridos e, mesmo com algumas falhas, terminam por entregar uma aventura bem equilibrada ao espectador.

Dando vida à heroína protagonista, Brie Larson chega no UCM com uma mensagem poderosa de empoderamento feminino. Com uma performance um tanto dividida entre explorar o emocional da personagem e deixar claro a força da mesma, a atriz entrega uma boa primeira impressão em relação a Carol Danvers, e mostra que Thanos terá uma oponente poderosa para enfrentar em Vingadores: Ultimato.

Ainda sobre os personagens, seria impossível não destacar o retorno de Phil Coulson (Clark Gregg) e Nick Fury (Samuel L. Jackson). Ver a dupla recém formada nos anos 90 é algo satisfatório para os fãs, além de mostrar um lado novo para estes dois nomes já conhecidos e amados pelo público. Além disso, é necessário elogiar o excelente trabalho feito para o rejuvenescimento de ambos os atores, não desapontando em nenhum momento – na verdade, sequer é possível notar que foi feito um trabalho com efeitos especiais.

No geral, o trabalho com efeitos é bem executado. Mas nem mesmo este ponto fica livre de falhas, e durante o longa há alguns vislumbres que acabam por expor a presença do CGI de forma mais clara. De fato, existe um momento que esta falha acontece em uma cena importante para a trama e a protagonista e, nesse sentido, acaba atrapalhando um pouco na imersão do espectador no momento em questão.

Outra dupla que merece grande destaque é justamente Carol Fury. A química entre os dois – tanto personagens, quanto atores – é um dos grandes pontos positivos do filme e trazem para a trama um balanço interessante, e até mesmo cômico, ao ver o então agente da SHIELD interagindo com uma humana/Kree pela primeira vez.

Ainda em relação à dupla, um terceiro membro deve ganhar seu próprio parágrafo: Goose. O felino, que já nos trailers ganhou atenção ao mostrar para os fãs um lado nunca visto de Nick Fury, também acaba por ser encarregado dos alívios cômicos durante o filme e rouba a cena em todas as horas que aparece – seja por alguma interação externa ou seu próprio momento.

Seguindo para os membros do Starforce, o personagem mais explorado e trabalhado no filme é o interpretado por Jude Law – que talvez seja o encarregado por carregar o maior segredo da trama. Trazendo uma performance misteriosa acerca da sua participação na história de origem de Danvers, o ator entrega uma das melhores performances dentre o elenco.

Em contrapartida, a história em volta de todos os outros membros da frota dos Kree é um tanto decepcionante. Afinal, eles não são bem explorados em nenhum momento da trama em questão, tornando-se basicamente um complemento para a narrativa. O único ponto de destaque dos mesmos é basicamente no desfecho da história, estando ali apenas para cumprir o seu papel.

Outra relação que poderia ter sido mais explorada é justamente entre Maria Rambeau (Lashana Lynch) e a protagonista. No início de sua participação, a mesma é utilizada somente como uma espécie de “muleta” para Carol – servindo para ajudar a mesma a ligar os fragmentos de suas memórias. E, após tantos comentários sobre a relação entre as duas, fica uma sensação de que a dupla poderia ter mais alguns momentos do seu passado ou interações do presente apresentados em tela. Ainda assim, não se preocupe: Maria tem seu momento badass no filme!

Assim como em outros títulos do estúdio, a fotografia do filme solo da heroína conta com um bom equilíbrio de planos para narrar a sua história. Entre quadros mais abertos para mostrar o universo, e quadros mais fechados quando necessário, não há um momento em que a escolha de planos atrapalha na imersão do público – servindo como mais um elemento para ajudar o espectador a embarcar nesta nova aventura.

Por fim, Capitã Marvel é um filme que foi bem executado. Seguindo a conhecida fórmula da Marvel, o projeto não é o mais forte do estúdio e não apresenta nenhuma surpresa em relação ao que está por vir até o momento. Mas, talvez, o maior destaque do longa não seja seus personagens ou nem mesmo sua trama, mas sim o empoderamento e representatividade que é dado às mulheres aqui presentes, com sua força, independência, amizade e parceria representados na tela.

Vale lembrar o longa protagonizado pela heroína contém uma linda homenagem ao Stan Lee logo em seu início. Além disso, o projeto conta com duas cenas pós-créditos, então fique até o final da exibição.

Confira também: Capitã Marvel | Confira o novo trailer do filme

Além de Larson, LynchJacksonLaw Gregg, o elenco também conta com Gemma ChanAnnette Bening Ben Mendelsohn.

Capitã Marvel já está em exibição nos cinemas brasileiros.

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