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BOYHOOD – DA INFÂNCIA À JUVENTUDE | CRÍTICA

Boyhood - Da Infância à Juventude
Boyhood – Da Infância à Juventude

Antes de mais nada é preciso dizer que não há ninguém na história do cinema que fez o que Richard Linklater teve coragem de fazer em Boyhood – Da Infância à Juventude, não em uma ficção. É uma experiência inédita, um risco calculado (ou não) de se levar um projeto que percorresse doze anos da vida de um personagem da infância à vida adulta. Depois, aí sim podemos nos ater aos motivos que levou o diretor e roteirista ao extraordinário: mostrar como o processo de crescimento físico e ideológico, além de todos os percalços que a vida nos impõe indiretamente, como problemas de relacionamento da mãe e a falta de direcionamento do pai. Uma obra que ao mesmo tempo que encanta, assusta, uma obra-prima!

A trama é simples, que mostra a passagem do menino Mason (Ellar Coltrane) pela sua infância até se iniciar na vida adulta. Pronto! Mas, o que importa no filme não é o “o quê”, mas o “como” tudo foi desenvolvido por Linklater. É tudo orquestrado em uma elipse temporal, onde os pequenos gestos de viver de Mason é totalmente assimilada e revivida pela memória de quem assiste. Não, não se trata simplesmente de um conto da juventude, o desenvolvimento do caráter, os questionamentos em torno de bobagens da vida que nos tornam como todos. Aí está a mágica. O roteiro não precisa se aprofundar em situações limite para reforçar passagens da vida e o senso de aprendizado. Não precisa ser um gênio para entender, uma cena depois, o resultado da anterior.

Alguns estranham, necessitam que a mãe resolva seus problemas emocionais e seus envolvimentos amorosos, mas o filme não precisa daquilo. O que lhe interessa é como Mason passa por tudo aquilo e como, algumas cenas à frente, muda conceitos e seu modo de enxergar o mundo dos adultos, que sabemos que lhe será inevitável. Nos identificamos, torcemos para que as coisas saiam como queremos, como fossemos nós os protagonistas. Sim, sente-se falta de conflitos, tensões atenuadas, tudo que normalmente concebemos em dramas comuns. Mas, lembrando novamente, isso aqui não interessa.

O que nos toca é que tudo está acontecendo, é a relação tempo e espaço, o físico e o emocional. Linklater sabe  que está fazendo, orquestra com maestria como orquestrou a epopeia de comédia romântica, sem comédia mas com muita maturidade, que lhe tornou famoso. Os pais, são coadjuvantes sim, assim como qualquer outra pessoa nos é. Mesmo nas ótimas atuações de Hawke e Arquette, que são constantes, como se tivessem aprendido passo a passo, todos os dias desses doze anos, não ofusca a busca pelo personagem de Ellar a todo momento. Se trata de um estudo direcionado, onde os olhos, a câmera e a montagem perseguem o personagem de Coltrane. É quase um documentário. Entretanto, o longa está sempre nos lembrando que ele é ficcional, para que não crie-se expectativas diferentes do esperado, para que não haja falsas interpretações. É filme, ficção, ora comédia, ora melancólico, ora emocionante, outras assustador. Assim como é a vida de todos nós.

E em duas horas e quarenta minutos compreendemos doze anos, mas que, sem que percebamos, vivemos doze anos. Os rostos que mudam, meninos que se tornam homens, meninas que se tornam mulheres, os ideais, o pueril, tudo ao mesmo tempo, sem ressalvas nem exagero. É apenas vida, é o momento, que “é constante”. É como se o sempre fosse aquele simples momento, onde você não sabe se assistiu a um filme sobre a vida de um menininho que passa à vida adulta ou simplesmente sonhou com tudo o que sua vida lhe proporcionou. Obra-prima, sem mais!

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Classificação:
Excelente

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