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E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS? | KINOS

E se Vivêssemos todos juntos?
E se Vivêssemos todos juntos?

Diversas sociedades são criadas por ideais comuns. Comunidades se formaram sob o mesmo teto para dividir aluguel e utopias nos idos dos anos 1960 e 70, organizações políticas ou científicas agruparam-se para o aprimoramento de suas propostas, exércitos se mobilizaram para melhor exercer a estratégia. Em comum, esses agrupamentos costumam ter jovens, se não em totalidade, pelo menos em parte do grupo. Imagine o que ocorre quando um grupo de velhos opta por viver na mesma casa.

A base de toda a história desse longa franco-alemão é a amizade. Cinco amigos de longa data: dois casais e um solteiro que gosta de fotografar seios e tem nas prostitutas passatempo e modelo fotográfico. A cada um sua peculiaridade, a começar pelo casal Jean e Annie (Guy Bedos e Geraldine Chaplin), que recebe frequentemente os amigos para tardes gastronômicas. Ele, um eterno militante social, ela, rígida com o marido, sobretudo quando ele lança a ideia de morarem os amigos todos juntos.

Albert e Jeanne vivem dramas solitários, embora sob o mesmo teto. Ela (Jane Fonda) esconde do marido os resultados de um exame, joga tudo no lixo e finge que está tudo bem. Ele (Pierre Richard, perfeito) talvez sequer se lembrasse caso ela falasse: tem Alzheimer. O apego de Albert é com o cachorro, que deve passear duas vezes por dia, até que o gigante peludo o derruba e ele acaba no hospital. Jeanne contrata um jovem para passear com o cachorro, o estudante de etnologia Dirk (Daniel Brühl).

O fotógrafo (Claude Rich) é charmoso, vive sozinho e preza por sua independência, o que padece com um infarto enquanto sobe a escada para visitar outra prostituta. O filho deixa-o num asilo com todo tipo de velho, dos saudáveis abandonados aos insanos. Os amigos, em visita para mais um encontro gastronômico, resolvem tirá-lo de lá e, assim, começam a viver todos juntos.

Se o que os une é a amizade, ela se sustenta nos encontros ocasionais ao lado da horta de Jean, pois sob o mesmo teto são as idiossincrasias que imperam. Jean quer organizar tudo, colocar ordem no aparelho político que ele se acha capaz de gerir e convoca uma reunião para a organização de funções. Pressupõe que cada um deva assumir tarefas a serem executadas com determinada periodicidade, ao que Jeanne questiona: e se cada um fizer o que quiser? É esta a ordem natural das coisas e assim se organiza a casa, que a câmera acompanha.

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Além deles, o jovem Dirk passa a conviver com a família que toma como objeto para seu estudo comportamental. Fotografa, filma, escreve e entrevista os moradores, por vezes surpreso com o que encontra. Albert, por exemplo, sempre lhe pergunta, por conta do sotaque do jovem, de onde ele veio. Alemão, tem que explicar que não tem relação com os nazistas, que prenderam os avós de Albert.

Se o que prevalece é a comédia ou o drama, difícil dizer, embora ambos com tons leves e sensíveis sob a tutela de Stéphane Robelin, em seu segundo longa. Espreitados pela piscina a ser construida nos fundos da casa, a amizade dos personagens, tal qual a obra, cava fundo nas histórias das relações estabelecidas entre eles, de modo que se afoguem nas lembranças. Se a obra na casa é metáfora para os relacionamentos, no fundo (da história e da piscina) permite ao espectador espreitar responsabilidades e mergulhar no lado moleque de se envelhecer.

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