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STAR SYSTEM | KINOS

Jornada Nas Estrelas
Jornada Nas Estrelas

Tem gente que não pode ver os dedos separados de “Vida longa e próspera” na mão do coleguinha que começa a fazer barulho como se tivesse sacado o sabre de luz para cortar essas hastes inconvenientes. Do outro lado a mesma coisa: ouvir “Que a Força esteja com você” é o mesmo que Klingon em momento de tensão intergaláctica. A ironia: mesmo que um tenha Guerra no título, os guerreiros estão em busca da paz, como os exploradores do outro lado. Em resumo: o universo é grande demais, tem espaço pra todo mundo.

A saga Trek é mais antiga, vem da televisão e perdeu no último mês o intérprete do mais icônico personagem: Leonard Nimoy, teleportado pelo cigarro aos 83 anos, partiu após passar o bastão para Zachary Quinto, seu representante no novo grupo de viajantes da Enterprise. Patrulheiros das galáxias, os tripulantes encontraram planetas e grupos com os quais tiveram que lidar em diferentes instâncias, do diálogo amistoso ao conflito bélico, da necessidade de salvação de um planeta a avarias na própria nave.

Star Trek também rendeu análises curiosas, como um dos primeiros (ou o primeiro) livro sobre filosofia, hoje moda que vai de Lost a Game of Thrones. As reflexões trekkers passam, acima de tudo, pelas relações entre indivíduos na imensidão do universo, tanto entre colegas de trabalho que se tornam amigos até a saudade dos que estão em seus planetas de origem, por vezes distantes de um reencontro. As questões físicas são também alvo de análise em outro livro, que lida com as viagens em altíssima velocidade ou a possibilidade do teleporte.

As discussões sobre Star Wars levam o leitor para a literatura e a mitologia. Inspirado em textos antigos e nas aulas de Joseph Campbell, George Lucas cortou e colou retalhos de diferentes narrativas e estruturas conhecidas para organizar um fabuloso painel de patchwork com planos, formas e dimensões mais intrincadas que os filmes conseguem segurar. Com um universo além das telas, a saga Wars mudou a forma de Hollywood entender a palavra franquia.

Com duas sequências das vidas dos Skywalker, as histórias começam no meio e terminam no meio: a jornada do filho vem antes da trajetória do pai, numa opção acertada pelo que era oferecido (ou possível e que foi criado pela demanda) de efeitos especiais. Acertada também para arrebatar os fãs, que encontraram uma história que já havia começado e ficaram esperando não só o que viria a seguir (O Império contra-ataca, melhor dos seis), mas tentando entender o que se passara antes. E não tiveram que aturar Jar-Jar Binks e o mais infantil dos seis filmes logo de cara.

Hoje, fãs das duas sagas esperam pelos próximos episódios. Star Trek já mostrou serviço ao re-apresentar Spock, Kirk e Kahn em dois filmes com manobras e efeitos para tirar o centro de gravidade do espectador. Star Wars já tem trailer, data de lançamento e, se depender dos fanáticos, fila nas portas dos cinemas. Num grande tratado de paz e harmonia entre as duas sagas, o novo mestre das histórias que arrasam os quarteirões do cinema americano: J. J. Abrams.

Gestada em Felicity e parida em Alias, a fama de Abrams fez barulho em Lost, marco da televisão em diálogo com a internet e uma das mais polêmicas séries de TV da história, ainda hoje incômodo para muitos que seguiram com ansiedade até o final. No cinema, seu Missão impossível 3 não brilhou tanto, mas já estava fadado a mostrar a que veio quando deu as mãos ao midas Steven Spielberg para conceber Super 8, sua versão de Goonies, com menos piratas e mais monstros. Dali para as Estrelas foi um passo.

O mais importante na viagem não é o veículo (Enterprise ou Millenium Falcon) ou a tripulação: é entrar naquela velocidade em que os pontinhos brancos viram tracinhos e seguir em busca de aventura. Abrams mostrou bom serviço como trekker, resta saber se será um Jedi. Se hoje o mundo nerd é respeitado, se a outrora minoria (ou ainda, conforme as teorias no assunto) hoje mostra caminhos para formas de trabalho e diversão, elementos muitas vezes não dissociados, e se a realidade da ficção científica hoje é bem mais divertida, muito se deve a essas duas sagas intergalácticas e seus criadores. A culpa, realmente, é das estrelas.

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