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A NOITE DE TERROR PODE SER CULPA SUA | KINOS

Gremlins
Gremlins

Na calada da noite vem aquele ruído estranho, uma sombra quando você acorda, uma suspeita sobre o que mora sob a sua cama. Saiba que nada disso é fruto da sua cabeça: suas piores suspeitas, ou os pesadelos que as pessoas dizem ser frutos da sua imaginação, são reais. Pior ainda: são culpa sua.

Em meio às discussões contemporâneas sobre responsabilidade, é fácil culpar o outro, tanto o colega de sala ou trabalho quanto o político do alto escalão, mas saiba que muito do que acontece no mundo é culpa sua. Pode até não ser diretamente, mas a partir do momento em que alguém da base não cumpre com suas obrigações não pode cobrar do que está no alto. Se o cidadão não respeita as regras básicas, não pode cobrar do colega qualquer outro valor.

Por exemplo: se alguém te dá um presente e diz pra não deixar o presente exposto à luz, não jogar água no presente e não alimentar o presente depois da meia-noite, o que você faz? Claro que segue as regras, como pessoa ética que é. Mesmo assim, algum contratempo pode acontecer e uma surpresa acontecer, e essa surpresa tem nome: Gremlim.

Desde que Chris Columbus escreveu e Joe Dante dirigiu, em 1984, uma das histórias mais marcantes da década, o singelo Gizmo deixou de ser apenas um bichinho de pelúcia. Aliás, os bichinhos de pelúcia deixaram de ser apenas cuti-cuti para se tornarem potenciais assassinos que dormem ao lado (a não ser que você seja amigo do Chucky). Como boa parte das histórias milenares, o simpático Mogwai vem da China e traz em sua constituição a disciplina milenar que mantém a cultura viva. A questão que se coloca é: o que a falta de disciplina faz com uma tradição? Mata.

Foi isso que os Gremlins fizeram com os habitantes desavisados e com quem mais pudesse entrar no caminho. 30 anos de muitas Sessões da Tarde depois, revi o filme, presente do meu irmão, com a abertura que uma criança tem para o presente que o pai dá de Natal. E assim ri de cada cena como ria antes (como o voo da cadeira elétrica pela janela) ou delirei com o absurdo de algumas cenas que faziam do filme o clássico que se tornou para os anos 80 (se a água gera reprodução, imagine o vilão mergulhado em uma piscina).

Quando os muitos demônios verdes tomam a cidadezinha de interior (e me resumo ao primeiro filme, sem o Lionel Luthor do segundo e todo o mérito que cabe à boa continuação), o que resta aos moradores é morrer ou reagir por conta própria, já que nem o xerife acredita que existem monstros espalhados pelas casas. Melhor ainda é a salvação pelas invenções falhas, incapazes de finalizar um suco de laranja, mas aptas a moer um monstrinho e acabar com sua ira. E se a luz mata as criaturas, melhor apostar na escuridão de uma sala de cinema.

Como o mestre da propaganda nazista afirmava, a diversão seduz melhor que o discurso direto, e seu filme favorito era Branca de Neve e os Sete Anões. Talvez não por ingenuidade, os gremlins também buscam a salvação contra o amanhecer em uma sala de cinema, onde todo o mal é aplacado pela diversão e pela pipoca que anima os presentes, a balançar ao som das músicas de Walt Disney. O cinema é a salvação, e não só para os monstros.

Você, caro leitor, diante do filme, consegue perceber todas as referências desse sucesso dos anos 1980? Mais sutis que na continuação, as citações a outros filmes e a momentos importantes do século XX fazem da revolução monstruosa um arquivo cinematográfico, uma referência por si só inegável na história pop do cinema, com o dedo de Steven Spielberg, o mago do blockbuster de então.

Gremlins é mais que uma história de monstrinhos, é uma lição de ética, pois traz senso de humor e temor para um ponto e, acima disso, uma reflexão sobre como devem ser tratadas questões cotidianas, que passam pela atenção com o outro, pela economia, pela política, pela sociedade.

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