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47 RONINS | EM DVD / BLU-RAY

47 Ronins
47 Ronins

Hollywood adora se aproveitar de mitologias de outras culturas e tentar transformá-las em algo de qualidade e impor ao público sua visão. Desde os primórdios foi assim, e em época de mundo globalizado, a situação se torna cada vez mais corriqueira. A pauta da vez é novamente a interessantíssima cultura japonesa e sua lenda samurai dos 47 Ronins. Neste caso, existem dois pontos contrastantes no filme dirigido por Carl Erik Rinsch, o lado “bom”, que é pouco, no qual soube aproveitar o misticismo, no que diz respeito aos efeitos de qualidade para os demônios e bruxas, e o lado “ruim”, e mais relevante, que trata os costumes samurais e todas suas mazelas de forma rasa, sem dar a devida importância, mesmo com o esforço de Keanu Reeves.

Kai (Keanu Reeves) é um mestiço misterioso que foi encontrado em uma floresta pelo o Lord Asano (Min Tanaka), por quem é criado na cidade de Ako. Porém, ele nunca foi aceito pelo líder dos samurais, Oishi (Hiroyuki Sanada), que pretendia matá-lo assim que foi encontrado. Entretanto, quando o ganancioso Lorde Kira (Tadanobu Asano), com a ajuda de sua serva feiticeira (Rinko Kikuchi) arma um plano para tomar Ako de Asano, Kai e Oishi terão de se acertar para recuperar a honra de seu Lorde, e salvar a filha dele, Mika (Shibasaki), por quem o mestiço é apaixonado.

Nesta trama, baseada em um mito japonês, em que demônios e bruxas foram o provável chamariz para que ela chegasse a Hollywood (apesar de ser uma história interessante), devido seus potenciais pirotécnicos, os roteiristas mostraram-se divididos sobre o que seria o principal mote do filme: a mística ou a tradição. Chris Morgan, especialista em ação, responsável por alguns Velozes e Furiosos, e Houssein Amini, do ótimo Drive (2011) e outros irregulares, ficaram perdidos, e não souberam dar a importância adequada nem ao mito e nem aos costumes nipônicos. Começando pelo idioma ser o inglês, mas aí a produção é americana, engole-se. Mas tratar a tradição samurai tão vagamente é um erro. Para quem não conhece nada do que está vendo, os códigos de honra e até o seppuku parece doideira. O público merecia saber mais o sobre o que estava vendo, mas acaba por ficar como os roteiristas, meio perdidos.

A bola fora maior ainda foi em inserir uma história de amor. Ora, não precisava nada além da desonra de um mestre para motivar uma vingança, sendo assim, a inclusão da historinha de amor entre o personagem de Reeves e a bela Mika é um braço que o filme poderia viver sem. Se a relação faz parte da lenda, não sei, mas que não acrescenta nada ao longa, isso não acrescenta mesmo. Além disso, a parte em que poderia injetar carga ao místico, é desperdiçada, ao não tratar de forma contundente a relação de Kai com os demônios da floresta, seu treinamento e outros muitos “porquês” que ficam sem resposta convincente.

O que há de notável, e que Hollywood faz como ninguém, é o uso dos efeitos visuais e a condução das sequências de ação. A caracterização das aberrações demoníacas, as diabruras em que se transforma a bruxa vivida por Kikuchi e as lutas com a katana são o que fazem do filme ao menos uma boa distração. Keanu Reeves se empenha para trazer um pouco de credibilidade aos embates, e de certa forma, consegue fazer destes momentos os melhores da trama. Enquanto isso, o diretor Carl Erik Rinsch, estreante em longas, mostrou que pode render alguma coisa no gênero ação, porém ainda precisa aprender a introduzir conteúdo e carga dramática aos seus futuros projetos.

Classificação:
Regular

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