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12 ANOS DE ESCRAVIDÃO – OSCAR 2014

12 Anos de Escravidão
12 Anos de Escravidão

Um dos episódios mais tristes da história da humanidade é, sem dúvidas, a escravidão. O tema já foi aos cinemas em diversas concepções, sob diversos aspectos, com muita ou pouca pompa. De Spielberg à Tarantino. Do tendencioso O Nascimento de uma nação (1915) ao tocante As Aventuras de Huck Finn (93), todos tiveram algum êxito, porém, por seguir tendências narrativas, ficaram em uma inércia que os faziam simples filmes, sem aquele aprofundamento histórico que trouxesse a situação à beira da realidade. Coube então ao talentoso Steve McQueen à parte real, a documentação histórica, que talvez não capture o público enquanto filme, mas com certeza não escapará aos olhos de cinéfilos mais atentos, que logo enxergarão uma grande obra de arte.

1841, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor, ótimo) é um escravo alforriado que, seduzido por uma proposta de trabalho como músico, acaba caindo em uma armadilha, sendo seqüestrado e vendido como escravo para uma fazenda de algodão na região, ainda escravocrata, da Louisiana. Quando cai nas garras do impiedoso senhor Edwin Epps (Michael Fassbender), passa por grandes provações, é humilhado, açoitado, mas com enorme determinação se mantém firme na esperança de um dia voltar para a família.

O roteiro foi adaptado do livro escrito pelo próprio Solomon por John Ridley e assume o total risco de se tornar totalmente indigesto para a maioria do público. Porém, para ser algo novo, completamente diferente de tudo que já foi feito no cinema, tinha de ser assim. O filme busca não se intrometer, tomar partido do protagonista, apenas nos entrega os fatos, que por si só já eram nauseantes e cruéis. Solomon busca a todo instante sua liberdade, seja através de seu dom de tocar violino ou pelo voto silencioso, apenas observando e sendo útil.

A câmera contemplativa de McQueen se vale de uma plástica indomável na produção. Mesmo em meio à dureza da situação, induz a beleza, capta lirismo até nos olhos tristes e vermelhos de Patsey, incrivelmente interpretada por Lupita Nyong’o. Talvez seja este o escapismo para que 12 Anos de Escravidão seja tolerável. O artístico. Na mais icônica das cenas de angústia, uma escrava se insinua a Solomon, que a toca e a masturba. O diretor sempre consegue ser sensível em meio a brutalidade, ao limite físico de Hunger (2008) e o mental de Shame (2011). Entretanto, diferente de seus longas anteriores, em que, de certa forma, nos fazia compreender tais situações, aqui não é o caso. O repúdio é inevitável, e ele sabia que seria assim.

É essencial entender que o diretor se trata de um artista plástico, que possui uma visão diferente do que é fazer arte. Mesmo que seja uma qualidade inquestionável isso pode prejudicar o alcance de 12 Anos, pois McQueen buscou se distanciar da romantização sistêmica que limita os bons, porém aclamados, Amstad (97) e A Cor Púrpura (85) de Spielberg, e também não procurou por inovações pop-art como o amado Django Livre (12) de Tarantino. Propôs-se a fazer o mais singelo e simples dentre as histórias, em contrapartida, a carga poética que adicionou ao teor documental de seu filme o torna o mais completo estudo de caso sobre o assunto já levado as telonas.

12 Anos de escravidão já pode ser listado entre os filmes mais essenciais do cinema, tanto pelo teor analítico e artístico, quanto pela entrega do elenco, já que suas atuações conduzem o enredo. Pelas mãos de Epps temos a escravidão em sua forma mais absoluta, pelos olhos de Patsey sentimos o desespero e pelo choro de Solomon somos levados a acreditar que tudo aquilo não é simplesmente histórias de assombração para crianças. Este período insano não pode ser esquecido, e graças a McQueen, o cinema já tem seu documento histórico.

Classificação:
Excelente

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