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ANNABELLE | CRÍTICA

Annabelle
Annabelle

Houve um tempo em que as produções do gênero terror eram aquelas que dominavam as bilheterias e levavam multidões ao êxtase, com uma mescla de medo e tensão. Isso eram os anos 30 e 40, onde Tod Browning e seus monstrengos tais como Frankenstein, Lobisomen e o Drácula colocaram a Universal como o grande estúdio da época. Com o passar dos anos, as variações estilísticas e narrativas renderam obras-primas como O Bebê de Rosemary (68), O Exorcista (73) e O Iluminado (80), e mais à frente, na década de 90, franquias teen como Pânico conseguiram algum destaque. Mas, ultimamente, salvo raras exceções, o gênero não apresentou nada que fosse relevante como cinema, vivendo com os lapsos de Atividade Paranormal (2007). Entretanto, em 2013, uma nova esperança surgiu com o excelente Invocação do Mal, baseado em fatos reais e que foi aclamadíssimo pela crítica. Seguindo seus passos, surgiu Annabelle, extraído de um dos casos reais do longa do ano passado e que tem em sua principal arma a figura bizarra da boneca.

O casal Mia (Annabelle Wallis) e John (Ward Horton) estão se preparando para chegada de sua primeira filha, Lia, e nessa onda compram uma boneca. Porém, quando um crime horrendo acaba acontecendo dentro de sua casa, coisas estranhas começam a aterrorizar Mia e prejudicar sua gravidez. Eles se mudam para outro estado, mas, as manifestações assustadoras persistem, e agora ameaçam a segurança da pequena herdeira. Quando procuram ajuda, descobrem que os crime ocorrido em sua antiga casa fazia parte de um ritual satânico e que a invocação feita pelos adoradores está possuindo o corpo da boneca, e ela está dentro da casa.

A principal proeza deste Annabelle é trazer a mesma atmosfera de “contos e causos” verdadeiros para dentro trama, assim como fez Invocação do Mal. Assim, a sensação de claustrofobia se eleva e fica quase impossível, perante a tela, duvidar que aquilo não tenha mesmo acontecido. Entretanto, faltou a Gary Dauberman trazer uma dose de humanidade e questionamentos mais profundo aos roteiro. Annabelle não tem aquela trama que gira em torno de crença e fé que Chad e Corey Hayes impuseram ao filme de James Wang. Mesmo que a questão familiar esteja presente, e abordagens em torna da crença estejam presentes, é tudo muito pueril e sem a profundidade que se esperava.

Talvez o que não funciona no filme se deve a também inexperiência do diretor, John Leonetti, que nunca conseguiu emplacar um grande filme. Ele apenas se limita em criar esquetes obscuras, com joguetes com luz e trevas, além de trilha sonora previsível. As cenas sempre seguem o mesmo rumo, é quase possível marcar no relógio de quanto em quanto tempo um sustos virá surpreender o público, o que para os mais experientes em assistir exemplares do gêneros, não irá funcionar. Acaba perdendo o que faz de seu “genitor” notável, que é o fator surpresa, aquela cadência que alimenta a excitação até nos pegar de surpresa, mesmo que necessite de uma figura bizarra pipocando a todo momento na tela.

A falta de carisma do casal de protagonistas também não ajuda muito. A Mia de Annabelle Wallis (curiosamente homônima do longa) se limita apenas a gritar e arregalar os olhos. Parece estar sempre querendo nos avisar quando a entidade irá se manifestar, uma verdadeira estraga-prazer. Os outros personagens não conseguem se inserir no contexto do filme, são deslocados, figurantes. Nem o personagem de Horton, que era para ser o contraste da histeria de Mia desperta algum interesse. Pior ainda é o elenco de apoio, que eram para ser a transição e resolução do problema, saem de cena como entram, sem serem devidamente apresentados. Ou seja, o filme se resume à uma boneca medonha e uma mulher descontrolada.

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Claro que Annabelle irá pegar o público menos exigente de jeito. Vai aplicar belos sustos, arrancar gritos insanos e deixa-los com a sensação de terem visto um ótimo filme. Mas, para quem acompanhou pérolas do gêneros e vive com a expectativa de algo que relamente valha à pena, o longa não passará de mais um no mar de mediocridade, que viverá na periferia do cinema, algo apenas para o mais puro e descartável entretenimento. Uma pena, já que pela atmosfera assustadora que se criou em torno da boneca, esperava-se algo ao menos no mesmo nível de Invocação do Mal.

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